Falei agora no Facebook com uma amiga minha, com quem não estou há muitos anos, mas de quem soube há pouco tempo, pelo facto de os nossos destinos terem sido comparados.
Ela perdeu o marido num acidente de mota, ía no carro com a filha e o marido numa mota à frente... assistiu à morte do seu Amor... há já uns 3 ou 4 anos e disse-me hoje que ainda não acredita...!!
E eu que tinha esperança que ela me desse outra resposta à minha pergunta: "quando é que se começa a acreditar?" E ela responde-me: "ainda não sei" ...
Portanto...
O ano começa exactamente como o outro acaba.
As mesmas dúvidas, a mesma dor, o mesmo sofrimento, as mesmas imagens que me assombram os sonhos e os mesmos medos que me atormentam os dias!
Mas há um pequeno detalhe que está diferente: se eu ainda não tinha percebido a necessidade de "acreditar", agora percebo. Eu tenho, primeiro que tudo, de acreditar, só depois conseguirei aceitar... e sei ainda que "entender" não vai nunca ser possível.
E como tal, entro neste novo ano com uma nova força então... "tenho que acreditar", não sei como, mas é por aí que tenho que começar.
Na noite da passagem de ano, já o Manel e o Simão dormiam há umas horas, antes de me deitar, perto da uma da manhã, depois de ter visto a "Gala não sei-das-quantas", entrei no quarto deles e ajoelhei-me ao fundo das suas camas. Ajoelhei-me como aquelas figuras do presépio ou como aquelas velhinhas que na Igreja juntam as mãos e fecham os olhos... ajoelhei-me, com toda a minha dedicação e total devoção aos meus filhos e disse muito baixinho, não os fosse acordar: "Meus queridos, a mãe jura que vai dar o seu melhor..."
E é isso que vou fazer, em cada dia de 2011.
Na véspera de entrarmos no novo ano, estava com o Manel e com o seu "novo" amigo aqui do Belas, quando em conversa de miúdos, e no seguimento de vários outros comentários do António sobre o trabalho do pai e o carro do pai, aos quais o Manel respondia com coisas tipo: "a minha mãe tb isto ou aquilo"... eis que surge a pergunta temida (por mim, claro) "e o teu pai?" E o Manel respondeu "eu não tenho pai, o meu pai está no céu" , "Ah é? Morreu?" (confesso que a naturalidade das palavras me arrepiou), "Então só tens a tua mãe?" E o meu filho Manel, de 5 anos, de quem eu me orgulho diariamente, sem pestanejar e com um ar sério mas feliz, respondeu:
"NÃO! Tenho a mãe, o mano, a mana, o avô e a avó, o André e a Carolina"
Eu?? Não disse nada, não achei que fosse preciso!
Desejo-vos um ano bom, com muitos momentos alegres, um ano intenso de Amor e Amizade, cheio de coisas boas para recordar. Não se esqueçam de cuidar da vossa saúde e de tentarem dar importância apenas ao que realmente tem!
Beijos e FELIZ ANO DE 2011