Faz amanhã 7 anos que fui mãe (verdadeira) pela 1ª vez...
Dia 7 de Maio de 2005, pelas 7 da manhã rebentaram-me as àguas...
Acordei com uma sensação estranha de ter estado a sonhar. Fui à casa-de-banho perceber o que se passava. A Pipa (minha filha já tb mas "emprestada") veio ter comigo curiosa. "Querida, vai dizer ao pai que o mano Manuel vai nascer"... ela ficou com um sorriso do tamanho do seu nervosismo. "Com calma, meu amor, está tudo certo, vai só avisar o pai enquanto eu tomo um duche rápido".
Eram umas 9 horas quando demos entrada na Cruz Vermelha Portuguesa. O Pai, com o seu ar tranquilo confessou-me estar nervoso como se fosse a 1ª vez.
"Trabalho de Parto!" Chamam ao momento em que a mãe começa a ter contracções e tudo começa a "mexer", a dilatar, etc... acho eu que é isso. No corredor ouvia-se uma mulher aos gritos e eu comecei a suar. "Que horror, que é isto?" Não pode ser assim tão mau, pensava eu! "Não querida, aquela tem outra coisa qualquer, não te preocupes" Aos poucos achei que o pai estava meio branco... a perder a cor.
O médico estava fora, era fim-de-semana. o J não conseguia falar com ele.
As contracções continuavam, as dores já eram muitas, a maquineta apitava e as Enfermeiras íam entrando e comentando, "Então? Está quase?... vamos lá..."... e pelo que percebia a dilatação estava a acontecer mais devagar do que era suposto.
"O médico já vem a caminho meu amor", disse-me o pai que já tinha ido fumar uns quantos cigarros lá fora... entretanto a dita da Epidural... oh maravilha... quem inventou isto nem imagina o bem que fez ao mundo! A partir daí venham as dores todas... é o que quiserem!...
O bébé era cabeçudo e começou a querer sair e entrava, a querer sair e entrava... Puseram-me uma boca de oxigénio e só ouvi "tem que respirar para o seu bébé, ele está a sufocar"... a partir deste momento deixei de ver ou ouvir. Fechei os olhos e respirei com toda a minha energia enquanto pensava "vá meu bébé querido, vai tudo correr bem, vamos ser capazes"... lembro-me de sentir a mão do Joaquim a apertar a minha com imensa força. sabia que ele estava ali.
Entre chegar o médico e mandar-me para Cesariana foi um "pulo" "Acabou, acabou, vamos para cesariana, não vais passar por isto!"...
O Pai entrou comigo e quando dou conta tenho o Anestesista e o Joaquim a "discutirem" futebol... Com aquela cortina à frente, eles ao lado da minha cabeça... eu a sentir que me estavam a "mexer" cá por dentro... de repente, a cortina é desviada, o anestesista levantou-me a cabeça e diz "Olhe aqui, esta parte é digna de se ver..." E vi, aquele foi o momento mais mágico da minha vida, o meu bébé a sair cá de dentro... finalmente.
"Ah... que belo rapaz... por isso estavas a dar tanto trabalho... és grande comó caraças" - estas foram as palavras do meu médico, seguidas de outra frase antes que eu perguntasse; "correu tudo bem, filha, ele está óptimo" Lembro-me do anestesista me dizer que podia usar bikini Brasileiro e tudo, para não me preocupar.
Quando vi o Manel pela 1ª vez não consegui controlar as lágrimas de alívio e senti-lo junto da minha cara foi quando percebi o que era ser mãe. Como uma leoa que se esfrega na sua cria.
"Eras tu meu amor... está tudo bem, a mãe está aqui"
O Pai deu-me um beijinho na testa e disse: "Boa querida, já está! Amo-te muito!"
Já no quarto, depois de tudo o resto que se segue, vejo o Joaquim pegar no Manel e dizer "Hum, tem um olhar ligeiramente snob que me agrada!" Esta frase ficou na "História"... e a imagem de o ver pegar no nosso filho com tanto amor e ternura, tenho-a neste momento como se tivesse acontecido ontem.
Passaram 7 anos. Este bébé tem sido um lutador, um verdadeiro campião. Foi viver para a Hungria, cresceu no meio de gentes diferentes e aprendeu a ser "internacional" bem depressa e sem qualquer problema. Viu o pai adoecer e aprendeu a viver com a dor e a mágoa de ver o pai sofrer. Foi sendo feliz e gerindo as suas próprias emoções. Perdeu o pai, e está ainda a aprender a viver sem ele. Todos os dias reza ao Jesus e "manda beijinhos", e quase todos os dias me pergunta: "Porquê?" Tem aprendido a viver com as dúvidas que o assombram e para as quais ninguém tem resposta. Tem vivido tranquila e serenamente tanto quanto é possivel acontecer. É o meu melhor amigo, um grande companheiro. Ajuda-me imenso e ao seu irmão. Quem o conhece diz-me que "é um amor".
Os nossos filhos são sempre especiais. Cada um ao seu jeito, com as suas qualidades e alguns defeitos. Mas este nosso (meu) filho, é muito especial. Já passou por tanta coisa, tanta coisa e ainda é tão pequenino.
Faz 7 anos e é o meu (nosso) orgulho.
PARABÉNS meu querido bébé.
E hoje, neste dia da Mãe, parabéns a todas as mães de bébés "especiais".
Beijinho
SP