Hoje, quando estavamos na sala de Quimio, estava ao nosso lado um casal de ciganos. Ela, deitada, a fazer tratamento. Ele, desfeito, a seu lado, claramente cansado mas sorridente.
Vou-vos confessar que tenho tido, ao longo da vida, um certo "medo" de ciganos... até hoje.
Dizem que são uma raça forte, que quando rogam pragas, por exemplo, é de se fugir!
Mas hoje, este cigano, meteu conversa comigo. O Joaquim dormia, a cigana tinha-se levantado para ir à wc, e ele olhou para mim e começou a "dizer coisas"...
Primeiro, confesso, estava para "poucas conversas", até poruqe não sou muito do género de "comentar" esta doença, o quanto é doloroso tudo isto, etc, não sou de "comentar" com estranhos, mesmo estes com que nos vamos encontrando nestas salas de hospital... "ai menina, isto é um sofrimento muito grande... então conte lá... o seu marido?"... este tipo de conversa eu evito e às vezes só respondo "pois é... pois é..."
Mas hoje, este cigano cativou-me!
Resumindo, e porque já é tarde, no fim de me fazer um pequeno resumo do problema que lhes bateu à porta, sem esperar que eu fizesse o mesmo, diz-me: "Isto é mesmo assim, sabe? É ver o invisível e crer no impossível..."
Fiquei a pensar nesta frase...
E com ela me vou deitar...
Até amanhã