sábado, 4 de dezembro de 2010

Mau tempo no Canal

Faz um temporal na Horta - Faial - Açores!
Estão uns 18 graus, mas chove a potes e está um vento muito agressivo!

Até com este tempo, temos uma Paz e uma tranquilidade a entrar pela porta fechada... da varandinha do nosso quarto vêem-se barquinhos, o Mar e lá ao fundo o Pico, hoje mais tapado pelas nuvens baixas mas amanhã estará mais clara a vista, tenho a certeza!

O Manel e o Simão estão a fazer uma sesta... os avós no quarto ao lado... e eu estava aqui, a olhar pela porta da varadinha e a relembrar a última vez que aqui estive com o pai... há 7 anos. Este hotel ainda não existia, estas lojinhas aqui na marginal tão pouco. Havia o Peter Café e pouco mais. Restaurantes, sim, esta harmonia entre a Terra e o Mar. Havia sim, uma beleza absolutamente inegualável que o pai apelidava como "este é o melhor lugar do mundo"... era aqui que viríamos viver a nossa reforma, ou até antes, viríamos abrir uns negócios e viver esta tranqulidade e qualidade de vida que não existe em mais lado nenhum...

Estamos no Hotel do Canal, mesmo a trás da casa onde o Joaquim viveu quando era talvez da idade do Manel e uns anos mais para a frente, pois a João entretanto nasceu, se bem estou lembrada da "história da família"... era aqui, na Capitania do Porto da Horta... daqui partem os barquinhos, daqui iremos visitar o Pico quando o tempo melhorar... aqui estão todos estes registos desta gento do Mar.

Entrar no Café do Peter é "explodir" de saudade...

Boas memórias tenho deste lugar... da praia do Varadouro, do Vulcão, de tudo isto onde passeamos e namorámos... que bom era namorar com o pai, que bom que era...

Os sentimentos que me invadem são de um misto de alegria por ter oportunidade de reviver o passado desta maneira, e de uma profunda tristeza por não te ter aqui comigo e por saber que não voltarás a estar aqui neste "teu lugar" onde estavas tão feliz e para onde querias vir passar o resto dos teus dias... estes acabaram de outra forma, menos feliz... mas tenho a certeza de uma coisa:

Estás aqui em espírito, a tua presença permanece neste Mar, nestes barcos, nesta vida de Mar que tanto gostavas. Quem sabe... os teus filhos não virão aqui muitas vezes "viver esta tua tranquilidade"...

Aqui estás, sim, neste MAR!

Um abraço

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Olhei para o relógio algumas 20 vezes durante a manhã... só queria que chegasse a hora de almoço para poder "voar" para junto do Mar.
Assim foi. Ali estava eu, sentada numa esplanada junto ao Alto da Barra, onde "tudo começou" para nós.
O sol estava tão quente, tão bom, o Mar um tanto agitado... fechei os olhos e senti o calor do Sol a aquecer-me a alma, o som do Mar a encher-me o espírito. Perfeito, era mesmo isto que eu queria.
Lembrei-me de inúmeras situações da nossa vida, memórias boas, recordações tão doces.
Vi-te, o teu rosto estava desenhado no Céu e sorrias para mim, com aquele teu ar tranquilo e olhar apaixonado.
Vi-te quando escolhemos a nossa primeira casa, aquele teu gesto de felicidade a puxar a mão pra trás e a levantar a perna no ar... estavas tão feliz. Naquele dia, em que decidimos mudar para lá, foi tão bom, um dia tão feliz, tão feliz... era um passo importante, um início de uma vida a dois, e aquela casa ficará para sempre gravada na minha memória com o nosso "primeiro ninho", ali fomos tão felizes... a Pipa pequenina... (também tivemos um momento de grande stress que nos separou mas essas partes agora não interessam)
Vi-te, no dia do nosso casamento, quando saíste daqui de casa meio nervoso pela responsabilidade do que ías fazer, no teu caso, "outra vez"...
Vi-te quando nasceu o Manel e me disseste que ele tinha "um ar ligeiramente snob" que te agradava... lembro-me tão bem da tua cara ao dizeres isto.
Vi-te na Hungria, na nossa vida, no teu trabalho e a seres um homem de sucesso!
Vi-te a brincar com o Benny lá fora no jardim, deitado na relva e a rires-te à gargalhada... que bom era ouvir-te rir e ver-te divertido.
Vi-te a entrar no quarto quando o Simão estava quase a nascer e lembro-me de pensar que estavas tão bonito nesse dia, com bom aspecto, sentias-te com um bocadinho mais de força nesse dia e estavas tão ansioso...

Vi-te a sorrir para mim e senti o calor do teu abraço através do sol.
O Mar foi dizendo palavras perdidas na imensidão da minha saudade.

Voltei ao trabalho.
Cheguei a casa cedo, a tempo de estar com os meus pais e com os amigos que passaram por cá.
O Manel e o Simão estão bem, hoje foi um dia bom pra eles.

O dia estava lindo. O Mar também.
Parabéns, meu Amor, por teres sido quem foste. Obrigada por tudo o que me dás.
Um beijo especial

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Aquecer a alma

Num sopro apago aquela vela...
que iluminava a tua fotografia, talvez aquecesse a tua alma.
Diz o "povo", que se devem acender velinhas, não sei porquê, mas agora gosto de o fazer. É um ritual, faz parte do final de cada dia.
Cada dia que passa, é mais um dia em que a tua ausência quase me mata!
É tão doloroso viver sem ti que chego a temer que as fraquezas se apoderem das minhas forças, que ganhem esta luta e me deitem ao chão...
Não posso... não posso...
Vou continuar a acender as velinhas, em cada dia, e vou continuar a acreditar que te aquecem a alma... acredito que estás aí quentinho, seja lá onde isso for, estás descansado, apenas, quentinho e descansado. É assim que estás agora. Talvez ao colo da tua mãe, como era quando eras pequenino, quentinho, embrulhado numa mantinha, a descansar.
Lembro-me de me dizeres que tinhas tanto frio... eu embrulhava-te numa manta, aquecia-te os pés, abraçava-te tanto e encostava a tua cabeça fria no meu peito, começavas a acalmar e dizias sempre "Obrigado querida"... e eu que queria tanto poder fazer mais do que fazia, sofrer parte do que sofrias... eu queria poder ter metade do frio que tinhas para não seres só tu a sofrer... era isso que fazia.
Espero que sintas ainda estes pequenos aconchegos.
Amo-te muito, muito. Adoro-te. Dorme quentinho meu amor. Quentinho.
Ja apaguei as velas, vamos dormir!