O tempo vai passando sim...
Em cada noite que cai, em cada romper da manhã...
Se ao menos eu soubesse como fazer. Se houvesse algum livro a explicar ou um manual por estudar.
Se eu te pudesse ver chegar à noite ou ver sair de manhã... como era.
Esta é uma dor que não tem nome nem medida.
A única certeza que tenho é que não sabia que era possível aguentar tanto... ninguém sabe o que consegue aguentar, de facto, sem ter de o fazer. Não é possivel imaginar-se tamanha mágoa nem esperar-se tamanha tragédia. Quem é que acorda um dia e pensa: "hum, hoje vou-me preparar para o caso de vir a ter uma vida complicada"... Não é mais um exercíco num ginásio que se decide fazer, nem uma dieta especial que obriga a um grande sacrifício. Não nos preparamos com coisa absolutamente nenhuma, nenhuma.
Há 4 meses, num misto de dor e sentimentos profundos, agora, acho que me senti, ao mesmo tempo feliz pelo Joaquim. Feliz porque tinha acabado o seu sofrimento. Feliz, pois neste dia, há 4 meses atrás, senti-o feliz também. Senti que o meu Amor estava a sorrir para mim, para nós, senti que nos estava a dizer: "está tudo bem, meus amores, está tudo bem, já passou"...
Não tenho como descrever este vazio, acho que não se pode explicar sequer...
Quantas vezes fecho os olhos e vejo aquele sorriso... sinto a sua mão no meu cabelo, as suas carícias em meu corpo. É um turbilhão agitado de choro e desespero aqui dentro, no cair da noite. Onde tu estás, calmo, sereno, a sorrir com esses olhos azuis lindos de morrer. Pudera haver uma forma de te ver melhor e eu já a saberia. Vejo-te sim, tantas vezes, vejo-te passar, sentar, vejo-te aqui ao lado na tua poltrona. Falo contigo em cada instante. Preciso de ti, querido, preciso tanto de ti.
As fotografias da nossa vida são o meu consolo. Passo horas a ver, recordar, cheirar e tocar cada momento bom que vivemos, já cheguei a sentir o cheiro dos Açores... impressionante!
Oh Mar que embalas o meu amor... que o acolheste naquele dia lindo de Verão. Mar tranquilo e belo, guarda-o bem, muito bem, nessa tua imensidão.
Deito-me no meu cantinho, abraço apertado sem fim.
Até amanhã