... cheia de momentos bons para recordar! (INACTIVO ... ÚLTIMO POST A 2 DE JANEIRO DE 2015)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Procuro-te...
... em todo o lado.
... no cheiro da tua roupa
... nas páginas dos teus livros
... no ar que me circula
... na chama das velas que acendo
... nas fotos que todos os dias vejo
... nos teus relógios que uso
... no espelho onde te vejo
... no suspirar de cada momento
... na tua poltrona onde me sento
... na nossa cama onde durmo
... na nossa casa que adoro
Procuro-te em cada passo, em cada sorriso, num olhar de desespero.
Não te encontro. Apenas sinto um enorme vazio.
Sei que estás no meu coração e é isso que me conforta.
Boa noite
... no cheiro da tua roupa
... nas páginas dos teus livros
... no ar que me circula
... na chama das velas que acendo
... nas fotos que todos os dias vejo
... nos teus relógios que uso
... no espelho onde te vejo
... no suspirar de cada momento
... na tua poltrona onde me sento
... na nossa cama onde durmo
... na nossa casa que adoro
Procuro-te em cada passo, em cada sorriso, num olhar de desespero.
Não te encontro. Apenas sinto um enorme vazio.
Sei que estás no meu coração e é isso que me conforta.
Boa noite
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Hoje tive um dia cansativo... mesmo... não é que os outros não o sejam sempre que são, mas hoje, sinto-me especialmente cansada, talvez porque esteja a chegar a um ponto de maior cansaço, menos energia, talvez.
De manhã recebo uma sms da minha mãe que agradecia a Deus por ter 4 netos lindos e saudáveis. Estava numa reunião algures com outras Instituições de Apoio Social a crianças com deficiências. E é bem verdade, que grande dádiva temos, mães de filhos plenos das suas capacidades, sãos e "normais"...
Eu por acaso habituei-me a ver "crianças diferentes", aprendi que elas também podem ser felizes, apenas conhecem um mundo muito só delas, diferente dos demais. E sobretudo aprendi que elas precisam de muito Amor, como todos nós, muito carinho e atenção. Não podemos tratar uma criança destas com menos preocupação ou afecto e nem consigo entender aqueles casos de crianças deficientes que ficam fechadas em currais ou afins e são tratadas como animais... é uma imagem tão triste que nem ouso imaginar.
E engraçado... ontem, um amigo meu, disse-me que vai promover uma exposição de fotografias cujas receitas vão reverter a favor de uma miúda com paralesia, que vive numa cadeira de rodas e a mãe precisa de lhe comprar uma cadeira elevatória ou um outro equipamento mas que custa a módica quantia de cerca de 7.000,00euros...
(não vou comentar o preço da coisa nem dizer que este País não sei quê.. blá blá)Fiquei a pensar... se cada um de nós fizesse 1 vez de dois em dois anos que fosse, uma exposição, uma venda de Natal, uma qualquer coisa cujas receitas fossem doadas a pessoas que precisam... já viram bem o quanto estaríamos a dar sem ter muito trabalho?! Porque é que nós não damos mais? Porque é que não temos tempo para coisa nenhuma e muito menos para "dar aos outros" qualquer coisa de que precisam?
No outro dia também fiz uma "boa acção" e senti-me novamente Escuteira. Baden Powell dizia que "um Escuta é sempre um Escuta nem que esteja de cuecas" ou era "um chefe é sempre um chefe nem que esteja de cuecas"??? Bom, mas o que quero dizer é que tendo sido Escuteira durante a minha infância e juventude, posso continuar a sentir-me como tal e a fazer a minha "boa acção" diária. Ía no meu Meriva (como ninguém lê o meu blog, não faz mal fazer publicidade) e quando cheguei ao cruzamento para virar para a CREL, estava uma carrinha de caixa aberta parada, centenas de papelões no chão e um casal de idosos a apanhar aquilo tudo em grande aflição. Passei por eles e olhei pelo retrovisor já a abrandar "coitados, devem ter deixado cair aquilo tudo da carrinha". Parei o carro uns metros mais à frente. Fui a correr ter com o casal, lancei as mãos ao papel, e fui dizendo coisas tipo "Oh coitados, então como vos aconteceu isto? Vá! Eu dou aqui uma mãozinha para se despacharem"... o velhote nem falava e a velhota lá me disse qualquer coisa como "Ai minha senhora, já viu? Ai Deus a ajude e obrigada" - reparem no pormenor do "senhora", há uns tempos seria "menina"... enfim... e pronto, fui tão contente trabalhar nesse dia e senti-me tão útil!
Mas voltando ao dia de hoje.
Houve uma reunião grande lá no escritório. Pelo meio, um almoço confeccionado pelo Igor Martinho, que é um excelente chef...
De repente, vá-se lá saber porquê, comecei a sentir uma tristeza profunda e não conseguia deixar de pensar "Mas o que estou eu aqui a fazer no meio desta gente?? Para ganhar uns tostões (não há outra definição possivel), ter tantas chatices... ainda por cima a fazer coisas que em nada têm a ver com o que andei a estudar uma vidinha toda, estudar, lutar, fui tirar cursos lá fora, já trabalhei tanto, fiz tanta coisa, inclusivé já dei aulas, formação, já fiz tanto... e agora estou aqui... para quê? Será que não podia antes fazer uma coisa bem mais útil??"
Mas enfim... é evidente que gosto de ter trabalho, estar numa empresa em crescimento, e foi óptimo ter tido esta oportunidade de voltar a trabalhar numa altura tão complicada e sem saber bem o que o futuro nos reservava. Agora estou ocupada e isso é muito bom, essencialmente é isso, mais nada.
O resto... desempenhar a minha função, voltar a ser uma verdadeira RP (calma, não é RP dessas que agora há muitas, organizam festas, fazem contactos e são RP's... isso é absolutamente criminoso... NÃO ... RP a sério, gerir comunicação interna e externa, gerir públicos de uma organização, gerir imagem, identidade, organizar campanhas, acções promocionais, apresentações, desenvolver projectos, implementá-los, coordená-los, fazer coisas giras...)... quem sabe, sim , um dia. Tenho que começar a pensar nisso! Ou talvez Publicidade, também foi uma área que gostei de trabalhar, quem sabe!
No fim, e para acabar bem o dia, cheguei a casa e o Manel e o Simão foram os dois de castigo para a cama... cada um para seu lado, a fazer a sua birra, não aguentei. Depois do castigo ficaram mais calmos e ouviram a mãe com muita atenção:
"meus queridos, a mãe esteve o dia todo a trabalhar, a fazer coisas de que não gosta, com pessoas que não conhece nem quer conhecer, cheia de saudades vossas, a sonhar com o momento em que chega a casa e pode brincar convosco um bocadinho antes de jantar... cheia de remorços por não passar mais tempo convosco e estar num emprego que não tem nada a ver só porque aceitei um convite que se calhar não devia e porque não explorei outras hipóteses como devia de ter feito, remorços por ganhar tão pouco e trabalhar tanto e não ter tempo para nós..., remorços por ter andado a trabalhar e preocupada em ter um emprego quando devia de ter estado sempre, sempre com o vosso pai,... e depois chego, estão os dois a querer isto e aquilo, a fazer birras e nem me ouvem sequer... vocês são quem a mãe mais quer neste mundo, só por vocês é que eu aguento tudo o que for preciso, amo-vos tanto, meus amores queridos e preciso tanto do vosso amor e carinho, a mãe assim fica muito triste!" e eles quase em sintonia disseram: "desculpa"...
Será que perceberam alguma coisa?!
Até amanhã
De manhã recebo uma sms da minha mãe que agradecia a Deus por ter 4 netos lindos e saudáveis. Estava numa reunião algures com outras Instituições de Apoio Social a crianças com deficiências. E é bem verdade, que grande dádiva temos, mães de filhos plenos das suas capacidades, sãos e "normais"...
Eu por acaso habituei-me a ver "crianças diferentes", aprendi que elas também podem ser felizes, apenas conhecem um mundo muito só delas, diferente dos demais. E sobretudo aprendi que elas precisam de muito Amor, como todos nós, muito carinho e atenção. Não podemos tratar uma criança destas com menos preocupação ou afecto e nem consigo entender aqueles casos de crianças deficientes que ficam fechadas em currais ou afins e são tratadas como animais... é uma imagem tão triste que nem ouso imaginar.
E engraçado... ontem, um amigo meu, disse-me que vai promover uma exposição de fotografias cujas receitas vão reverter a favor de uma miúda com paralesia, que vive numa cadeira de rodas e a mãe precisa de lhe comprar uma cadeira elevatória ou um outro equipamento mas que custa a módica quantia de cerca de 7.000,00euros...
(não vou comentar o preço da coisa nem dizer que este País não sei quê.. blá blá)Fiquei a pensar... se cada um de nós fizesse 1 vez de dois em dois anos que fosse, uma exposição, uma venda de Natal, uma qualquer coisa cujas receitas fossem doadas a pessoas que precisam... já viram bem o quanto estaríamos a dar sem ter muito trabalho?! Porque é que nós não damos mais? Porque é que não temos tempo para coisa nenhuma e muito menos para "dar aos outros" qualquer coisa de que precisam?
No outro dia também fiz uma "boa acção" e senti-me novamente Escuteira. Baden Powell dizia que "um Escuta é sempre um Escuta nem que esteja de cuecas" ou era "um chefe é sempre um chefe nem que esteja de cuecas"??? Bom, mas o que quero dizer é que tendo sido Escuteira durante a minha infância e juventude, posso continuar a sentir-me como tal e a fazer a minha "boa acção" diária. Ía no meu Meriva (como ninguém lê o meu blog, não faz mal fazer publicidade) e quando cheguei ao cruzamento para virar para a CREL, estava uma carrinha de caixa aberta parada, centenas de papelões no chão e um casal de idosos a apanhar aquilo tudo em grande aflição. Passei por eles e olhei pelo retrovisor já a abrandar "coitados, devem ter deixado cair aquilo tudo da carrinha". Parei o carro uns metros mais à frente. Fui a correr ter com o casal, lancei as mãos ao papel, e fui dizendo coisas tipo "Oh coitados, então como vos aconteceu isto? Vá! Eu dou aqui uma mãozinha para se despacharem"... o velhote nem falava e a velhota lá me disse qualquer coisa como "Ai minha senhora, já viu? Ai Deus a ajude e obrigada" - reparem no pormenor do "senhora", há uns tempos seria "menina"... enfim... e pronto, fui tão contente trabalhar nesse dia e senti-me tão útil!
Mas voltando ao dia de hoje.
Houve uma reunião grande lá no escritório. Pelo meio, um almoço confeccionado pelo Igor Martinho, que é um excelente chef...
De repente, vá-se lá saber porquê, comecei a sentir uma tristeza profunda e não conseguia deixar de pensar "Mas o que estou eu aqui a fazer no meio desta gente?? Para ganhar uns tostões (não há outra definição possivel), ter tantas chatices... ainda por cima a fazer coisas que em nada têm a ver com o que andei a estudar uma vidinha toda, estudar, lutar, fui tirar cursos lá fora, já trabalhei tanto, fiz tanta coisa, inclusivé já dei aulas, formação, já fiz tanto... e agora estou aqui... para quê? Será que não podia antes fazer uma coisa bem mais útil??"
Mas enfim... é evidente que gosto de ter trabalho, estar numa empresa em crescimento, e foi óptimo ter tido esta oportunidade de voltar a trabalhar numa altura tão complicada e sem saber bem o que o futuro nos reservava. Agora estou ocupada e isso é muito bom, essencialmente é isso, mais nada.
O resto... desempenhar a minha função, voltar a ser uma verdadeira RP (calma, não é RP dessas que agora há muitas, organizam festas, fazem contactos e são RP's... isso é absolutamente criminoso... NÃO ... RP a sério, gerir comunicação interna e externa, gerir públicos de uma organização, gerir imagem, identidade, organizar campanhas, acções promocionais, apresentações, desenvolver projectos, implementá-los, coordená-los, fazer coisas giras...)... quem sabe, sim , um dia. Tenho que começar a pensar nisso! Ou talvez Publicidade, também foi uma área que gostei de trabalhar, quem sabe!
No fim, e para acabar bem o dia, cheguei a casa e o Manel e o Simão foram os dois de castigo para a cama... cada um para seu lado, a fazer a sua birra, não aguentei. Depois do castigo ficaram mais calmos e ouviram a mãe com muita atenção:
"meus queridos, a mãe esteve o dia todo a trabalhar, a fazer coisas de que não gosta, com pessoas que não conhece nem quer conhecer, cheia de saudades vossas, a sonhar com o momento em que chega a casa e pode brincar convosco um bocadinho antes de jantar... cheia de remorços por não passar mais tempo convosco e estar num emprego que não tem nada a ver só porque aceitei um convite que se calhar não devia e porque não explorei outras hipóteses como devia de ter feito, remorços por ganhar tão pouco e trabalhar tanto e não ter tempo para nós..., remorços por ter andado a trabalhar e preocupada em ter um emprego quando devia de ter estado sempre, sempre com o vosso pai,... e depois chego, estão os dois a querer isto e aquilo, a fazer birras e nem me ouvem sequer... vocês são quem a mãe mais quer neste mundo, só por vocês é que eu aguento tudo o que for preciso, amo-vos tanto, meus amores queridos e preciso tanto do vosso amor e carinho, a mãe assim fica muito triste!" e eles quase em sintonia disseram: "desculpa"...
Será que perceberam alguma coisa?!
Até amanhã
sábado, 9 de outubro de 2010
Dias de chuva
Perguntou-me o Manel há uns dias... "Oh mãe, o Pai pode descer cá para baixo pela chuva??"!!! E eu disse-lhe que não, não podia, mas se pudesse era uma excelente ideia...
É esta a esperteza com que me deparo de vez em quando. O Manel é esperto, atento, super-sensível e muito inteligente. Até ao ponto em que se consegue avaliar a inteligência numa criança de 5 anos.
Espertalhão é o seu mano. O Simão está de "se comer à colher" como dizia o pai. Inteligente também me parece, diz tudo, repete tudo o que ouve. Todos os dias me diz que "o mano foi pá escola, a mãe vai tabalhá e o Ximão vai ao páque com a Luisa!!" E é esta a sua rotina. Desejoso estava ele para ir para a escola, mas acho que vamos esperar uns mesitos mais...
Dois filhos lindos, meigos, reguilas q.b.... que me pedem "a mãe não grita, não?"... E é isso que tenho que fazer, um esforço para não gritar, não me zangar, a menos que sejam coisas mesmo sérias... e há tão pouca coisa mesmo séria nestas idades que nos obrigam a "ralhar a sério"... e eu passo a vida a "ralhar"... e os meus filhos são meigos e portam-se bem... imagine-se se assim não fosse?! Não tenho desculpa nenhuma para me irritar e gritar... nenhuma! Não são eles que têm que pagar pela minha revolta... antes pelo contrário, eles são quem me traz tranquilidade e alegria!
Enfim... dias de chuva!
Coração mais triste.
Abraço
S.
É esta a esperteza com que me deparo de vez em quando. O Manel é esperto, atento, super-sensível e muito inteligente. Até ao ponto em que se consegue avaliar a inteligência numa criança de 5 anos.
Espertalhão é o seu mano. O Simão está de "se comer à colher" como dizia o pai. Inteligente também me parece, diz tudo, repete tudo o que ouve. Todos os dias me diz que "o mano foi pá escola, a mãe vai tabalhá e o Ximão vai ao páque com a Luisa!!" E é esta a sua rotina. Desejoso estava ele para ir para a escola, mas acho que vamos esperar uns mesitos mais...
Dois filhos lindos, meigos, reguilas q.b.... que me pedem "a mãe não grita, não?"... E é isso que tenho que fazer, um esforço para não gritar, não me zangar, a menos que sejam coisas mesmo sérias... e há tão pouca coisa mesmo séria nestas idades que nos obrigam a "ralhar a sério"... e eu passo a vida a "ralhar"... e os meus filhos são meigos e portam-se bem... imagine-se se assim não fosse?! Não tenho desculpa nenhuma para me irritar e gritar... nenhuma! Não são eles que têm que pagar pela minha revolta... antes pelo contrário, eles são quem me traz tranquilidade e alegria!
Enfim... dias de chuva!
Coração mais triste.
Abraço
S.
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