sexta-feira, 23 de setembro de 2011

a pág do meu diário de hoje..

"Há 1 ano, 4 meses e 1 dia…
E eu ainda não acredito. Às vezes tenho a sensação que não é preciso sofrer, não há razão para este aperto que sinto, não há razão para as lágrimas que os meus olhos deitam… não há… porque nada disto aconteceu. É um sonho. Como naqueles filmes em que tudo se passa e só no fim percebemos que era um sonho ou outra vida…

O Manel começou a chorar quando se foi deitar. Foi ter comigo a chorar e a dizer que tinha saudades do pai. De seguida as perguntas foram saindo cá para fora como se ele tivesse decidido que “hoje vou falar, perguntar, hoje não vou sofrer em silêncio” E assim começou: “o pai deu-me peluches quando eu era pequenino?” “O pai brincava comigo quando eu era pequenino?” “Porque é que o Jesus levou o pai?” “A mãe não viu?”… e entre soluços e choro fui tentando responder… “sim meu amor, sim… o pai brincava muito com o Manel e o Manel adorava brincar com o pai… sim… não… a mãe não viu, ninguém viu, o pai adormeceu e o coraçãozinho do pai nessa noite ficou muito fraquinho, muito fraquinho e parou. Depois vieram os anjinhos com o Jesus e levaram o pai, o Amor, a Alma, é por isso que o pai está lá em cima com o Jesus e ama-nos muito”… “As pessoas todas têm um corpo e uma alma e o Jesus leva as almas para junto d’Ele quando as pessoas ficam velinhas ou doentinhas como o pai”.

“E os médicos mãe, o que é que fizeram ao pai?” “Ajudaram o pai a estar melhor durante uns tempos mas depois não conseguiram curar o dói-dói do pai porque a doença era muito mais forte!!”

“E o pai ficou muito magrinho e muito fraquinho?” “Sim meu amor querido, sim!”

“Tenho tantas saudades do pai…” e foi esta a frase que repetiu intercalada com “quero o pai de volta” durante uns minutos até fechar os olhinhos. Eu deixei de responder e deixei-o chorar, segurei-lhe na mão até ele adormecer.

Fiquei a pensar se teria dito as palavras certas, se teria ajudado um bocadinho a tranquilizar aquele coraçãozinho inocente… só peço a Deus que me ajude a explicar o que eu própria não entendo. Será que o imaginário dos nossos filhos os vai levando por este mundo de perguntas e vão eles próprios tentando perceber as coisas?!

Quando forem mais crescidos saberão entender? Aceitar?

“A mãe também tem saudades do pai?” “Tenho meu querido, tantas, tantas, tantas… mas o pai está aqui… nos nossos corações”

Se calhar... não vale a pena procurar as palavras certas…estas não existem. O que vale a pena é tentar que as palavras mesmo que as erradas ajudem a explicar uma coisa que não tem explicação. "

boa noite

1 comentário:

Luis Santana disse...

Força amiga, beijinhos