(...)
"...Tinha passado a noite com uma sensação esquisita, como se me faltasse qualquer coisa, queria ter ficado lá a dormir mas achava que tinha decidido bem, o Joaquim ía dormir a noite toda, não se justificava, depois íamos dormir alternadamente, um em cada noite, para o Joaquim nunca ficar sózinho... quando saí do Hospital, pedi à Enfermeira que me ligasse caso o Joaquim acordasse e perguntasse por mim (ainda achava possivel ele voltar à sua consciência). De manhã, percebi que o meu telefone se tinha desligado. A enfermeira ligou-me às 5 da manhã e eu sem telefone. Nunca me vou perdorar por não ter lá ficado nessa noite.
Ali estava eu, na sala da nossa casa, os nossos filhos a brincarem com os avós... fiquei sem forças, como se de repente, o meu corpo tivesse congelado. “É agora”... Respirei fundo e levantei-me, passei pelo quarto deles, fiz sinal à minha mãe e fui-me vestir. A minha mãe veio dizer-me que tínhamos que levar a roupa do Joaquim para o vestir. “Vá filha, tem força!”, disse-me ela. Eu não conseguia acreditar... e esse sentimento dura até hoje.
Quando cheguei à Cruz Vermelha a enfermeira disse-me “não se preocupe, ainda bem que dormiu, assim está com mais força para aguentar o dia de hoje”, achei que ela tinha razão.
“Aguentar” tem sido a minha palavra de ordem, todos os dias.
Todos os dias me levanto e respiro fundo quando ponho os pés no chão...
Todos os dias sei que “não posso” deixar de estar bem e feliz. Todos os dias vivo com a “obrigação” de estar bem e feliz.
Mas não há momento nenhum, instante, sítio nenhum onde vá, não há 1 minuto que passe em que não pense no vosso amigo... “o J adorava isto” “O J dizia aquilo”, “se fosse o J assim ou assado...” “e quando discutimos” “e quando fizemos as pazes”... vivo em permanente “memória”... tenho uma necessidade enorme de olhar para as suas fotografias, de falar para elas, de acender velinhas e achar que lhe estou a aquecer a alma. Passo o tempo a falar para o céu em pensamento... chego a pensar que doi em doida!
Até hoje nunca falei com ninguém sobre mim, sobre o que sinto e senti, sobre o que penso ou temo... até hoje, não acredito na ausência do meu Amor, até hoje ainda não consegui conformar-me com esta realidade. Acho que tenho andado a tentar “compensar” o incompensável... tenho tentado “equilibrar” o que não tem equilíbrio... tenho tentado “segurar” o que pode cair a qualquer momento!
É Natal... o primeiro Natal sem o pai. Não vos sei dizer o quanto é doloroso, mas acredito que imaginem um bocadinho. O Manel e o Simão vão ter um Natal “normal”, temos árvore, presépio, temos a família, amigos, rabanadas e bolo rei, e muitos brinquedos...
O que eu sinto... não vos vou dizer, até porque nem sei muito bem explicar."
(...)
Este é um excerto de uma carta que escrevi por estes dias...
Queria ter vindo aqui, ao facebook, às minhas páginas onde escrevo quase que diariamente... não consegui... por falta de inspiração e de tempo também... ocupei o meu tempo, nestes dias, sem escrita quase... apenas em pensamentos, em sentimentos, em sorrisos e memórias... mas sem escrita!!
Em pensamento, escrevo um livro todos os dias... pudesse eu editá-los!!
Épocas em família, quando se fala tanto de Amor, Paz, etc, etc... quando se deseja aos outros "Festas Felizes", "Bom Natal", quando passam na Televisão Reportagens sobre o Natal dos que têm menos e sofrem mais... quando recebemos sms e telefonemas de pessoas com quem nem temos falado muito... nestas épocas... percebo agora que são épocas "de neura"... só me apetecia fugir. Mas é que se eu pudesse tinha mesmo fugido... para tão longe!! Não é pelas pessoas, felizmente tenho os meus filhotes, os meus pais, primas, amigos... não... é por... por... tudo o resto... sei lá!!
E o bacalhau, e os doces, e as prendas, e alegrias, e a noite e o dia. O antes e o depois. Sei lá... AI!! Não me apetece!!!
Que nervos!
... cheia de momentos bons para recordar! (INACTIVO ... ÚLTIMO POST A 2 DE JANEIRO DE 2015)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Obrigado
Muito obrigada amigos e amigas...
Por muitos anos que viva (espero, sinceramente, que sejam muitos, pois preciso de ver os meus dois homens crescerem felizes e saudáveis) há coisas das quais nunca me irei esquecer... de momentos que já passei com cada um de vós, dos momentos que fazem das nossas Amizades, as mais antigas e as mais recentes, memórias especiais. Em cada amigo (a) deposito um sincero sentimento de carinho, mesmo que por vezes, mais distante, tenho uma enorme ternura por cada um.
De tudo o que tenho aprendido nos últimos tempos (e como sabem, a minha vida tem sido uma Professora - das más - e eu uma simples Aprendiz), o valor da Amizade e a importância de termos amigos "à nossa volta" nos momentos mais difíceis, é de facto, uma das melhores conquistas da vida. Nas festas, somos muitos, nas horas penosas menos, e naquelas horas em que o sofrimento domina tudo o resto, somos menos ainda. Aí, nessas alturas, só ficam os bons, os verdadeiros, aqueles que connosco foram vivendo o bom e o mau e foram ficando, mesmo que com "intervalos" pelo meio, fruto de circunstâncias várias... e chegamos até a ter surpresas de Amizades que pouco conhecíamos.
Eu tenho sorte em ter tantos amigos desses bons. Tenho mesmo.
Obrigada por tudo, do coração.
Um enorme abraço carregado de votos de umas excelentes Festas em família, com muita Harmonia e Saúde.
"Castanheira" (Perestrello com muito orgulho)
Por muitos anos que viva (espero, sinceramente, que sejam muitos, pois preciso de ver os meus dois homens crescerem felizes e saudáveis) há coisas das quais nunca me irei esquecer... de momentos que já passei com cada um de vós, dos momentos que fazem das nossas Amizades, as mais antigas e as mais recentes, memórias especiais. Em cada amigo (a) deposito um sincero sentimento de carinho, mesmo que por vezes, mais distante, tenho uma enorme ternura por cada um.
De tudo o que tenho aprendido nos últimos tempos (e como sabem, a minha vida tem sido uma Professora - das más - e eu uma simples Aprendiz), o valor da Amizade e a importância de termos amigos "à nossa volta" nos momentos mais difíceis, é de facto, uma das melhores conquistas da vida. Nas festas, somos muitos, nas horas penosas menos, e naquelas horas em que o sofrimento domina tudo o resto, somos menos ainda. Aí, nessas alturas, só ficam os bons, os verdadeiros, aqueles que connosco foram vivendo o bom e o mau e foram ficando, mesmo que com "intervalos" pelo meio, fruto de circunstâncias várias... e chegamos até a ter surpresas de Amizades que pouco conhecíamos.
Eu tenho sorte em ter tantos amigos desses bons. Tenho mesmo.
Obrigada por tudo, do coração.
Um enorme abraço carregado de votos de umas excelentes Festas em família, com muita Harmonia e Saúde.
"Castanheira" (Perestrello com muito orgulho)
sábado, 4 de dezembro de 2010
Mau tempo no Canal
Faz um temporal na Horta - Faial - Açores!
Estão uns 18 graus, mas chove a potes e está um vento muito agressivo!
Até com este tempo, temos uma Paz e uma tranquilidade a entrar pela porta fechada... da varandinha do nosso quarto vêem-se barquinhos, o Mar e lá ao fundo o Pico, hoje mais tapado pelas nuvens baixas mas amanhã estará mais clara a vista, tenho a certeza!
O Manel e o Simão estão a fazer uma sesta... os avós no quarto ao lado... e eu estava aqui, a olhar pela porta da varadinha e a relembrar a última vez que aqui estive com o pai... há 7 anos. Este hotel ainda não existia, estas lojinhas aqui na marginal tão pouco. Havia o Peter Café e pouco mais. Restaurantes, sim, esta harmonia entre a Terra e o Mar. Havia sim, uma beleza absolutamente inegualável que o pai apelidava como "este é o melhor lugar do mundo"... era aqui que viríamos viver a nossa reforma, ou até antes, viríamos abrir uns negócios e viver esta tranqulidade e qualidade de vida que não existe em mais lado nenhum...
Estamos no Hotel do Canal, mesmo a trás da casa onde o Joaquim viveu quando era talvez da idade do Manel e uns anos mais para a frente, pois a João entretanto nasceu, se bem estou lembrada da "história da família"... era aqui, na Capitania do Porto da Horta... daqui partem os barquinhos, daqui iremos visitar o Pico quando o tempo melhorar... aqui estão todos estes registos desta gento do Mar.
Entrar no Café do Peter é "explodir" de saudade...
Boas memórias tenho deste lugar... da praia do Varadouro, do Vulcão, de tudo isto onde passeamos e namorámos... que bom era namorar com o pai, que bom que era...
Os sentimentos que me invadem são de um misto de alegria por ter oportunidade de reviver o passado desta maneira, e de uma profunda tristeza por não te ter aqui comigo e por saber que não voltarás a estar aqui neste "teu lugar" onde estavas tão feliz e para onde querias vir passar o resto dos teus dias... estes acabaram de outra forma, menos feliz... mas tenho a certeza de uma coisa:
Estás aqui em espírito, a tua presença permanece neste Mar, nestes barcos, nesta vida de Mar que tanto gostavas. Quem sabe... os teus filhos não virão aqui muitas vezes "viver esta tua tranquilidade"...
Aqui estás, sim, neste MAR!
Um abraço
Estão uns 18 graus, mas chove a potes e está um vento muito agressivo!
Até com este tempo, temos uma Paz e uma tranquilidade a entrar pela porta fechada... da varandinha do nosso quarto vêem-se barquinhos, o Mar e lá ao fundo o Pico, hoje mais tapado pelas nuvens baixas mas amanhã estará mais clara a vista, tenho a certeza!
O Manel e o Simão estão a fazer uma sesta... os avós no quarto ao lado... e eu estava aqui, a olhar pela porta da varadinha e a relembrar a última vez que aqui estive com o pai... há 7 anos. Este hotel ainda não existia, estas lojinhas aqui na marginal tão pouco. Havia o Peter Café e pouco mais. Restaurantes, sim, esta harmonia entre a Terra e o Mar. Havia sim, uma beleza absolutamente inegualável que o pai apelidava como "este é o melhor lugar do mundo"... era aqui que viríamos viver a nossa reforma, ou até antes, viríamos abrir uns negócios e viver esta tranqulidade e qualidade de vida que não existe em mais lado nenhum...
Estamos no Hotel do Canal, mesmo a trás da casa onde o Joaquim viveu quando era talvez da idade do Manel e uns anos mais para a frente, pois a João entretanto nasceu, se bem estou lembrada da "história da família"... era aqui, na Capitania do Porto da Horta... daqui partem os barquinhos, daqui iremos visitar o Pico quando o tempo melhorar... aqui estão todos estes registos desta gento do Mar.
Entrar no Café do Peter é "explodir" de saudade...
Boas memórias tenho deste lugar... da praia do Varadouro, do Vulcão, de tudo isto onde passeamos e namorámos... que bom era namorar com o pai, que bom que era...
Os sentimentos que me invadem são de um misto de alegria por ter oportunidade de reviver o passado desta maneira, e de uma profunda tristeza por não te ter aqui comigo e por saber que não voltarás a estar aqui neste "teu lugar" onde estavas tão feliz e para onde querias vir passar o resto dos teus dias... estes acabaram de outra forma, menos feliz... mas tenho a certeza de uma coisa:
Estás aqui em espírito, a tua presença permanece neste Mar, nestes barcos, nesta vida de Mar que tanto gostavas. Quem sabe... os teus filhos não virão aqui muitas vezes "viver esta tua tranquilidade"...
Aqui estás, sim, neste MAR!
Um abraço
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Olhei para o relógio algumas 20 vezes durante a manhã... só queria que chegasse a hora de almoço para poder "voar" para junto do Mar.
Assim foi. Ali estava eu, sentada numa esplanada junto ao Alto da Barra, onde "tudo começou" para nós.
O sol estava tão quente, tão bom, o Mar um tanto agitado... fechei os olhos e senti o calor do Sol a aquecer-me a alma, o som do Mar a encher-me o espírito. Perfeito, era mesmo isto que eu queria.
Lembrei-me de inúmeras situações da nossa vida, memórias boas, recordações tão doces.
Vi-te, o teu rosto estava desenhado no Céu e sorrias para mim, com aquele teu ar tranquilo e olhar apaixonado.
Vi-te quando escolhemos a nossa primeira casa, aquele teu gesto de felicidade a puxar a mão pra trás e a levantar a perna no ar... estavas tão feliz. Naquele dia, em que decidimos mudar para lá, foi tão bom, um dia tão feliz, tão feliz... era um passo importante, um início de uma vida a dois, e aquela casa ficará para sempre gravada na minha memória com o nosso "primeiro ninho", ali fomos tão felizes... a Pipa pequenina... (também tivemos um momento de grande stress que nos separou mas essas partes agora não interessam)
Vi-te, no dia do nosso casamento, quando saíste daqui de casa meio nervoso pela responsabilidade do que ías fazer, no teu caso, "outra vez"...
Vi-te quando nasceu o Manel e me disseste que ele tinha "um ar ligeiramente snob" que te agradava... lembro-me tão bem da tua cara ao dizeres isto.
Vi-te na Hungria, na nossa vida, no teu trabalho e a seres um homem de sucesso!
Vi-te a brincar com o Benny lá fora no jardim, deitado na relva e a rires-te à gargalhada... que bom era ouvir-te rir e ver-te divertido.
Vi-te a entrar no quarto quando o Simão estava quase a nascer e lembro-me de pensar que estavas tão bonito nesse dia, com bom aspecto, sentias-te com um bocadinho mais de força nesse dia e estavas tão ansioso...
Vi-te a sorrir para mim e senti o calor do teu abraço através do sol.
O Mar foi dizendo palavras perdidas na imensidão da minha saudade.
Voltei ao trabalho.
Cheguei a casa cedo, a tempo de estar com os meus pais e com os amigos que passaram por cá.
O Manel e o Simão estão bem, hoje foi um dia bom pra eles.
O dia estava lindo. O Mar também.
Parabéns, meu Amor, por teres sido quem foste. Obrigada por tudo o que me dás.
Um beijo especial
Assim foi. Ali estava eu, sentada numa esplanada junto ao Alto da Barra, onde "tudo começou" para nós.
O sol estava tão quente, tão bom, o Mar um tanto agitado... fechei os olhos e senti o calor do Sol a aquecer-me a alma, o som do Mar a encher-me o espírito. Perfeito, era mesmo isto que eu queria.
Lembrei-me de inúmeras situações da nossa vida, memórias boas, recordações tão doces.
Vi-te, o teu rosto estava desenhado no Céu e sorrias para mim, com aquele teu ar tranquilo e olhar apaixonado.
Vi-te quando escolhemos a nossa primeira casa, aquele teu gesto de felicidade a puxar a mão pra trás e a levantar a perna no ar... estavas tão feliz. Naquele dia, em que decidimos mudar para lá, foi tão bom, um dia tão feliz, tão feliz... era um passo importante, um início de uma vida a dois, e aquela casa ficará para sempre gravada na minha memória com o nosso "primeiro ninho", ali fomos tão felizes... a Pipa pequenina... (também tivemos um momento de grande stress que nos separou mas essas partes agora não interessam)
Vi-te, no dia do nosso casamento, quando saíste daqui de casa meio nervoso pela responsabilidade do que ías fazer, no teu caso, "outra vez"...
Vi-te quando nasceu o Manel e me disseste que ele tinha "um ar ligeiramente snob" que te agradava... lembro-me tão bem da tua cara ao dizeres isto.
Vi-te na Hungria, na nossa vida, no teu trabalho e a seres um homem de sucesso!
Vi-te a brincar com o Benny lá fora no jardim, deitado na relva e a rires-te à gargalhada... que bom era ouvir-te rir e ver-te divertido.
Vi-te a entrar no quarto quando o Simão estava quase a nascer e lembro-me de pensar que estavas tão bonito nesse dia, com bom aspecto, sentias-te com um bocadinho mais de força nesse dia e estavas tão ansioso...
Vi-te a sorrir para mim e senti o calor do teu abraço através do sol.
O Mar foi dizendo palavras perdidas na imensidão da minha saudade.
Voltei ao trabalho.
Cheguei a casa cedo, a tempo de estar com os meus pais e com os amigos que passaram por cá.
O Manel e o Simão estão bem, hoje foi um dia bom pra eles.
O dia estava lindo. O Mar também.
Parabéns, meu Amor, por teres sido quem foste. Obrigada por tudo o que me dás.
Um beijo especial
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Aquecer a alma
Num sopro apago aquela vela...
que iluminava a tua fotografia, talvez aquecesse a tua alma.
Diz o "povo", que se devem acender velinhas, não sei porquê, mas agora gosto de o fazer. É um ritual, faz parte do final de cada dia.
Cada dia que passa, é mais um dia em que a tua ausência quase me mata!
É tão doloroso viver sem ti que chego a temer que as fraquezas se apoderem das minhas forças, que ganhem esta luta e me deitem ao chão...
Não posso... não posso...
Vou continuar a acender as velinhas, em cada dia, e vou continuar a acreditar que te aquecem a alma... acredito que estás aí quentinho, seja lá onde isso for, estás descansado, apenas, quentinho e descansado. É assim que estás agora. Talvez ao colo da tua mãe, como era quando eras pequenino, quentinho, embrulhado numa mantinha, a descansar.
Lembro-me de me dizeres que tinhas tanto frio... eu embrulhava-te numa manta, aquecia-te os pés, abraçava-te tanto e encostava a tua cabeça fria no meu peito, começavas a acalmar e dizias sempre "Obrigado querida"... e eu que queria tanto poder fazer mais do que fazia, sofrer parte do que sofrias... eu queria poder ter metade do frio que tinhas para não seres só tu a sofrer... era isso que fazia.
Espero que sintas ainda estes pequenos aconchegos.
Amo-te muito, muito. Adoro-te. Dorme quentinho meu amor. Quentinho.
Ja apaguei as velas, vamos dormir!
que iluminava a tua fotografia, talvez aquecesse a tua alma.
Diz o "povo", que se devem acender velinhas, não sei porquê, mas agora gosto de o fazer. É um ritual, faz parte do final de cada dia.
Cada dia que passa, é mais um dia em que a tua ausência quase me mata!
É tão doloroso viver sem ti que chego a temer que as fraquezas se apoderem das minhas forças, que ganhem esta luta e me deitem ao chão...
Não posso... não posso...
Vou continuar a acender as velinhas, em cada dia, e vou continuar a acreditar que te aquecem a alma... acredito que estás aí quentinho, seja lá onde isso for, estás descansado, apenas, quentinho e descansado. É assim que estás agora. Talvez ao colo da tua mãe, como era quando eras pequenino, quentinho, embrulhado numa mantinha, a descansar.
Lembro-me de me dizeres que tinhas tanto frio... eu embrulhava-te numa manta, aquecia-te os pés, abraçava-te tanto e encostava a tua cabeça fria no meu peito, começavas a acalmar e dizias sempre "Obrigado querida"... e eu que queria tanto poder fazer mais do que fazia, sofrer parte do que sofrias... eu queria poder ter metade do frio que tinhas para não seres só tu a sofrer... era isso que fazia.
Espero que sintas ainda estes pequenos aconchegos.
Amo-te muito, muito. Adoro-te. Dorme quentinho meu amor. Quentinho.
Ja apaguei as velas, vamos dormir!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Procuro-te...
... em todo o lado.
... no cheiro da tua roupa
... nas páginas dos teus livros
... no ar que me circula
... na chama das velas que acendo
... nas fotos que todos os dias vejo
... nos teus relógios que uso
... no espelho onde te vejo
... no suspirar de cada momento
... na tua poltrona onde me sento
... na nossa cama onde durmo
... na nossa casa que adoro
Procuro-te em cada passo, em cada sorriso, num olhar de desespero.
Não te encontro. Apenas sinto um enorme vazio.
Sei que estás no meu coração e é isso que me conforta.
Boa noite
... no cheiro da tua roupa
... nas páginas dos teus livros
... no ar que me circula
... na chama das velas que acendo
... nas fotos que todos os dias vejo
... nos teus relógios que uso
... no espelho onde te vejo
... no suspirar de cada momento
... na tua poltrona onde me sento
... na nossa cama onde durmo
... na nossa casa que adoro
Procuro-te em cada passo, em cada sorriso, num olhar de desespero.
Não te encontro. Apenas sinto um enorme vazio.
Sei que estás no meu coração e é isso que me conforta.
Boa noite
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Hoje tive um dia cansativo... mesmo... não é que os outros não o sejam sempre que são, mas hoje, sinto-me especialmente cansada, talvez porque esteja a chegar a um ponto de maior cansaço, menos energia, talvez.
De manhã recebo uma sms da minha mãe que agradecia a Deus por ter 4 netos lindos e saudáveis. Estava numa reunião algures com outras Instituições de Apoio Social a crianças com deficiências. E é bem verdade, que grande dádiva temos, mães de filhos plenos das suas capacidades, sãos e "normais"...
Eu por acaso habituei-me a ver "crianças diferentes", aprendi que elas também podem ser felizes, apenas conhecem um mundo muito só delas, diferente dos demais. E sobretudo aprendi que elas precisam de muito Amor, como todos nós, muito carinho e atenção. Não podemos tratar uma criança destas com menos preocupação ou afecto e nem consigo entender aqueles casos de crianças deficientes que ficam fechadas em currais ou afins e são tratadas como animais... é uma imagem tão triste que nem ouso imaginar.
E engraçado... ontem, um amigo meu, disse-me que vai promover uma exposição de fotografias cujas receitas vão reverter a favor de uma miúda com paralesia, que vive numa cadeira de rodas e a mãe precisa de lhe comprar uma cadeira elevatória ou um outro equipamento mas que custa a módica quantia de cerca de 7.000,00euros...
(não vou comentar o preço da coisa nem dizer que este País não sei quê.. blá blá)Fiquei a pensar... se cada um de nós fizesse 1 vez de dois em dois anos que fosse, uma exposição, uma venda de Natal, uma qualquer coisa cujas receitas fossem doadas a pessoas que precisam... já viram bem o quanto estaríamos a dar sem ter muito trabalho?! Porque é que nós não damos mais? Porque é que não temos tempo para coisa nenhuma e muito menos para "dar aos outros" qualquer coisa de que precisam?
No outro dia também fiz uma "boa acção" e senti-me novamente Escuteira. Baden Powell dizia que "um Escuta é sempre um Escuta nem que esteja de cuecas" ou era "um chefe é sempre um chefe nem que esteja de cuecas"??? Bom, mas o que quero dizer é que tendo sido Escuteira durante a minha infância e juventude, posso continuar a sentir-me como tal e a fazer a minha "boa acção" diária. Ía no meu Meriva (como ninguém lê o meu blog, não faz mal fazer publicidade) e quando cheguei ao cruzamento para virar para a CREL, estava uma carrinha de caixa aberta parada, centenas de papelões no chão e um casal de idosos a apanhar aquilo tudo em grande aflição. Passei por eles e olhei pelo retrovisor já a abrandar "coitados, devem ter deixado cair aquilo tudo da carrinha". Parei o carro uns metros mais à frente. Fui a correr ter com o casal, lancei as mãos ao papel, e fui dizendo coisas tipo "Oh coitados, então como vos aconteceu isto? Vá! Eu dou aqui uma mãozinha para se despacharem"... o velhote nem falava e a velhota lá me disse qualquer coisa como "Ai minha senhora, já viu? Ai Deus a ajude e obrigada" - reparem no pormenor do "senhora", há uns tempos seria "menina"... enfim... e pronto, fui tão contente trabalhar nesse dia e senti-me tão útil!
Mas voltando ao dia de hoje.
Houve uma reunião grande lá no escritório. Pelo meio, um almoço confeccionado pelo Igor Martinho, que é um excelente chef...
De repente, vá-se lá saber porquê, comecei a sentir uma tristeza profunda e não conseguia deixar de pensar "Mas o que estou eu aqui a fazer no meio desta gente?? Para ganhar uns tostões (não há outra definição possivel), ter tantas chatices... ainda por cima a fazer coisas que em nada têm a ver com o que andei a estudar uma vidinha toda, estudar, lutar, fui tirar cursos lá fora, já trabalhei tanto, fiz tanta coisa, inclusivé já dei aulas, formação, já fiz tanto... e agora estou aqui... para quê? Será que não podia antes fazer uma coisa bem mais útil??"
Mas enfim... é evidente que gosto de ter trabalho, estar numa empresa em crescimento, e foi óptimo ter tido esta oportunidade de voltar a trabalhar numa altura tão complicada e sem saber bem o que o futuro nos reservava. Agora estou ocupada e isso é muito bom, essencialmente é isso, mais nada.
O resto... desempenhar a minha função, voltar a ser uma verdadeira RP (calma, não é RP dessas que agora há muitas, organizam festas, fazem contactos e são RP's... isso é absolutamente criminoso... NÃO ... RP a sério, gerir comunicação interna e externa, gerir públicos de uma organização, gerir imagem, identidade, organizar campanhas, acções promocionais, apresentações, desenvolver projectos, implementá-los, coordená-los, fazer coisas giras...)... quem sabe, sim , um dia. Tenho que começar a pensar nisso! Ou talvez Publicidade, também foi uma área que gostei de trabalhar, quem sabe!
No fim, e para acabar bem o dia, cheguei a casa e o Manel e o Simão foram os dois de castigo para a cama... cada um para seu lado, a fazer a sua birra, não aguentei. Depois do castigo ficaram mais calmos e ouviram a mãe com muita atenção:
"meus queridos, a mãe esteve o dia todo a trabalhar, a fazer coisas de que não gosta, com pessoas que não conhece nem quer conhecer, cheia de saudades vossas, a sonhar com o momento em que chega a casa e pode brincar convosco um bocadinho antes de jantar... cheia de remorços por não passar mais tempo convosco e estar num emprego que não tem nada a ver só porque aceitei um convite que se calhar não devia e porque não explorei outras hipóteses como devia de ter feito, remorços por ganhar tão pouco e trabalhar tanto e não ter tempo para nós..., remorços por ter andado a trabalhar e preocupada em ter um emprego quando devia de ter estado sempre, sempre com o vosso pai,... e depois chego, estão os dois a querer isto e aquilo, a fazer birras e nem me ouvem sequer... vocês são quem a mãe mais quer neste mundo, só por vocês é que eu aguento tudo o que for preciso, amo-vos tanto, meus amores queridos e preciso tanto do vosso amor e carinho, a mãe assim fica muito triste!" e eles quase em sintonia disseram: "desculpa"...
Será que perceberam alguma coisa?!
Até amanhã
De manhã recebo uma sms da minha mãe que agradecia a Deus por ter 4 netos lindos e saudáveis. Estava numa reunião algures com outras Instituições de Apoio Social a crianças com deficiências. E é bem verdade, que grande dádiva temos, mães de filhos plenos das suas capacidades, sãos e "normais"...
Eu por acaso habituei-me a ver "crianças diferentes", aprendi que elas também podem ser felizes, apenas conhecem um mundo muito só delas, diferente dos demais. E sobretudo aprendi que elas precisam de muito Amor, como todos nós, muito carinho e atenção. Não podemos tratar uma criança destas com menos preocupação ou afecto e nem consigo entender aqueles casos de crianças deficientes que ficam fechadas em currais ou afins e são tratadas como animais... é uma imagem tão triste que nem ouso imaginar.
E engraçado... ontem, um amigo meu, disse-me que vai promover uma exposição de fotografias cujas receitas vão reverter a favor de uma miúda com paralesia, que vive numa cadeira de rodas e a mãe precisa de lhe comprar uma cadeira elevatória ou um outro equipamento mas que custa a módica quantia de cerca de 7.000,00euros...
(não vou comentar o preço da coisa nem dizer que este País não sei quê.. blá blá)Fiquei a pensar... se cada um de nós fizesse 1 vez de dois em dois anos que fosse, uma exposição, uma venda de Natal, uma qualquer coisa cujas receitas fossem doadas a pessoas que precisam... já viram bem o quanto estaríamos a dar sem ter muito trabalho?! Porque é que nós não damos mais? Porque é que não temos tempo para coisa nenhuma e muito menos para "dar aos outros" qualquer coisa de que precisam?
No outro dia também fiz uma "boa acção" e senti-me novamente Escuteira. Baden Powell dizia que "um Escuta é sempre um Escuta nem que esteja de cuecas" ou era "um chefe é sempre um chefe nem que esteja de cuecas"??? Bom, mas o que quero dizer é que tendo sido Escuteira durante a minha infância e juventude, posso continuar a sentir-me como tal e a fazer a minha "boa acção" diária. Ía no meu Meriva (como ninguém lê o meu blog, não faz mal fazer publicidade) e quando cheguei ao cruzamento para virar para a CREL, estava uma carrinha de caixa aberta parada, centenas de papelões no chão e um casal de idosos a apanhar aquilo tudo em grande aflição. Passei por eles e olhei pelo retrovisor já a abrandar "coitados, devem ter deixado cair aquilo tudo da carrinha". Parei o carro uns metros mais à frente. Fui a correr ter com o casal, lancei as mãos ao papel, e fui dizendo coisas tipo "Oh coitados, então como vos aconteceu isto? Vá! Eu dou aqui uma mãozinha para se despacharem"... o velhote nem falava e a velhota lá me disse qualquer coisa como "Ai minha senhora, já viu? Ai Deus a ajude e obrigada" - reparem no pormenor do "senhora", há uns tempos seria "menina"... enfim... e pronto, fui tão contente trabalhar nesse dia e senti-me tão útil!
Mas voltando ao dia de hoje.
Houve uma reunião grande lá no escritório. Pelo meio, um almoço confeccionado pelo Igor Martinho, que é um excelente chef...
De repente, vá-se lá saber porquê, comecei a sentir uma tristeza profunda e não conseguia deixar de pensar "Mas o que estou eu aqui a fazer no meio desta gente?? Para ganhar uns tostões (não há outra definição possivel), ter tantas chatices... ainda por cima a fazer coisas que em nada têm a ver com o que andei a estudar uma vidinha toda, estudar, lutar, fui tirar cursos lá fora, já trabalhei tanto, fiz tanta coisa, inclusivé já dei aulas, formação, já fiz tanto... e agora estou aqui... para quê? Será que não podia antes fazer uma coisa bem mais útil??"
Mas enfim... é evidente que gosto de ter trabalho, estar numa empresa em crescimento, e foi óptimo ter tido esta oportunidade de voltar a trabalhar numa altura tão complicada e sem saber bem o que o futuro nos reservava. Agora estou ocupada e isso é muito bom, essencialmente é isso, mais nada.
O resto... desempenhar a minha função, voltar a ser uma verdadeira RP (calma, não é RP dessas que agora há muitas, organizam festas, fazem contactos e são RP's... isso é absolutamente criminoso... NÃO ... RP a sério, gerir comunicação interna e externa, gerir públicos de uma organização, gerir imagem, identidade, organizar campanhas, acções promocionais, apresentações, desenvolver projectos, implementá-los, coordená-los, fazer coisas giras...)... quem sabe, sim , um dia. Tenho que começar a pensar nisso! Ou talvez Publicidade, também foi uma área que gostei de trabalhar, quem sabe!
No fim, e para acabar bem o dia, cheguei a casa e o Manel e o Simão foram os dois de castigo para a cama... cada um para seu lado, a fazer a sua birra, não aguentei. Depois do castigo ficaram mais calmos e ouviram a mãe com muita atenção:
"meus queridos, a mãe esteve o dia todo a trabalhar, a fazer coisas de que não gosta, com pessoas que não conhece nem quer conhecer, cheia de saudades vossas, a sonhar com o momento em que chega a casa e pode brincar convosco um bocadinho antes de jantar... cheia de remorços por não passar mais tempo convosco e estar num emprego que não tem nada a ver só porque aceitei um convite que se calhar não devia e porque não explorei outras hipóteses como devia de ter feito, remorços por ganhar tão pouco e trabalhar tanto e não ter tempo para nós..., remorços por ter andado a trabalhar e preocupada em ter um emprego quando devia de ter estado sempre, sempre com o vosso pai,... e depois chego, estão os dois a querer isto e aquilo, a fazer birras e nem me ouvem sequer... vocês são quem a mãe mais quer neste mundo, só por vocês é que eu aguento tudo o que for preciso, amo-vos tanto, meus amores queridos e preciso tanto do vosso amor e carinho, a mãe assim fica muito triste!" e eles quase em sintonia disseram: "desculpa"...
Será que perceberam alguma coisa?!
Até amanhã
sábado, 9 de outubro de 2010
Dias de chuva
Perguntou-me o Manel há uns dias... "Oh mãe, o Pai pode descer cá para baixo pela chuva??"!!! E eu disse-lhe que não, não podia, mas se pudesse era uma excelente ideia...
É esta a esperteza com que me deparo de vez em quando. O Manel é esperto, atento, super-sensível e muito inteligente. Até ao ponto em que se consegue avaliar a inteligência numa criança de 5 anos.
Espertalhão é o seu mano. O Simão está de "se comer à colher" como dizia o pai. Inteligente também me parece, diz tudo, repete tudo o que ouve. Todos os dias me diz que "o mano foi pá escola, a mãe vai tabalhá e o Ximão vai ao páque com a Luisa!!" E é esta a sua rotina. Desejoso estava ele para ir para a escola, mas acho que vamos esperar uns mesitos mais...
Dois filhos lindos, meigos, reguilas q.b.... que me pedem "a mãe não grita, não?"... E é isso que tenho que fazer, um esforço para não gritar, não me zangar, a menos que sejam coisas mesmo sérias... e há tão pouca coisa mesmo séria nestas idades que nos obrigam a "ralhar a sério"... e eu passo a vida a "ralhar"... e os meus filhos são meigos e portam-se bem... imagine-se se assim não fosse?! Não tenho desculpa nenhuma para me irritar e gritar... nenhuma! Não são eles que têm que pagar pela minha revolta... antes pelo contrário, eles são quem me traz tranquilidade e alegria!
Enfim... dias de chuva!
Coração mais triste.
Abraço
S.
É esta a esperteza com que me deparo de vez em quando. O Manel é esperto, atento, super-sensível e muito inteligente. Até ao ponto em que se consegue avaliar a inteligência numa criança de 5 anos.
Espertalhão é o seu mano. O Simão está de "se comer à colher" como dizia o pai. Inteligente também me parece, diz tudo, repete tudo o que ouve. Todos os dias me diz que "o mano foi pá escola, a mãe vai tabalhá e o Ximão vai ao páque com a Luisa!!" E é esta a sua rotina. Desejoso estava ele para ir para a escola, mas acho que vamos esperar uns mesitos mais...
Dois filhos lindos, meigos, reguilas q.b.... que me pedem "a mãe não grita, não?"... E é isso que tenho que fazer, um esforço para não gritar, não me zangar, a menos que sejam coisas mesmo sérias... e há tão pouca coisa mesmo séria nestas idades que nos obrigam a "ralhar a sério"... e eu passo a vida a "ralhar"... e os meus filhos são meigos e portam-se bem... imagine-se se assim não fosse?! Não tenho desculpa nenhuma para me irritar e gritar... nenhuma! Não são eles que têm que pagar pela minha revolta... antes pelo contrário, eles são quem me traz tranquilidade e alegria!
Enfim... dias de chuva!
Coração mais triste.
Abraço
S.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
http://www.youtube.com/watch?v=i1GmxMTwUgs
Das músicas mais lindas que conheço...
Com um significado mais especial ainda por ser a música de um filme que tantas vezes vimos juntos... lindo! Repleto de sentimentos profundos, de amor... uma história de amor curta mas tão intensa!
"I would rather have had one breath of her hair, one kiss of her mouth, one touch of her hand, then an eternity without it!"
Das músicas mais lindas que conheço...
Com um significado mais especial ainda por ser a música de um filme que tantas vezes vimos juntos... lindo! Repleto de sentimentos profundos, de amor... uma história de amor curta mas tão intensa!
"I would rather have had one breath of her hair, one kiss of her mouth, one touch of her hand, then an eternity without it!"
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Dor pela noite fora
O tempo vai passando sim...
Em cada noite que cai, em cada romper da manhã...
Se ao menos eu soubesse como fazer. Se houvesse algum livro a explicar ou um manual por estudar.
Se eu te pudesse ver chegar à noite ou ver sair de manhã... como era.
Esta é uma dor que não tem nome nem medida.
A única certeza que tenho é que não sabia que era possível aguentar tanto... ninguém sabe o que consegue aguentar, de facto, sem ter de o fazer. Não é possivel imaginar-se tamanha mágoa nem esperar-se tamanha tragédia. Quem é que acorda um dia e pensa: "hum, hoje vou-me preparar para o caso de vir a ter uma vida complicada"... Não é mais um exercíco num ginásio que se decide fazer, nem uma dieta especial que obriga a um grande sacrifício. Não nos preparamos com coisa absolutamente nenhuma, nenhuma.
Há 4 meses, num misto de dor e sentimentos profundos, agora, acho que me senti, ao mesmo tempo feliz pelo Joaquim. Feliz porque tinha acabado o seu sofrimento. Feliz, pois neste dia, há 4 meses atrás, senti-o feliz também. Senti que o meu Amor estava a sorrir para mim, para nós, senti que nos estava a dizer: "está tudo bem, meus amores, está tudo bem, já passou"...
Não tenho como descrever este vazio, acho que não se pode explicar sequer...
Quantas vezes fecho os olhos e vejo aquele sorriso... sinto a sua mão no meu cabelo, as suas carícias em meu corpo. É um turbilhão agitado de choro e desespero aqui dentro, no cair da noite. Onde tu estás, calmo, sereno, a sorrir com esses olhos azuis lindos de morrer. Pudera haver uma forma de te ver melhor e eu já a saberia. Vejo-te sim, tantas vezes, vejo-te passar, sentar, vejo-te aqui ao lado na tua poltrona. Falo contigo em cada instante. Preciso de ti, querido, preciso tanto de ti.
As fotografias da nossa vida são o meu consolo. Passo horas a ver, recordar, cheirar e tocar cada momento bom que vivemos, já cheguei a sentir o cheiro dos Açores... impressionante!
Oh Mar que embalas o meu amor... que o acolheste naquele dia lindo de Verão. Mar tranquilo e belo, guarda-o bem, muito bem, nessa tua imensidão.
Deito-me no meu cantinho, abraço apertado sem fim.
Até amanhã
Em cada noite que cai, em cada romper da manhã...
Se ao menos eu soubesse como fazer. Se houvesse algum livro a explicar ou um manual por estudar.
Se eu te pudesse ver chegar à noite ou ver sair de manhã... como era.
Esta é uma dor que não tem nome nem medida.
A única certeza que tenho é que não sabia que era possível aguentar tanto... ninguém sabe o que consegue aguentar, de facto, sem ter de o fazer. Não é possivel imaginar-se tamanha mágoa nem esperar-se tamanha tragédia. Quem é que acorda um dia e pensa: "hum, hoje vou-me preparar para o caso de vir a ter uma vida complicada"... Não é mais um exercíco num ginásio que se decide fazer, nem uma dieta especial que obriga a um grande sacrifício. Não nos preparamos com coisa absolutamente nenhuma, nenhuma.
Há 4 meses, num misto de dor e sentimentos profundos, agora, acho que me senti, ao mesmo tempo feliz pelo Joaquim. Feliz porque tinha acabado o seu sofrimento. Feliz, pois neste dia, há 4 meses atrás, senti-o feliz também. Senti que o meu Amor estava a sorrir para mim, para nós, senti que nos estava a dizer: "está tudo bem, meus amores, está tudo bem, já passou"...
Não tenho como descrever este vazio, acho que não se pode explicar sequer...
Quantas vezes fecho os olhos e vejo aquele sorriso... sinto a sua mão no meu cabelo, as suas carícias em meu corpo. É um turbilhão agitado de choro e desespero aqui dentro, no cair da noite. Onde tu estás, calmo, sereno, a sorrir com esses olhos azuis lindos de morrer. Pudera haver uma forma de te ver melhor e eu já a saberia. Vejo-te sim, tantas vezes, vejo-te passar, sentar, vejo-te aqui ao lado na tua poltrona. Falo contigo em cada instante. Preciso de ti, querido, preciso tanto de ti.
As fotografias da nossa vida são o meu consolo. Passo horas a ver, recordar, cheirar e tocar cada momento bom que vivemos, já cheguei a sentir o cheiro dos Açores... impressionante!
Oh Mar que embalas o meu amor... que o acolheste naquele dia lindo de Verão. Mar tranquilo e belo, guarda-o bem, muito bem, nessa tua imensidão.
Deito-me no meu cantinho, abraço apertado sem fim.
Até amanhã
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Pessoas / Gente
Não é por nada... mesmo nada!!
Mas experimentem ir ao Jumbo do Dolce Vita Tejo, a partir das 9 da noite e em especial em altura de "Regresso às Aulas"... é absolutamente indescritível-insuportável-inagualável e mais coisas começadas em "i" e acabadas em "avel"... das quais agora não me lembro!
Saí do escritório por volta das 8 e picos... hora pouco comum para uma mãe de família sair do escritório mas acontece que os filhos estão nos avós e eis que é uma semana em que a mãe, em vez de aproveitar para descansar, como deveria... aproveita para trabalhar, porque é uma pessoa agradecida e dedicada! (modéstia à parte)
Passei pelo McDonnalds da CREL e comprei uma saladinha Cesar, decidida a ir directa para casa para arrumar as 1567 coisas que tenho espalhadas e desarrumadas e empilhadas e mais coisas acabadas em "adas" como desorganizadas... isto porque sem Luisa há 3 semanas e sem grande vontade de coisa nenhuma, isto não tem sido fácil. Bom, mas continuando, pego na saladinha e eis que quando estou quase a virar para Belas lembrei-me que talvez não fosse má ideia ir ao Jumbo "despachar" a listinha do colégio do Manel.
- e já agora um à parte... porque diabo havemos de ter que comprar material escolar com indicação de marcas e quantidades, não vá eu achar que é melhor poupar um bocadinho e comprar as marcas brancas..., que diabo?? Então a mãezinha já vai pagar uma mensalidade e mais isto à parte e mais aquilo também, etc, etc... não acho lógico, sinceramente... ainda não me tinha acontecido e esta é a 4ª escola para onde o Manel vai... que engraçado, 5 anos, 4 escolas... E 4 livros... 4!!!! Na pré-primária!!! Livros para chegarem ao fim do ano com 1/3 usado... mas enfim! É o que é... -
E fui! Bad idea!! So bad idea!!
Cheirava mal.
Eram pretos e brancos, chinelos e mangas à cava.
Mulheres de sovaco arregaçado, mais gordas não podiam, de dentes todos podres e óculos sujos, cabelo oleoso que gritavam "Tás parvo ó quê? Atão tu achas q'eu ía comprar esse estojo por 3 êros se tens aqui este igual que custa 1,50?? És mêmo xoné... cala-te estúpido" Mas entretanto o xoné estúpido é o filho, de 7 ou 8 anos que a medo olhava para as mochilas do "homem aranha" e do "ben10" quase com as lágrimas nos olhos...
Muito a correr piquei os items todos, um a um e aqui vai disto, já está!! Só ficou a faltar a "sebenta A5 lisa" que não consegui descobrir naquelas pilhas de artigos cheios de qualidade!
Ainda passei por mais um corredor ou outro e quanto mais entrava por aquele "matagal" de más figuras mais me convenciam que nós somos, de facto, um povo feio, muito feio. Comparável aos Húngaros, é certo, que tb são um povinho desgraçado... com algumas diferenças, nomeadamente nos aspectos de pobreza. É que enquanto cá, esta gente que cheira mal, grita e tosse pra cima dos outros, tem em casa ecrâns plasmas e um carrinho à porta... só não gastam dinheiro depois em coisas que não se vêm, mas noutras gastam. Lá, quem é pobre, é pobre. E num Tesco que é um Jumbo ou Continente, vêem-se famílias inteiras, aos Domingos, a fazerem o seu almocinho depois da missa e a escolherem um gorrinho novo ou a comprarem as promoções de frutas a saco... enfim.
Eu que não tenho nada contra... mas já dizia o meu avôzinho, "pobreza não é igual a má criacção"!
Agora vou dormir, ler um bocadinho e pronto... amanhã é outro dia!
Boa noite
Mas experimentem ir ao Jumbo do Dolce Vita Tejo, a partir das 9 da noite e em especial em altura de "Regresso às Aulas"... é absolutamente indescritível-insuportável-inagualável e mais coisas começadas em "i" e acabadas em "avel"... das quais agora não me lembro!
Saí do escritório por volta das 8 e picos... hora pouco comum para uma mãe de família sair do escritório mas acontece que os filhos estão nos avós e eis que é uma semana em que a mãe, em vez de aproveitar para descansar, como deveria... aproveita para trabalhar, porque é uma pessoa agradecida e dedicada! (modéstia à parte)
Passei pelo McDonnalds da CREL e comprei uma saladinha Cesar, decidida a ir directa para casa para arrumar as 1567 coisas que tenho espalhadas e desarrumadas e empilhadas e mais coisas acabadas em "adas" como desorganizadas... isto porque sem Luisa há 3 semanas e sem grande vontade de coisa nenhuma, isto não tem sido fácil. Bom, mas continuando, pego na saladinha e eis que quando estou quase a virar para Belas lembrei-me que talvez não fosse má ideia ir ao Jumbo "despachar" a listinha do colégio do Manel.
- e já agora um à parte... porque diabo havemos de ter que comprar material escolar com indicação de marcas e quantidades, não vá eu achar que é melhor poupar um bocadinho e comprar as marcas brancas..., que diabo?? Então a mãezinha já vai pagar uma mensalidade e mais isto à parte e mais aquilo também, etc, etc... não acho lógico, sinceramente... ainda não me tinha acontecido e esta é a 4ª escola para onde o Manel vai... que engraçado, 5 anos, 4 escolas... E 4 livros... 4!!!! Na pré-primária!!! Livros para chegarem ao fim do ano com 1/3 usado... mas enfim! É o que é... -
E fui! Bad idea!! So bad idea!!
Cheirava mal.
Eram pretos e brancos, chinelos e mangas à cava.
Mulheres de sovaco arregaçado, mais gordas não podiam, de dentes todos podres e óculos sujos, cabelo oleoso que gritavam "Tás parvo ó quê? Atão tu achas q'eu ía comprar esse estojo por 3 êros se tens aqui este igual que custa 1,50?? És mêmo xoné... cala-te estúpido" Mas entretanto o xoné estúpido é o filho, de 7 ou 8 anos que a medo olhava para as mochilas do "homem aranha" e do "ben10" quase com as lágrimas nos olhos...
Muito a correr piquei os items todos, um a um e aqui vai disto, já está!! Só ficou a faltar a "sebenta A5 lisa" que não consegui descobrir naquelas pilhas de artigos cheios de qualidade!
Ainda passei por mais um corredor ou outro e quanto mais entrava por aquele "matagal" de más figuras mais me convenciam que nós somos, de facto, um povo feio, muito feio. Comparável aos Húngaros, é certo, que tb são um povinho desgraçado... com algumas diferenças, nomeadamente nos aspectos de pobreza. É que enquanto cá, esta gente que cheira mal, grita e tosse pra cima dos outros, tem em casa ecrâns plasmas e um carrinho à porta... só não gastam dinheiro depois em coisas que não se vêm, mas noutras gastam. Lá, quem é pobre, é pobre. E num Tesco que é um Jumbo ou Continente, vêem-se famílias inteiras, aos Domingos, a fazerem o seu almocinho depois da missa e a escolherem um gorrinho novo ou a comprarem as promoções de frutas a saco... enfim.
Eu que não tenho nada contra... mas já dizia o meu avôzinho, "pobreza não é igual a má criacção"!
Agora vou dormir, ler um bocadinho e pronto... amanhã é outro dia!
Boa noite
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Mãe
Aqui há uns tempos escrevi um post sobre "Ser Mãe é..." e ser Mãe é, de facto, ser tanto...
A minha mãe, Maria Orquídea, faz hoje anos (não vou revelar quantos...mas já são alguns)!
E ela é tanto... tanto! Não vos consigo quantificar em palavras o quanto a minha mãe é para mim (talvez se avalie pelo mesmo sentimento que cada um terá pela sua própria mãe), mas a minha mãe é isso tudo e muito mais.
É uma mulher divertida, com um sentido de Humor apuradissimo. Tem uma imagem muito clássica, conservadora, que nem imagino como seria de outra forma se assim não o fosse. Tem um sentido prático fora do normal. Tem uma imaginação e um poder inventivo já usado enquanto mãe e agora reforçado enquanto avó, absolutamente extraordinário e incomparável. É linda, de olhos verdes invejáveis, agora já um bocadinho cansados pelas contrariedades da vida e pelo pessimismo às vezes incontornável, mas sim, lindos! Competente, eficiente, trabalhadora e com excelentes capacidades de organização (pronto, mãe, às vezes exageras...) É uma pessoa boa, de bom coração que tudo faz para ajudar os outros que mais precisam, por isso foi Escuteira, Catequista e desenvolveu outras actividades ao longo da sua vida social. Foi a melhor sogra, incansável, absolutamente inagualável, que o J podia ter tido... não é possivel descrever. É a melhor mãe do mundo!
Obrigada minha mãe,
pelo tanto que és, por tudo quanto és e sempre foste.
Contigo aprendi a ser tanto do que sou hoje. E gostava de conseguir ser o tanto que tu és, um dia...
Obrigada por estares sempre comigo, por me dares colo quando quero chorar ou por me acompanhares quando me quero rir. Obrigada mãe, por nunca me teres faltado, nunca teres estado ausente quando eu mais precisei. E se precisei, e se preciso.
Obrigado por seres a avó mais ternurenta e preocupada que é possivel...
Muitos PARABÉNS mãe querida, muitos Parabéns, muitos anos de vida.
Há que tentar rejuvenescer em cada hora, em cada dia, com espírito positivo, com força e dedicação, como sempre fizeste. Há que ter Fé em cada dia e alegria por estarmos bem e vivos...
És uma mãe jovem, não te sintas doente, sente-te jovem e feliz!
A vida já te trouxe tanta dor, mãe, tanto sofrimento também... temos que "agarrar" o que de bom há para recordar em cada momento.
Obrigada mãe por seres a minha melhor amiga!
Parabéns. Diverte-te muito hoje com os teus 4 netos.
Beijo especial. Filha
A minha mãe, Maria Orquídea, faz hoje anos (não vou revelar quantos...mas já são alguns)!
E ela é tanto... tanto! Não vos consigo quantificar em palavras o quanto a minha mãe é para mim (talvez se avalie pelo mesmo sentimento que cada um terá pela sua própria mãe), mas a minha mãe é isso tudo e muito mais.
É uma mulher divertida, com um sentido de Humor apuradissimo. Tem uma imagem muito clássica, conservadora, que nem imagino como seria de outra forma se assim não o fosse. Tem um sentido prático fora do normal. Tem uma imaginação e um poder inventivo já usado enquanto mãe e agora reforçado enquanto avó, absolutamente extraordinário e incomparável. É linda, de olhos verdes invejáveis, agora já um bocadinho cansados pelas contrariedades da vida e pelo pessimismo às vezes incontornável, mas sim, lindos! Competente, eficiente, trabalhadora e com excelentes capacidades de organização (pronto, mãe, às vezes exageras...) É uma pessoa boa, de bom coração que tudo faz para ajudar os outros que mais precisam, por isso foi Escuteira, Catequista e desenvolveu outras actividades ao longo da sua vida social. Foi a melhor sogra, incansável, absolutamente inagualável, que o J podia ter tido... não é possivel descrever. É a melhor mãe do mundo!
Obrigada minha mãe,
pelo tanto que és, por tudo quanto és e sempre foste.
Contigo aprendi a ser tanto do que sou hoje. E gostava de conseguir ser o tanto que tu és, um dia...
Obrigada por estares sempre comigo, por me dares colo quando quero chorar ou por me acompanhares quando me quero rir. Obrigada mãe, por nunca me teres faltado, nunca teres estado ausente quando eu mais precisei. E se precisei, e se preciso.
Obrigado por seres a avó mais ternurenta e preocupada que é possivel...
Muitos PARABÉNS mãe querida, muitos Parabéns, muitos anos de vida.
Há que tentar rejuvenescer em cada hora, em cada dia, com espírito positivo, com força e dedicação, como sempre fizeste. Há que ter Fé em cada dia e alegria por estarmos bem e vivos...
És uma mãe jovem, não te sintas doente, sente-te jovem e feliz!
A vida já te trouxe tanta dor, mãe, tanto sofrimento também... temos que "agarrar" o que de bom há para recordar em cada momento.
Obrigada mãe por seres a minha melhor amiga!
Parabéns. Diverte-te muito hoje com os teus 4 netos.
Beijo especial. Filha
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
"Pegadas na Areia"
"Uma noite tive um sonho.
Estava a passear na praia com o meu Senhor.
Pelo céu escuro passavam cenas da minha vida.
Por cada cena, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia,
um que me pertencia
e outro ao meu Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou perante mim
olhei para trás para as pegadas na areia.
Havia apenas um par de pegadas.
Apercebi-me de que eram os momentos mais difíceis
e tristes da minha vida.
Isso sempre me incomodou
e interroguei o Senhor
sobre o meu dilema.
"Senhor, quando decidi seguir-Te, disseste-me
que caminharias a meu lado
e falarias comigo durante todo o caminho.
Mas apercebo-me de que,
durante os momentos mais atormentados da minha vida,
há apenas um par de pegadas.
Não percebo por que razão, quando mais precisei de Ti,
Tu me deixaste."
Ele segredou: "Meu precioso filho,
Eu amo-te e nunca te deixarei,
nas horas de provação e de sofrimento. Nunca.
Quando viste na areia apenas um par de pegadas
foi porque Eu te carreguei ao colo.""
in Pegadas na Areia, Margaret Powers
Estava a passear na praia com o meu Senhor.
Pelo céu escuro passavam cenas da minha vida.
Por cada cena, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia,
um que me pertencia
e outro ao meu Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou perante mim
olhei para trás para as pegadas na areia.
Havia apenas um par de pegadas.
Apercebi-me de que eram os momentos mais difíceis
e tristes da minha vida.
Isso sempre me incomodou
e interroguei o Senhor
sobre o meu dilema.
"Senhor, quando decidi seguir-Te, disseste-me
que caminharias a meu lado
e falarias comigo durante todo o caminho.
Mas apercebo-me de que,
durante os momentos mais atormentados da minha vida,
há apenas um par de pegadas.
Não percebo por que razão, quando mais precisei de Ti,
Tu me deixaste."
Ele segredou: "Meu precioso filho,
Eu amo-te e nunca te deixarei,
nas horas de provação e de sofrimento. Nunca.
Quando viste na areia apenas um par de pegadas
foi porque Eu te carreguei ao colo.""
in Pegadas na Areia, Margaret Powers
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Tempo
Cai a noite e com ela as lágrimas de dor e vazio
Queria dizer-te tanta coisa hoje
Abraçar-te até adormecer, beijar-te até desfalecer!
Fecho os olhos e vejo-te a sorrir,
Sinto o teu perfume em cada lençol, o teu tocar em cada sonho!
Era noite e fazia vento lá fora...
Tudo estava em silêncio, apenas o vento sussurava baixinho palavras de Amor
Na tua ausência nada fazia sentido
E o sofrimento da saudade consumia-me por inteiro.
Aterrorizada nada fazia e apenas esperava...
Senti no meu ombro, a tua mão, no pescoço um beijo.
Eras tu que chegavas e me dizias sem nada falar,
"Cheguei, querida, voltei e aqui estou, para sempre!"
Fecho os olhos e sinto que é esta a verdade... que vais voltar e ficar, para sempre!
Miss you
Love you
Queria dizer-te tanta coisa hoje
Abraçar-te até adormecer, beijar-te até desfalecer!
Fecho os olhos e vejo-te a sorrir,
Sinto o teu perfume em cada lençol, o teu tocar em cada sonho!
Era noite e fazia vento lá fora...
Tudo estava em silêncio, apenas o vento sussurava baixinho palavras de Amor
Na tua ausência nada fazia sentido
E o sofrimento da saudade consumia-me por inteiro.
Aterrorizada nada fazia e apenas esperava...
Senti no meu ombro, a tua mão, no pescoço um beijo.
Eras tu que chegavas e me dizias sem nada falar,
"Cheguei, querida, voltei e aqui estou, para sempre!"
Fecho os olhos e sinto que é esta a verdade... que vais voltar e ficar, para sempre!
Miss you
Love you
terça-feira, 20 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Já agora vou aqui comentar outra coisa.
Hoje decidi ir dar uma "voltinha aos saldos" para aproveitar, claro... mas fui na dúvida de que seria capaz de fazer o que quer que fosse com o Manel e o Simão comigo...
Lá fomos.
Começámos por almoçar numa pizzaria. Logo aí a coisa correu mal com o Sr.Simon pois que embirrou que não havia de comer... muito bem, ele também tem estado doentucho, pensei eu, não vou insistir muito... o Manel almoçou lindamente.
E de seguida demos início à lufa lufa atribulada de entrar e sair das lojas. O Simon deixou-se dormir e o Manel, na sua tranquilidade, sentadinho a jogar com o seu computador do Faísca McQueen!! (Sim... porque eu tenho um atrelado daqueles que tem um bébé à frente e o mano mais velho sentado de costas...)
Ora nem imaginam... vi o que queria, experimentei roupa nos provadores, mexi e remexi, entrei e saí e suas exas, meus queridos filhos, portaram-se que nem uns Senhores!
No final, achei que mereciam um presente. A mãe tinha dito que dava um presente se se portassem bem (eles há médicos que dizem que não devemos fazer isto, mas o que me interessa a mim é que resulta!!) E então é chegada a hora de entrar na perdição de centro infantil = loja de brinquedos... claro que o Manel começou a ficar muito indeciso ente um e outro... "oh mãe mas não podem ser os 2?" E eu... perdi a cabeça e disse que sim... "pronto! É que o Manel e Simão portaram-se mesmo muito bem... (e aliás, confesso que também pensei que nos últimos tempos têm ganho poucas "recompensas" e têm feito tanto...) Bom, conclusão, quando estavamos na fila para pagar o Manel queria não 1 nem 2 mas sim 3 brinquedos!!! Aí, achei que já era anti-pedagógico demais dar assim 3 brinquedos como por razão nenhuma...
Pois o Manel, que tinha na mão 2 brinquedos novos, tema: BAKUGANS... (último grito) saíu da loja triste porque a mãe não comprou o 3º brinquedo..., eu nem queria acreditar!
(O Simão feliz da vida com o seu pacote com um boneco do Toy Story por abrir que alegremente foi roendo até chegarmos a casa)
Ora sentamo-nos à porta da loja, e eu pacientemente expliquei ao Manel toda aquela conversa de que não se pode ter tudo, e já tinha sido absolutamente fantástico ganhar 2 presentes no mesmo dia, etc, etc... posto isto, e com aquele ar cabisbaixo que me lembra sua exma mana quando "emburrava"... voltámos para casa!
E agora...
Porque é que o Manel queria o 3º brinquedo:
a) porque estava eufórico e queria ter tudo o que estava naquela loja?
b) porque achou que a mãe estava uma mãos largas e pensou "deixa-me cá aproveitar"?
c) porque se contenta com pouco e eu estou a criar um monstro?
d) porque eles querem sempre mais?
Uma coisa é certa... é sempre bom dar-se valor ao que se tem... e esse é um ensinamento de ouro!
Até amanhã
Noite descansada
sábado, 17 de julho de 2010
Férias
Foram as primeiras...
A primeira vez que fomos de férias sem o pai... uma ausência permanente desde o primeiro instante até ao último.
Eu... que me mentalizo em cada minuto de que "tem que ser, tem que ser..." sinto-me inevitavelmente perdida... é mesmo inevitável, incontrolável... e mais tudo acabado em "ável"... não consigo deixar de me sentir perdida... em permanência!
Ir de férias é mais um passo... ir... apenas ir... para qualquer lado, é mais um passo.
Primeiro, tomar a decisão... pensar: "ía ser tão bom para eles...!" Decidir... agir...
Carregar o carro, sentar os miúdos, conferir mentalmente se não me esqueci de nada...
Ao lado... apenas sacos!
O caminho... eles dormem, o rádio toca um cd da "Ilha das Cores" (que o pai comprou depois de ouvir 15 mil vezes o cd do Noddy, foi à FNAC um dia e trouxe a grande novidade... "Boa! Vamos variar...!")
Chegar... respirar fundo!
Cada dia bom que passou... descontrair e brincar...
Praia, Mar, ai o mar... o mar... nele está tudo! Cada mergulho, cada banho... cada "chap-chap"... que bom!
Um sentir estranho mas tão tranquilo.
Imaginei o pai a entrar naquela água com o Manel pela mão e o Simão ao colo... como tantas vezes o vi com a Pipa e o Manel... o Simão já não teve essa sorte!
Dói... saber que nunca mais o vou ver dar aqueles mergulhos, sair da água e sacudir o cabelo, dar aquele jeito para o lado... e sorrir... dizer "Aaahhh" de prazer.
A falta que faz o pai...
A falta que faz o pai...
Por ver os amigos brincarem com o pai, talvez... o Manel teve o seu soltar de sentimentos e chorou de repente, sem aviso, agarrado a mim, "Eu quero o pai... eu quero o meu pai... porque é que o Jesus não deixa o pai voltar??!!"
Deixa... Jesus... vá lá...
Faz de conta que não aconteceu nada, deixa!!
Foi um engano, Jesus, deixa o pai voltar e leva-o noutra altura! Pode ser? Quando for velinho, muito velinho e tiver vivido a sua vida toda, toda... pode ser Jesus?
Podemos fingir que o tempo volta para trás...
Deixas o pai vir outra vez... deixas o pai vir viver a sua vida, a nossa vida, fazer tudo o que é suposto um pai fazer, um marido, um homem... um amigo... pode ser Jesus?
Era tão bom...
Não haverá Mãe capaz de explicar a um filho de 5 anos o porquê de uma desgraça destas...
Não haverá Mãe capaz de olhar para o seu filho de 5 anos que chora lágrimas de dor, que a olha à espera de uma resposta que entenda, sem que essa Mãe se consuma de sofrimento...
Se houver... é concerteza um Anjo...
Eu não consigo imaginar como vou fazer a partir daqui... como vou responder a cada pergunta e a cada olhar triste destes meus filhos que perderam o Pai... que não vão ter o pai quando quiserem ir ao banho na praia, que não vão ter o pai quando quiserem jogar à bola, que não vão ter o pai quando quiserem saber coisas que só os pais nos ensinam, que não vão ter o pai quando escolherem a 1ª namorada, quando forem estudar, quando crescerem, quando quiserem simplesmente um abraço do pai... não o vão ter!
O que eu disse ao Manel?!
"Meu querido... o Jesus levou o pai para o pé dele porque o pai estava muito doentinho e lá ao pé do Jesus o pai fica bom, sem ter dóidóis... mas o pai está sempre lá em cima a olhar por nós e a dizer que adora o Manel e adora ver o Manel brincar feliz... vai correr tudo bem, meu amor querido, vai correr tudo bem...!"
E a seguir... abracei-o com toda a força que tive, e chorei com ele!
Até amanhã
A primeira vez que fomos de férias sem o pai... uma ausência permanente desde o primeiro instante até ao último.
Eu... que me mentalizo em cada minuto de que "tem que ser, tem que ser..." sinto-me inevitavelmente perdida... é mesmo inevitável, incontrolável... e mais tudo acabado em "ável"... não consigo deixar de me sentir perdida... em permanência!
Ir de férias é mais um passo... ir... apenas ir... para qualquer lado, é mais um passo.
Primeiro, tomar a decisão... pensar: "ía ser tão bom para eles...!" Decidir... agir...
Carregar o carro, sentar os miúdos, conferir mentalmente se não me esqueci de nada...
Ao lado... apenas sacos!
O caminho... eles dormem, o rádio toca um cd da "Ilha das Cores" (que o pai comprou depois de ouvir 15 mil vezes o cd do Noddy, foi à FNAC um dia e trouxe a grande novidade... "Boa! Vamos variar...!")
Chegar... respirar fundo!
Cada dia bom que passou... descontrair e brincar...
Praia, Mar, ai o mar... o mar... nele está tudo! Cada mergulho, cada banho... cada "chap-chap"... que bom!
Um sentir estranho mas tão tranquilo.
Imaginei o pai a entrar naquela água com o Manel pela mão e o Simão ao colo... como tantas vezes o vi com a Pipa e o Manel... o Simão já não teve essa sorte!
Dói... saber que nunca mais o vou ver dar aqueles mergulhos, sair da água e sacudir o cabelo, dar aquele jeito para o lado... e sorrir... dizer "Aaahhh" de prazer.
A falta que faz o pai...
A falta que faz o pai...
Por ver os amigos brincarem com o pai, talvez... o Manel teve o seu soltar de sentimentos e chorou de repente, sem aviso, agarrado a mim, "Eu quero o pai... eu quero o meu pai... porque é que o Jesus não deixa o pai voltar??!!"
Deixa... Jesus... vá lá...
Faz de conta que não aconteceu nada, deixa!!
Foi um engano, Jesus, deixa o pai voltar e leva-o noutra altura! Pode ser? Quando for velinho, muito velinho e tiver vivido a sua vida toda, toda... pode ser Jesus?
Podemos fingir que o tempo volta para trás...
Deixas o pai vir outra vez... deixas o pai vir viver a sua vida, a nossa vida, fazer tudo o que é suposto um pai fazer, um marido, um homem... um amigo... pode ser Jesus?
Era tão bom...
Não haverá Mãe capaz de explicar a um filho de 5 anos o porquê de uma desgraça destas...
Não haverá Mãe capaz de olhar para o seu filho de 5 anos que chora lágrimas de dor, que a olha à espera de uma resposta que entenda, sem que essa Mãe se consuma de sofrimento...
Se houver... é concerteza um Anjo...
Eu não consigo imaginar como vou fazer a partir daqui... como vou responder a cada pergunta e a cada olhar triste destes meus filhos que perderam o Pai... que não vão ter o pai quando quiserem ir ao banho na praia, que não vão ter o pai quando quiserem jogar à bola, que não vão ter o pai quando quiserem saber coisas que só os pais nos ensinam, que não vão ter o pai quando escolherem a 1ª namorada, quando forem estudar, quando crescerem, quando quiserem simplesmente um abraço do pai... não o vão ter!
O que eu disse ao Manel?!
"Meu querido... o Jesus levou o pai para o pé dele porque o pai estava muito doentinho e lá ao pé do Jesus o pai fica bom, sem ter dóidóis... mas o pai está sempre lá em cima a olhar por nós e a dizer que adora o Manel e adora ver o Manel brincar feliz... vai correr tudo bem, meu amor querido, vai correr tudo bem...!"
E a seguir... abracei-o com toda a força que tive, e chorei com ele!
Até amanhã
quarta-feira, 23 de junho de 2010
"Morrer é só não ser visto"
Este é o título de um livro de Inês Barros Baptista e diz tudo!
Passou um mês...
Desde que perdemos o pai... um mês depois de um dia em que a nossa vida mudou para sempre.
Há um mês, o Joaquim, por quem me apaixonei, com quem me casei, com quem tive dois filhos, o homem com quem vivi feliz os últimos 9 anos da minha vida e com quem pensava viver até ao fim dos meus dias... partiu... adormeceu e já não acordou. Partiu em Paz, adormeceu tranquilo e foi para junto do Pai.
E agora que escrevo isto penso que foi também para junto dos seus pais que perdeu quando era ainda um jovem adoloescente e sem eles viveu a vida inteira. Agora, está com eles, com a sua mãe que o abraça carinhosamente, com o seu pai que lhe sorri com um olhar de orgulho. Está junto de todos os que já partiram deste mundo e estão agora lá em cima a olhar por nós.
Há um mês, o dia que eu tanto temia mas esperava, aconteceu...
Ver o Joaquim ali, naquele quarto de Hospital, foi o princípio do "não acreditar" que dura até hoje e não sei até quando irei viver cada dia com esta sensação de que vou acordar de um pesadelo a qualquer momento.
Têm sido dias difíceis.
Mesmo sabendo e sentindo a sua presença, não consigo deixar de viver esta ausência, saudade tremenda. Esbarro neste vazio, choro este sofrimento... em cada dia, em cada noite!
Há um mês, o mundo ficou mais pobre. Perdeu-se um Grande Homem, um lutador pela vida até ao último suspiro. Um exemplo de vida para todos os que o rodeavam. Um Homem que aprendeu a sobreviver sozinho. Que depois dos desgostos não se deixava vencer pelas dificuldades. Trabalhador, honesto, responsável, divertido, intenso, dedicado aos seus. Um Pai Nobre de princípios de Vida íntegros e um Homem único na emoção e sentimentos. Um apaixonado pela vida e por tudo o que lhe dava mais prazer. Um verdadeiro e honrado gentleman.
Peço-te...
Que não me abandones nunca...
Que olhes pelos nossos filhos, que estejas sempre atento às suas necessidades.
Que me lembres das coisas importantes.
Que não me deixes fraquejar ou cair no desespero.
Peço-te que me ilumines sempre com essa tua Luz,
que no meio desta escuridão em que me sinto, me vá iluminando o caminho a seguir.
O Amor é tão bonito... o verdadeiro Amor, este que vamos construíndo ao longo da vida e depois solidificamos e fortalecemos quando cruelmente nos "atiram para uma frente de batalha"...
Este Amor viverá para sempre. É este Amor que sinto por ti que me vai dando força em cada momento para continuar a viver com toda a serenidade possivel . Foi deste amor que nasceram os nossos filhos que são parte de ti, são a tua "metade" e vão ser sempre um reflexo de quem tu eras e de quem gostavas que eles fossem..
Tenho uma História para contar, a nossa História...
E há um mês, no dia 22 de Maio, a nossa História teve um Fim e um novo Começo.
Agora, fica aqui comigo, neste silêncio doloroso e faz-me acreditar.
Abraça-me e faz-me acreditar.
Amanhã vamos à Missa, "à casa do Jesus", onde "está o pai".
Até amanhã
Passou um mês...
Desde que perdemos o pai... um mês depois de um dia em que a nossa vida mudou para sempre.
Há um mês, o Joaquim, por quem me apaixonei, com quem me casei, com quem tive dois filhos, o homem com quem vivi feliz os últimos 9 anos da minha vida e com quem pensava viver até ao fim dos meus dias... partiu... adormeceu e já não acordou. Partiu em Paz, adormeceu tranquilo e foi para junto do Pai.
E agora que escrevo isto penso que foi também para junto dos seus pais que perdeu quando era ainda um jovem adoloescente e sem eles viveu a vida inteira. Agora, está com eles, com a sua mãe que o abraça carinhosamente, com o seu pai que lhe sorri com um olhar de orgulho. Está junto de todos os que já partiram deste mundo e estão agora lá em cima a olhar por nós.
Há um mês, o dia que eu tanto temia mas esperava, aconteceu...
Ver o Joaquim ali, naquele quarto de Hospital, foi o princípio do "não acreditar" que dura até hoje e não sei até quando irei viver cada dia com esta sensação de que vou acordar de um pesadelo a qualquer momento.
Têm sido dias difíceis.
Mesmo sabendo e sentindo a sua presença, não consigo deixar de viver esta ausência, saudade tremenda. Esbarro neste vazio, choro este sofrimento... em cada dia, em cada noite!
Há um mês, o mundo ficou mais pobre. Perdeu-se um Grande Homem, um lutador pela vida até ao último suspiro. Um exemplo de vida para todos os que o rodeavam. Um Homem que aprendeu a sobreviver sozinho. Que depois dos desgostos não se deixava vencer pelas dificuldades. Trabalhador, honesto, responsável, divertido, intenso, dedicado aos seus. Um Pai Nobre de princípios de Vida íntegros e um Homem único na emoção e sentimentos. Um apaixonado pela vida e por tudo o que lhe dava mais prazer. Um verdadeiro e honrado gentleman.
Peço-te...
Que não me abandones nunca...
Que olhes pelos nossos filhos, que estejas sempre atento às suas necessidades.
Que me lembres das coisas importantes.
Que não me deixes fraquejar ou cair no desespero.
Peço-te que me ilumines sempre com essa tua Luz,
que no meio desta escuridão em que me sinto, me vá iluminando o caminho a seguir.
O Amor é tão bonito... o verdadeiro Amor, este que vamos construíndo ao longo da vida e depois solidificamos e fortalecemos quando cruelmente nos "atiram para uma frente de batalha"...
Este Amor viverá para sempre. É este Amor que sinto por ti que me vai dando força em cada momento para continuar a viver com toda a serenidade possivel . Foi deste amor que nasceram os nossos filhos que são parte de ti, são a tua "metade" e vão ser sempre um reflexo de quem tu eras e de quem gostavas que eles fossem..
Tenho uma História para contar, a nossa História...
E há um mês, no dia 22 de Maio, a nossa História teve um Fim e um novo Começo.
Agora, fica aqui comigo, neste silêncio doloroso e faz-me acreditar.
Abraça-me e faz-me acreditar.
Amanhã vamos à Missa, "à casa do Jesus", onde "está o pai".
Até amanhã
domingo, 13 de junho de 2010
(desculpem)
23 de Maio.2010
Querida família e amigos
Foram dois anos de grande luta. Foram tempos penosos mas ao mesmo tempo MOMENTOS de força.
O Joaquim, desde o 1º dia, nunca perdeu a esperança, mesmo sabendo do quanto tinha que enfrentar, mesmo temendo o quanto podia não aguentar, sempre manteve a Esperança de um dia se sentir MELHOR, BEM, com a energia com que sempre viveu. Manteve sempre o sonho de que, um dia, ía voltar a conseguir fazer tudo o que sempre gostou de fazer, tudo o que QUERIA ainda fazer.
Algumas vezes, o Joaquim pegou-me na mão e disse “Querida, tenho tanto medo”... e eu respondia: “Não tenhas, querido, tu nunca estarás sózinho”. E nunca esteve. O Joaquim NUNCA esteve sózinho.
Não acredito que seja possível haver alguém que tenha tanto Amor, Ternura, Amizade, Dedicação à sua volta até AO ÚLTIMO MINUTO...
Se houvessem palavras para descrever o quanto eu vos agradeço a todos, em meu nome e em nome do Joaquim, que vos terá dito, a Cada Um, à sua maneira, os seus OBRIGADOS! Se palavras houvessem que transmitissem o VALOR e AMIZADE que ficam registados nas minhas memórias, eu as diria... apenas SINTO que é dessas memórias que vamos viver agora.
Lembro e sorrio... Sinto e choro... Uma vida intensa de Amor e Felicidade.
Reconheço, aqui, perante todos, as minhas falhas que espero que Deus perdoe.
Querido
Sentada nesta tua cama, a ouvir a “nossa” Adriana Calcanhoto... “Meu Amor... cadê você... eu acordei... não tem ninguém... AO LADO”. Escrevo-te estas palavras, que não são as últimas, mas apenas as que marcam uma nova etapa da nossa vida.
Nunca deixarás de estar comigo, connosco, com os teus filhos, que irão crescer com a certeza de que tiveram o MELHOR PAI que poderiam ter tido. Um pai que teve a enorme infelicidade de adoecer, mas que nunca deixou de estar presente com a sua serenidade, beleza e Amor. Um Pai que será SEMPRE a grande referência das suas vidas. Um Pai de quem sempre nos iremos ORGULHAR MUITO. UM PAI QUE FOI... UM GRANDE HERÓI!
A ti... agradeço tudo o que sempre fizeste por mim, por nós. Já doente, muitas vezes, foste tu que me animaste!
Deixas-me a maior RIQUEZA que existe, os nossos filhos, a Pipa. Obrigado querido, por TUDO!
Agora... DESCANSA EM PAZ... e contigo estaremos TODOS OS DIAS, em pensamento, em sentimento, até a ti nos juntarmos outra vez.
Querida família e amigos
Foram dois anos de grande luta. Foram tempos penosos mas ao mesmo tempo MOMENTOS de força.
O Joaquim, desde o 1º dia, nunca perdeu a esperança, mesmo sabendo do quanto tinha que enfrentar, mesmo temendo o quanto podia não aguentar, sempre manteve a Esperança de um dia se sentir MELHOR, BEM, com a energia com que sempre viveu. Manteve sempre o sonho de que, um dia, ía voltar a conseguir fazer tudo o que sempre gostou de fazer, tudo o que QUERIA ainda fazer.
Algumas vezes, o Joaquim pegou-me na mão e disse “Querida, tenho tanto medo”... e eu respondia: “Não tenhas, querido, tu nunca estarás sózinho”. E nunca esteve. O Joaquim NUNCA esteve sózinho.
Não acredito que seja possível haver alguém que tenha tanto Amor, Ternura, Amizade, Dedicação à sua volta até AO ÚLTIMO MINUTO...
Se houvessem palavras para descrever o quanto eu vos agradeço a todos, em meu nome e em nome do Joaquim, que vos terá dito, a Cada Um, à sua maneira, os seus OBRIGADOS! Se palavras houvessem que transmitissem o VALOR e AMIZADE que ficam registados nas minhas memórias, eu as diria... apenas SINTO que é dessas memórias que vamos viver agora.
Lembro e sorrio... Sinto e choro... Uma vida intensa de Amor e Felicidade.
Reconheço, aqui, perante todos, as minhas falhas que espero que Deus perdoe.
Querido
Sentada nesta tua cama, a ouvir a “nossa” Adriana Calcanhoto... “Meu Amor... cadê você... eu acordei... não tem ninguém... AO LADO”. Escrevo-te estas palavras, que não são as últimas, mas apenas as que marcam uma nova etapa da nossa vida.
Nunca deixarás de estar comigo, connosco, com os teus filhos, que irão crescer com a certeza de que tiveram o MELHOR PAI que poderiam ter tido. Um pai que teve a enorme infelicidade de adoecer, mas que nunca deixou de estar presente com a sua serenidade, beleza e Amor. Um Pai que será SEMPRE a grande referência das suas vidas. Um Pai de quem sempre nos iremos ORGULHAR MUITO. UM PAI QUE FOI... UM GRANDE HERÓI!
A ti... agradeço tudo o que sempre fizeste por mim, por nós. Já doente, muitas vezes, foste tu que me animaste!
Deixas-me a maior RIQUEZA que existe, os nossos filhos, a Pipa. Obrigado querido, por TUDO!
Agora... DESCANSA EM PAZ... e contigo estaremos TODOS OS DIAS, em pensamento, em sentimento, até a ti nos juntarmos outra vez.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Às vezes apetece-me fechar os olhos e acreditar que quando os abrir tudo passou... nada disto realmente aconteceu!
Apetecia-me que alguém chegasse e me acordasse de um pesadelo... "acorda, acorda... estás a sonhar"... tipo como naqueles filmes em que o filme todo se passa numa ilusão e depois no final era um jogo ou uma ficção!
Queria tanto que o tempo tivesse parado há uns anos e tudo continuasse igual...
Se fosse possivel "remendar" o destino... mudar... decidir...
Apetecia-me fechar os olhos, flutuar e deixar-lhe levar lá para cima... lá para cima... flutuar e deixar-me ir!
Não consigo acreditar... não consigo acreditar!
Não é possivel... pois não?
Pois não?!!
Apetecia-me que alguém chegasse e me acordasse de um pesadelo... "acorda, acorda... estás a sonhar"... tipo como naqueles filmes em que o filme todo se passa numa ilusão e depois no final era um jogo ou uma ficção!
Queria tanto que o tempo tivesse parado há uns anos e tudo continuasse igual...
Se fosse possivel "remendar" o destino... mudar... decidir...
Apetecia-me fechar os olhos, flutuar e deixar-lhe levar lá para cima... lá para cima... flutuar e deixar-me ir!
Não consigo acreditar... não consigo acreditar!
Não é possivel... pois não?
Pois não?!!
sábado, 29 de maio de 2010
HOMEM AO MAR
Ao fundo
apenas o horizonte... numa linha direita de Céu e Mar
Ali estavas na brisa que me tocava na cara.
Os meus cabelos voavam
As lágrimas caíam,
Ali estavas no Sol que me entrava na pele.
Meu querido, meu Amor
dá-me o teu sorriso em cada dia, em cada momento
Sussurra-me ao ouvido tudo o que sempre me disseste,
Olha-me nos olhos, passa-me a mão no cabelo e diz o quanto me amas...
A Saudade é dura,
Em momentos felizes também... e de momentos temos
outra vida ainda por viver.
Ali estavas em cima do meu ombro,
Com as tuas mãos me apoiavas.
Ali estavas à espera de seres libertado desta prisão que era a tua vida.
E foste...
Hoje ficaste, finalmente, livre de todo o sofrimento, angústia e dor que te consumia.
Ali estavas comigo, connosco.
Ali ficaste como era teu desejo.
A brisa levou-te pelo Mar fora, o Mar ergueu-te aos Céus e entregou-te à eterna Felicidade
Momentos únicos são estes
Ali estavas e continuarás a passar-me a mão no cabelo.
"Sossega, tá tudo bem!"
Eu sei, meu amor, eu sei!
apenas o horizonte... numa linha direita de Céu e Mar
Ali estavas na brisa que me tocava na cara.
Os meus cabelos voavam
As lágrimas caíam,
Ali estavas no Sol que me entrava na pele.
Meu querido, meu Amor
dá-me o teu sorriso em cada dia, em cada momento
Sussurra-me ao ouvido tudo o que sempre me disseste,
Olha-me nos olhos, passa-me a mão no cabelo e diz o quanto me amas...
A Saudade é dura,
Em momentos felizes também... e de momentos temos
outra vida ainda por viver.
Ali estavas em cima do meu ombro,
Com as tuas mãos me apoiavas.
Ali estavas à espera de seres libertado desta prisão que era a tua vida.
E foste...
Hoje ficaste, finalmente, livre de todo o sofrimento, angústia e dor que te consumia.
Ali estavas comigo, connosco.
Ali ficaste como era teu desejo.
A brisa levou-te pelo Mar fora, o Mar ergueu-te aos Céus e entregou-te à eterna Felicidade
Momentos únicos são estes
Ali estavas e continuarás a passar-me a mão no cabelo.
"Sossega, tá tudo bem!"
Eu sei, meu amor, eu sei!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Fé de Cigano
Hoje, quando estavamos na sala de Quimio, estava ao nosso lado um casal de ciganos. Ela, deitada, a fazer tratamento. Ele, desfeito, a seu lado, claramente cansado mas sorridente.
Vou-vos confessar que tenho tido, ao longo da vida, um certo "medo" de ciganos... até hoje.
Dizem que são uma raça forte, que quando rogam pragas, por exemplo, é de se fugir!
Mas hoje, este cigano, meteu conversa comigo. O Joaquim dormia, a cigana tinha-se levantado para ir à wc, e ele olhou para mim e começou a "dizer coisas"...
Primeiro, confesso, estava para "poucas conversas", até poruqe não sou muito do género de "comentar" esta doença, o quanto é doloroso tudo isto, etc, não sou de "comentar" com estranhos, mesmo estes com que nos vamos encontrando nestas salas de hospital... "ai menina, isto é um sofrimento muito grande... então conte lá... o seu marido?"... este tipo de conversa eu evito e às vezes só respondo "pois é... pois é..."
Mas hoje, este cigano cativou-me!
Resumindo, e porque já é tarde, no fim de me fazer um pequeno resumo do problema que lhes bateu à porta, sem esperar que eu fizesse o mesmo, diz-me: "Isto é mesmo assim, sabe? É ver o invisível e crer no impossível..."
Fiquei a pensar nesta frase...
E com ela me vou deitar...
Até amanhã
Vou-vos confessar que tenho tido, ao longo da vida, um certo "medo" de ciganos... até hoje.
Dizem que são uma raça forte, que quando rogam pragas, por exemplo, é de se fugir!
Mas hoje, este cigano, meteu conversa comigo. O Joaquim dormia, a cigana tinha-se levantado para ir à wc, e ele olhou para mim e começou a "dizer coisas"...
Primeiro, confesso, estava para "poucas conversas", até poruqe não sou muito do género de "comentar" esta doença, o quanto é doloroso tudo isto, etc, não sou de "comentar" com estranhos, mesmo estes com que nos vamos encontrando nestas salas de hospital... "ai menina, isto é um sofrimento muito grande... então conte lá... o seu marido?"... este tipo de conversa eu evito e às vezes só respondo "pois é... pois é..."
Mas hoje, este cigano cativou-me!
Resumindo, e porque já é tarde, no fim de me fazer um pequeno resumo do problema que lhes bateu à porta, sem esperar que eu fizesse o mesmo, diz-me: "Isto é mesmo assim, sabe? É ver o invisível e crer no impossível..."
Fiquei a pensar nesta frase...
E com ela me vou deitar...
Até amanhã
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
José Luis Peixoto
José Luis Peixoto é um escritor de quem já devem ter ouvido falar. Andámos juntos no Liceu, não sei bem se no mesmo ano, na mesma turma sei que não, mas lembro-me bem dele. Hoje li uma das suas crónicas e escrevi-lhe uma carta, mas como não tenho nenhum contacto dele, aqui fica... se alguém o conhecer importa-se de lhe dizer que esta carta é para ele?! Obrigada!
"Acabei de ler a tua crónica na revista VISÃO, de 14 de Janeiro deste ano (pois... é que eu demoro muito, por falta de tempo, a ler uma só revista e corro sempre o risco de ler notícias e temas desactualizados).
Talvez te lembres de mim, andámos no mesmo liceu, em Ponte de Sor, Terras Alentejanas, em tempos que já lá vão (oh se vão). Eu lembro-me de ti, perfeitamente, mas acho que não tivemos muitas oportunidades para conversar, não sei..., tenho umas noções vagas, memórias perdidas no tempo. Será da idade? Ou da própria vida que nos vai desgastando?
Tenho "acompanhado" o teu percurso como escritor e dou-te os Parabéns. Gosto muito da tua maneira de escrever, de sentir.
Agora, ao ler o teu artigo, consegui visualizar tudo... tudinho... Senti uma ternura enorme pelos teus 2 filhos, por ti.
Eu também sou mãe de 2 rapazes, um de 4 anos e outro mais bébé de 18 meses apenas. Tenho ainda uma enteada com 13 anos que cuidei durante uns aninhos.
Isso de ouvi-los falar, assistir aos seus comentários e reacções, etc... tudo é uma alegre "misturada", feliz convivência!
Quando nasceu o meu mais velho, a mana, ansiosa por lhe pegar ao colo, já com os seus 8 anos, disse: "Oh tia, sou eu a 1ª a pegar no mano, não sou?" Claro que foi ela a 1ª, nem enfermeiras, médicos, avós, pai ou mãe foram os 1ºs, mas sim a mana mais velha. O pai, cheio de orgulho do seu Barão diz ao pergar-lhe: "Tem um ar ligeiramente snob que me agrada" e sorriu com o maior sorriso que alguma vez lha havia visto!
Foi, o 1º, dia mais feliz da minha vida.
O 2º foi quando nasceu o meu outro filho, no Verão, depois de uma gravidez muito atribulada (mas essa é outra história da qual podemos escrever um livro se quiseres) passados 3 anos e 2 meses de ter nascido o mano. Dia marcado, dia de calor e serenidade. Aqui, foi a avó que entrou comigo para a sala de partos e quando vi o meu 2º bébé tive exactamente a mesma sensação que tinha tido com o 1º, "Ah meu filho, até que enfim!", a diferença é que com um 2º filho a calma é outra, a tranquilidade é mais fácil.
Agora, os 2 em casa, às vezes os 3, nesses fds em que vem a mana com a sua mochila EastPack com flores cor-de-rosa que lhe comprei em Budapeste, vê-los e ouvilos, brincar com eles e tentar conciliar as diferentes necessidades e gostos que se impõem. Entre Gormitis, legos e escolha de roupas e acessórios, tudo se vai passando ao mesmo tempo.
Pois sou eu a mãe, sou eu que os adormeço, dou colo, ternura e educo também. Sou eu que os separo, sim, como tu, quando o mais pequeno "bate" no mais velho ou o do meio "chateia" a mais velha. Tudo acontece... mas olha, José Luis, sabes onde estou?
Sentada na sala de quimioterapia do serviço de Oncologia do Hospital Amadora Sintra.
Estou sentada ao lado do meu marido, pai dos meus filhos, que está aqui pacientemente a fazer um tratamento, mais um depois de tantos... está aqui em sofrimento como tem estado nos último tempos.
E sabes? Não sabemos qual e quando vai ser o fim desta nossa histõria.
Pai... ser pai... mãe!
José Luis Peixoto,
que tudo te corra muito bem, e com os teus filhos. Espero que nos possamos encontrar em breve e quem sabe... escrevermos histórias bonitas os dois, sobre os nossos filhos e sobre o quanto é bom ser Pai!
Também eu gostava de ser uma menina de 4 ou 6 anos para viver em fantasia, para não ter que suportar a dura realidadee de uma vida difícil, que se complicou tanto de um dia para o outro... sem aviso! Vida que mudou "radicalmente".
O que vale, relamente, são eles, os filhos.
Aqueles queridos que com um simples abraço nos dão a maior força de todas.
Obrigada JLP, por este momento bonito.
Obrigada por seres bom e por transmitires coisas boas.
Até sempre
Tua amiga
Sandra Castanheira "
"Acabei de ler a tua crónica na revista VISÃO, de 14 de Janeiro deste ano (pois... é que eu demoro muito, por falta de tempo, a ler uma só revista e corro sempre o risco de ler notícias e temas desactualizados).
Talvez te lembres de mim, andámos no mesmo liceu, em Ponte de Sor, Terras Alentejanas, em tempos que já lá vão (oh se vão). Eu lembro-me de ti, perfeitamente, mas acho que não tivemos muitas oportunidades para conversar, não sei..., tenho umas noções vagas, memórias perdidas no tempo. Será da idade? Ou da própria vida que nos vai desgastando?
Tenho "acompanhado" o teu percurso como escritor e dou-te os Parabéns. Gosto muito da tua maneira de escrever, de sentir.
Agora, ao ler o teu artigo, consegui visualizar tudo... tudinho... Senti uma ternura enorme pelos teus 2 filhos, por ti.
Eu também sou mãe de 2 rapazes, um de 4 anos e outro mais bébé de 18 meses apenas. Tenho ainda uma enteada com 13 anos que cuidei durante uns aninhos.
Isso de ouvi-los falar, assistir aos seus comentários e reacções, etc... tudo é uma alegre "misturada", feliz convivência!
Quando nasceu o meu mais velho, a mana, ansiosa por lhe pegar ao colo, já com os seus 8 anos, disse: "Oh tia, sou eu a 1ª a pegar no mano, não sou?" Claro que foi ela a 1ª, nem enfermeiras, médicos, avós, pai ou mãe foram os 1ºs, mas sim a mana mais velha. O pai, cheio de orgulho do seu Barão diz ao pergar-lhe: "Tem um ar ligeiramente snob que me agrada" e sorriu com o maior sorriso que alguma vez lha havia visto!
Foi, o 1º, dia mais feliz da minha vida.
O 2º foi quando nasceu o meu outro filho, no Verão, depois de uma gravidez muito atribulada (mas essa é outra história da qual podemos escrever um livro se quiseres) passados 3 anos e 2 meses de ter nascido o mano. Dia marcado, dia de calor e serenidade. Aqui, foi a avó que entrou comigo para a sala de partos e quando vi o meu 2º bébé tive exactamente a mesma sensação que tinha tido com o 1º, "Ah meu filho, até que enfim!", a diferença é que com um 2º filho a calma é outra, a tranquilidade é mais fácil.
Agora, os 2 em casa, às vezes os 3, nesses fds em que vem a mana com a sua mochila EastPack com flores cor-de-rosa que lhe comprei em Budapeste, vê-los e ouvilos, brincar com eles e tentar conciliar as diferentes necessidades e gostos que se impõem. Entre Gormitis, legos e escolha de roupas e acessórios, tudo se vai passando ao mesmo tempo.
Pois sou eu a mãe, sou eu que os adormeço, dou colo, ternura e educo também. Sou eu que os separo, sim, como tu, quando o mais pequeno "bate" no mais velho ou o do meio "chateia" a mais velha. Tudo acontece... mas olha, José Luis, sabes onde estou?
Sentada na sala de quimioterapia do serviço de Oncologia do Hospital Amadora Sintra.
Estou sentada ao lado do meu marido, pai dos meus filhos, que está aqui pacientemente a fazer um tratamento, mais um depois de tantos... está aqui em sofrimento como tem estado nos último tempos.
E sabes? Não sabemos qual e quando vai ser o fim desta nossa histõria.
Pai... ser pai... mãe!
José Luis Peixoto,
que tudo te corra muito bem, e com os teus filhos. Espero que nos possamos encontrar em breve e quem sabe... escrevermos histórias bonitas os dois, sobre os nossos filhos e sobre o quanto é bom ser Pai!
Também eu gostava de ser uma menina de 4 ou 6 anos para viver em fantasia, para não ter que suportar a dura realidadee de uma vida difícil, que se complicou tanto de um dia para o outro... sem aviso! Vida que mudou "radicalmente".
O que vale, relamente, são eles, os filhos.
Aqueles queridos que com um simples abraço nos dão a maior força de todas.
Obrigada JLP, por este momento bonito.
Obrigada por seres bom e por transmitires coisas boas.
Até sempre
Tua amiga
Sandra Castanheira "
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
vazio
hoje queria escrever mais...
mas algo mais positivo
queria escrever um texto bonito, cheio de alegria e força...
mas não me ocorrem as palavras!
estou sem inspiração...
queria escrever-vos sobre banalidades, coisas fúteis mas não me ocorre nada neste momento!
queria contar-vos uma história gira, algo memorável, mas não tenho nada de especial para contar!
queria não estar tão cansada e ter cabeça para escrever textos bonitos, com sentido...
mas não consigo!
Volto amanhã
beijos
mas algo mais positivo
queria escrever um texto bonito, cheio de alegria e força...
mas não me ocorrem as palavras!
estou sem inspiração...
queria escrever-vos sobre banalidades, coisas fúteis mas não me ocorre nada neste momento!
queria contar-vos uma história gira, algo memorável, mas não tenho nada de especial para contar!
queria não estar tão cansada e ter cabeça para escrever textos bonitos, com sentido...
mas não consigo!
Volto amanhã
beijos
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Filhos de um Cancro
Pai,
Porque é que estás deitado a esta hora? Levanta-te... já é de dia... anda brincar! Olha, lá fora está Sol... um dia tão bonito!
Porque tens um dóidói Pai? Queres tomar do meu xarope? O Pai tem que ir à Drª levar uma pica e depois isso passa...
Porque estás assim sem força, Pai? Não consegues? O Pai quer ajuda?...
Oh Mãe... porque é que o Pai tem um dóidói?! Porque é que o Pai não vem jantar?!
Oh Pai... vai descansar mais um bocadinho?
Agora o Pai fica aqui a descansar está bem?
Como serão os outros pais... imaginam eles,... Porque é que os outros pais brincam, rebolam na relva, cantam, riem, vão ao cinema, ao teatro... brincam no parque... andam de bicicleta... Porque é que os outros pais não têm dóidóis? Porque é que só este Pai está doente?
Não é justo... pensam eles... eu também queria ter um pai igual aos outros pais...
Que pensam eles? Que será que sentem? Como sentem? Porque será que não dizem nada? Não perguntam muito... é um hábito... é normal?! Sim... habituam-se a viver com um Pai diferente dos outros pais... sim... e não dizem nada, se calhar não faz mal... não tem importância todas estas coisas que achamos tão essenciais!...
Perguntam pouco... comentam pouco... ignoram... muito! Sim... talvez!
Oh Pai! Sabes... quando o pai tiver mais força e já não tiver esse dóidói vamos fazer muitas coisas juntos... sim, vamos! Quando o Pai já não tiver cansado podemos ir brincar, fazer jogos... o Pai pode escolher! Ah! E tem que nos prometer que vamos andar de bicicleta juntos... eu adoro... nós gostamos muito de andar de bicicleta, sabia pai?!
Olha Pai, toma, este desenho é para ti...
Fui eu que fiz... só para o Pai...
Sim... o Pai é diferente dos outros pais... é o meu, o nosso, e é muito especial... muito mesmo!
Sabe Pai?! Nós gostamos muito de si... muito, muito... e não faz mal... não se preocupe, quando o Pai já não tiver o dóidói, temos todo o tempo do mundo para brincar... promete?!?!
Então vá... muitos beijinhos Pai!
O nosso Pai é o melhor Pai do mundo!
Boa noite
Porque é que estás deitado a esta hora? Levanta-te... já é de dia... anda brincar! Olha, lá fora está Sol... um dia tão bonito!
Porque tens um dóidói Pai? Queres tomar do meu xarope? O Pai tem que ir à Drª levar uma pica e depois isso passa...
Porque estás assim sem força, Pai? Não consegues? O Pai quer ajuda?...
Oh Mãe... porque é que o Pai tem um dóidói?! Porque é que o Pai não vem jantar?!
Oh Pai... vai descansar mais um bocadinho?
Agora o Pai fica aqui a descansar está bem?
Como serão os outros pais... imaginam eles,... Porque é que os outros pais brincam, rebolam na relva, cantam, riem, vão ao cinema, ao teatro... brincam no parque... andam de bicicleta... Porque é que os outros pais não têm dóidóis? Porque é que só este Pai está doente?
Não é justo... pensam eles... eu também queria ter um pai igual aos outros pais...
Que pensam eles? Que será que sentem? Como sentem? Porque será que não dizem nada? Não perguntam muito... é um hábito... é normal?! Sim... habituam-se a viver com um Pai diferente dos outros pais... sim... e não dizem nada, se calhar não faz mal... não tem importância todas estas coisas que achamos tão essenciais!...
Perguntam pouco... comentam pouco... ignoram... muito! Sim... talvez!
Oh Pai! Sabes... quando o pai tiver mais força e já não tiver esse dóidói vamos fazer muitas coisas juntos... sim, vamos! Quando o Pai já não tiver cansado podemos ir brincar, fazer jogos... o Pai pode escolher! Ah! E tem que nos prometer que vamos andar de bicicleta juntos... eu adoro... nós gostamos muito de andar de bicicleta, sabia pai?!
Olha Pai, toma, este desenho é para ti...
Fui eu que fiz... só para o Pai...
Sim... o Pai é diferente dos outros pais... é o meu, o nosso, e é muito especial... muito mesmo!
Sabe Pai?! Nós gostamos muito de si... muito, muito... e não faz mal... não se preocupe, quando o Pai já não tiver o dóidói, temos todo o tempo do mundo para brincar... promete?!?!
Então vá... muitos beijinhos Pai!
O nosso Pai é o melhor Pai do mundo!
Boa noite
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