quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Hoje tive um dia cansativo... mesmo... não é que os outros não o sejam sempre que são, mas hoje, sinto-me especialmente cansada, talvez porque esteja a chegar a um ponto de maior cansaço, menos energia, talvez.

De manhã recebo uma sms da minha mãe que agradecia a Deus por ter 4 netos lindos e saudáveis. Estava numa reunião algures com outras Instituições de Apoio Social a crianças com deficiências. E é bem verdade, que grande dádiva temos, mães de filhos plenos das suas capacidades, sãos e "normais"...
Eu por acaso habituei-me a ver "crianças diferentes", aprendi que elas também podem ser felizes, apenas conhecem um mundo muito só delas, diferente dos demais. E sobretudo aprendi que elas precisam de muito Amor, como todos nós, muito carinho e atenção. Não podemos tratar uma criança destas com menos preocupação ou afecto e nem consigo entender aqueles casos de crianças deficientes que ficam fechadas em currais ou afins e são tratadas como animais... é uma imagem tão triste que nem ouso imaginar.

E engraçado... ontem, um amigo meu, disse-me que vai promover uma exposição de fotografias cujas receitas vão reverter a favor de uma miúda com paralesia, que vive numa cadeira de rodas e a mãe precisa de lhe comprar uma cadeira elevatória ou um outro equipamento mas que custa a módica quantia de cerca de 7.000,00euros...

(não vou comentar o preço da coisa nem dizer que este País não sei quê.. blá blá)Fiquei a pensar... se cada um de nós fizesse 1 vez de dois em dois anos que fosse, uma exposição, uma venda de Natal, uma qualquer coisa cujas receitas fossem doadas a pessoas que precisam... já viram bem o quanto estaríamos a dar sem ter muito trabalho?! Porque é que nós não damos mais? Porque é que não temos tempo para coisa nenhuma e muito menos para "dar aos outros" qualquer coisa de que precisam?

No outro dia também fiz uma "boa acção" e senti-me novamente Escuteira. Baden Powell dizia que "um Escuta é sempre um Escuta nem que esteja de cuecas" ou era "um chefe é sempre um chefe nem que esteja de cuecas"??? Bom, mas o que quero dizer é que tendo sido Escuteira durante a minha infância e juventude, posso continuar a sentir-me como tal e a fazer a minha "boa acção" diária. Ía no meu Meriva (como ninguém lê o meu blog, não faz mal fazer publicidade) e quando cheguei ao cruzamento para virar para a CREL, estava uma carrinha de caixa aberta parada, centenas de papelões no chão e um casal de idosos a apanhar aquilo tudo em grande aflição. Passei por eles e olhei pelo retrovisor já a abrandar "coitados, devem ter deixado cair aquilo tudo da carrinha". Parei o carro uns metros mais à frente. Fui a correr ter com o casal, lancei as mãos ao papel, e fui dizendo coisas tipo "Oh coitados, então como vos aconteceu isto? Vá! Eu dou aqui uma mãozinha para se despacharem"... o velhote nem falava e a velhota lá me disse qualquer coisa como "Ai minha senhora, já viu? Ai Deus a ajude e obrigada" - reparem no pormenor do "senhora", há uns tempos seria "menina"... enfim... e pronto, fui tão contente trabalhar nesse dia e senti-me tão útil!

Mas voltando ao dia de hoje.

Houve uma reunião grande lá no escritório. Pelo meio, um almoço confeccionado pelo Igor Martinho, que é um excelente chef...
De repente, vá-se lá saber porquê, comecei a sentir uma tristeza profunda e não conseguia deixar de pensar "Mas o que estou eu aqui a fazer no meio desta gente?? Para ganhar uns tostões (não há outra definição possivel), ter tantas chatices... ainda por cima a fazer coisas que em nada têm a ver com o que andei a estudar uma vidinha toda, estudar, lutar, fui tirar cursos lá fora, já trabalhei tanto, fiz tanta coisa, inclusivé já dei aulas, formação, já fiz tanto... e agora estou aqui... para quê? Será que não podia antes fazer uma coisa bem mais útil??"

Mas enfim... é evidente que gosto de ter trabalho, estar numa empresa em crescimento, e foi óptimo ter tido esta oportunidade de voltar a trabalhar numa altura tão complicada e sem saber bem o que o futuro nos reservava. Agora estou ocupada e isso é muito bom, essencialmente é isso, mais nada.

O resto... desempenhar a minha função, voltar a ser uma verdadeira RP (calma, não é RP dessas que agora há muitas, organizam festas, fazem contactos e são RP's... isso é absolutamente criminoso... NÃO ... RP a sério, gerir comunicação interna e externa, gerir públicos de uma organização, gerir imagem, identidade, organizar campanhas, acções promocionais, apresentações, desenvolver projectos, implementá-los, coordená-los, fazer coisas giras...)... quem sabe, sim , um dia. Tenho que começar a pensar nisso! Ou talvez Publicidade, também foi uma área que gostei de trabalhar, quem sabe!

No fim, e para acabar bem o dia, cheguei a casa e o Manel e o Simão foram os dois de castigo para a cama... cada um para seu lado, a fazer a sua birra, não aguentei. Depois do castigo ficaram mais calmos e ouviram a mãe com muita atenção:

"meus queridos, a mãe esteve o dia todo a trabalhar, a fazer coisas de que não gosta, com pessoas que não conhece nem quer conhecer, cheia de saudades vossas, a sonhar com o momento em que chega a casa e pode brincar convosco um bocadinho antes de jantar... cheia de remorços por não passar mais tempo convosco e estar num emprego que não tem nada a ver só porque aceitei um convite que se calhar não devia e porque não explorei outras hipóteses como devia de ter feito, remorços por ganhar tão pouco e trabalhar tanto e não ter tempo para nós..., remorços por ter andado a trabalhar e preocupada em ter um emprego quando devia de ter estado sempre, sempre com o vosso pai,... e depois chego, estão os dois a querer isto e aquilo, a fazer birras e nem me ouvem sequer... vocês são quem a mãe mais quer neste mundo, só por vocês é que eu aguento tudo o que for preciso, amo-vos tanto, meus amores queridos e preciso tanto do vosso amor e carinho, a mãe assim fica muito triste!" e eles quase em sintonia disseram: "desculpa"...

Será que perceberam alguma coisa?!

Até amanhã

1 comentário:

Unknown disse...

és fantástica, querida, NUNCA duvides!