domingo, 2 de janeiro de 2011

2011 - Novo Ano

Falei agora no Facebook com uma amiga minha, com quem não estou há muitos anos, mas de quem soube há pouco tempo, pelo facto de os nossos destinos terem sido comparados.
Ela perdeu o marido num acidente de mota, ía no carro com a filha e o marido numa mota à frente... assistiu à morte do seu Amor... há já uns 3 ou 4 anos e disse-me hoje que ainda não acredita...!!

E eu que tinha esperança que ela me desse outra resposta à minha pergunta: "quando é que se começa a acreditar?" E ela responde-me: "ainda não sei" ...

Portanto...

O ano começa exactamente como o outro acaba.
As mesmas dúvidas, a mesma dor, o mesmo sofrimento, as mesmas imagens que me assombram os sonhos e os mesmos medos que me atormentam os dias!

Mas há um pequeno detalhe que está diferente: se eu ainda não tinha percebido a necessidade de "acreditar", agora percebo. Eu tenho, primeiro que tudo, de acreditar, só depois conseguirei aceitar... e sei ainda que "entender" não vai nunca ser possível.

E como tal, entro neste novo ano com uma nova força então... "tenho que acreditar", não sei como, mas é por aí que tenho que começar.

Na noite da passagem de ano, já o Manel e o Simão dormiam há umas horas, antes de me deitar, perto da uma da manhã, depois de ter visto a "Gala não sei-das-quantas", entrei no quarto deles e ajoelhei-me ao fundo das suas camas. Ajoelhei-me como aquelas figuras do presépio ou como aquelas velhinhas que na Igreja juntam as mãos e fecham os olhos... ajoelhei-me, com toda a minha dedicação e total devoção aos meus filhos e disse muito baixinho, não os fosse acordar: "Meus queridos, a mãe jura que vai dar o seu melhor..."

E é isso que vou fazer, em cada dia de 2011.

Na véspera de entrarmos no novo ano, estava com o Manel e com o seu "novo" amigo aqui do Belas, quando em conversa de miúdos, e no seguimento de vários outros comentários do António sobre o trabalho do pai e o carro do pai, aos quais o Manel respondia com coisas tipo: "a minha mãe tb isto ou aquilo"... eis que surge a pergunta temida (por mim, claro) "e o teu pai?" E o Manel respondeu "eu não tenho pai, o meu pai está no céu" , "Ah é? Morreu?" (confesso que a naturalidade das palavras me arrepiou), "Então só tens a tua mãe?" E o meu filho Manel, de 5 anos, de quem eu me orgulho diariamente, sem pestanejar e com um ar sério mas feliz, respondeu:

"NÃO! Tenho a mãe, o mano, a mana, o avô e a avó, o André e a Carolina"

Eu?? Não disse nada, não achei que fosse preciso!

Desejo-vos um ano bom, com muitos momentos alegres, um ano intenso de Amor e Amizade, cheio de coisas boas para recordar. Não se esqueçam de cuidar da vossa saúde e de tentarem dar importância apenas ao que realmente tem!

Beijos e FELIZ ANO DE 2011

5 comentários:

Luis Santana disse...

Esta é a Sandy que eu conheço, força.... Beijos

Unknown disse...

minha querida, és uma mulher fora de série. a sério. tu e a nossa amiga que partilha da mesma dor. a ambas, deixo a minha admiração pelas mulheres em que se tornaram, pela força que encontram na dor, pela coragem com que encaram cada dia e fazem o melhor pelos vossos filhos!

Unknown disse...

querida sunt, cá estou eu a comentar...acreditar não sei qd se começa, mas continuar sei que tem de ser no próprio dia.. tantas coisas para resolver e tantas outras para encarar. Estou diferente, muito diferente e por tudo isto vivo cada dia como se fosse o último. Fiquei mais seca, muito seca e amargurada, mas por tudo isto vivo uma vida feliz com os meus que cá estão e com os que já foram.
Todos os dias são mais um dia, uma vitória! O tempo é tramado, pq ao contrário do que os outros pensam, tráz-nos saudades que apertam muito o coração. O tempo ajuda, ajuda-nos a ensinar a viver sem os que perdemos para o Céu. Não dá para acreditar,só para conformar... Ajuda falar do assunto, fala com os que te estão mais próximos! Um grande beijinho

Unknown disse...

Querida sobrinha sabe que no meio do desgosto há sempre momentos felizes, apesar de tudo... e é neles que nos apoiamos, nem que seja por estar um bonito Sol ou até por estar a chover. Há coisas boas. Força tem a menina por isso digo beijinhos

Unknown disse...

Maísa, minha querida
Eu percebo muito bem o que dizes... mas é engraçado que eu não me sinto "seca" como tu dizes... talvez às vezes seja mais agressiva e menos tolerante, mas tenho outras alturas em que dou tão pouca importância a tanta coisa que encolho os ombros e "deixo andar"... não sei explicar. Amargurada sim... Tens tanta razão quando dizes "que continuar tem que ser no próprio dia", pois foi isso exactamente que senti no próprio dia... "é agora, tem que ser... vamos continuar para a frente"...
Também te deves agarrar à tua filha como eu me agarro aos meus, todos os dias, quando chego a casa, todos os dias quando acordamos... são estes abraços que são como uma vitamina ou uma chávena de chá relaxante...
Eu sei que devia falar...
Venho aqui escrever estas coisas e vão sendo pequenos desabafos... mas a verdade é que eu tenho "tudo cá dentro" fechado a 7 chaves!!!
Não consigo pôr em palavras o que sinto e depois há outra coisa. Eu faço um auto-controlo diário tão grande para não chorar no escritório, em frente às pessoas, em frente aos miúdos, que parece que ando "bloqueada", é horrível!!!
Ainda há pouco estive a trocar umas mensagens com uma colega minha e estava a dizer-lhe que tenho três momentos por dia: quando me levanto e vou trabalhar, quando chego e estou com eles e depois à noite, quando fico eu e este silêncio... aqui sim, choro, falo para as fotografias, ouço músicas e vejo excertos de filmes, vejo fotos e vejo fotos e vejo fotos como se fosse um vício.
Os nossos amigos dizem-nos que temos força, somos um exemplo de coragem... e somos de facto, mas não temos outra hipótese, não é? É o que dizes... portanto não é nenhum feito!!

Às vezes penso que não vou ter coragem para sair da cama no dia seguinte... mas e depois? Como é que era?
Outras vezes tenho tanto medo, tanto medo, de me "pirar da cabeça"... fico aterrorizada comigo mesma se tenho um ataque de nervos, ou se dou comigo a pensar coisas que acho que são perfeitos disparates mas que às tantas fazem sentido em certos momentos... eu sei que me estás a entender... tenho medo que a minha cabeça se perca!!

Eu não falo não... é verdade... devia de falar sim.
Devia de dizer a alguém que me entristece imenso lembrar-me que naquele último dia, o Joaquim estava revoltado comigo porque viveu momentos de alucinação completa e já não "estava nele"... devia dizer a alguém que aquele último olhar dele me fere o coração como se fosse uma espada... se bem que sei que nada disso conta, foi a última vez que ele olhou para mim...
Devia dizer a alguém que o Amo tanto, que o Adoro e não quero viver sem ele...
Devia dizer a alguém que tudo o que o Joaquim sofreu fez dele um herói... um herói de uma história que ainda não acabou... de uma história cujos protagonistas vão ainda ser os seus filhos!

Devia dizer talvez que me parte o coração lembrar aquela cara a sorrir, aquela tranquilidade, sentado na cadeira de rodas, lembrar aqueles olhos azuis tristes e ao mesmo tempo tão bonitos, que me diziam todos os dias "Amo-te tanto minha querida"...

Tenho que falar sim... tenho que começar a "deitar para fora" ...
só não sei se adianta alguma coisa!

Um abraço apertado muito especial para ti