sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

No meu último post escrevi que quando aqui voltasse outra vez era para abrir um novo ciclo.
Pois bem... Aqui estou!

PREFÁCIO

O que se pretende com um prefácio normalmente é explicar um pouco a intenção que nos leva a escrever. Neste caso, e apesar de já o ter feito no post anterior, quero apenas introduzir o tema na realidade que vivemos actualmente. Quero deixar aqui um rasgo do percurso que fizemos até aqui.
Vivemos sem o Pai desde há 4 anos e 7 meses. Temos vindo a passar por várias fases, estados de espírito e posturas que enfrentam, em cada dia, uma dor sem nome, um vazio inexplicável, uma ausência que nos consome. Falo de mim e dos meus filhos, por mim e por eles.

Há 4 anos aconteceu o pior... Aconteceu aquilo que temiamos e que eu sempre teimei em acreditar que não ía acontecer... O homem que amava e que escolhi para casar, o pai dos meus filhos, depois de uma luta inegualável, deixou-nos... Partiu... O Jesus levou.

Não há maneira de explicar uma série de coisas... Nem  se consegue escrever em palavras exactamente aquilo que se sente ou queremos dizer... Muitas vezes, e apenas, porque não existem essas palavras, nunca são as correctas ou não são as suficientes. No entanto, é agora que vou, finalmente tentar. Quero contar tudo o que aconteceu e quero contar como foi que EU vivi tudo isto... Nunca o fiz. Falo muitas vezes nos meus filhos, falo sempre. Todos os dias, falo no J e no herói que ele foi... Mas raramente falo no que realmente sinto, no que senti. E nunca, até este momento contei toda a história como vou agora fazer.

Hoje sei que é possível sobreviver. Há 4 anos achei que não ía conseguir. O que pensava no início de todo este processo era que ía falhar em tudo, não ía saber como tomar decisões sózinha, nem tão pouco sabia o que vinha pela frente, qual o caminho a seguir, sem perder as forças.

Respostas sei que nunca vou ter.
Entender o porquê já desisti de o fazer.

Numa das primeiras noites depois de o pai ter morrido, chovia muito, e já deitadinho na cama, o M perguntou-me: "Mãe, o pai está no Céu?!", "Sim, filho, está com o Jesus no Céu", "Então se está no céu, e se a chuva vem do céu, o Pai não pode descer pela chuva?", a esta pergunta eu não consegui responder, consegui apenas abraçá-lo, aconchegá-lo no meu peito, e dizer-lhe "Vai correr tudo bem meu amor, vai correr tudo bem...!"

A ideia do irreversível não existe numa criança, e num adulto, por muito que saibamos que a pessoa não volta, é muito difícil de aceitar. Durante muito tempo senti o J meter a chave à porta, o ouvi assobiar... E ainda hoje, tantas são as vezes em que o ouço sussurar-me ao ouvido :"vai correr tudo bem, querida, vai correr tudo bem!"

A razão pela qual quero contar a nossa história?
Para que sirva de exemplo, para que toda a gente conheça uma verdadeira história de Amor e Dor, com a qual convivemos todos os dias e para que, sobretudo, e de alguma forma, contribua para que cada um saiba melhor valorizar o que tem.

No fim… sei que tinha uma missão de vida… e sei também que essa missão de vida não foi em vão… não pode ter sido em vão!