quarta-feira, 19 de março de 2014

O nosso Dia do Pai podia ser qualquer dia!

Querido pai,

 Hoje seria um dia em que nos levavas à escola... Iríamos chegar contentes, como os nossos amigos todos, que chegam com os seus Pais e se despedem dizendo "até logo"... Quando nos fosses buscar teríamos um presente para ti! Irias abrir e dizer "meus amores, adoro! Obrigado, o pai está muito feliz!"

O Dia do Pai não é mais do que um pretexto para um carinho especial, para um trabalho manual dedicado ao pai, é um dia em que podemos ter oportunidade (às vezes esquecida) de relembrar o amor que sentimos e de o dizer sorrindo!

Hoje seria apenas mais um dia... Em que te daríamos um abraço apertado ao acordar... Em que tu nos irias dizer o quanto nos adoras... Era apenas mais um dia em que iríamos partilhar carinhos e amor, mais um dia igual aos outros em que quando chegasses assobiavas e nós corríamos para ti "Paaaaaaaaiiii"

Sim, o dia do Pai é uma oportunidade para fazermos coisas com o Pai... Mas essa oportunidade pode acontecer em qualquer outro dia. Na nossa vida aconteceram muitos dias contigo, muito especiais...

Hoje é um dia em que podemos ter oportunidade de jantar com amigos, com os avós, com a família, com a mana... É um dia bom, pois podemos recordar o nosso Pai e contar a toda a gente quem ele era e como nos amava... TODOS os dias...

 Não sabemos bem... Como seriam esses dias todos... Cada dia, cada acordar, cada adormecer, cada brincadeira, cada abraço... Vivemos na imaginação de como seria e sentimos o nossos corações quentinhos quando a mãe nos diz "o Pai está muito orgulhoso e ama-vos muito"

 Querido Pai, hoje vamos pôr o presente na "tua caixinha", vamos jantar com amigos e com o Pai deles que é também nosso amigo. Vamos sentir o calor do teu Amor no nosso coração pequenino cheio desta grande saudade!

 Obrigado querido Pai por teres sido quem foste e por nos teres deixado a melhor herança de todas: o teu exemplo de saber Amar!

 Manuel e Simão

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Viver o importante nesta imensa saudade

No meio de tanta agitação habitual do dia-a-dia, tanta correria, coisas para tratar, preocupações e decisões... É muito fácil cair na tentação de dar importância ao irrelevante. Não é fácil, é mais que isso, é frequente... Recorrente. Pior, é o que nos faz depois sentir culpados por falharmos com pequenas coisas. Tudo junto começa a ser importante, e muitas pequenas coisas começam a parecer uma grande coisa.

Tomei consciência de que me estava a deixar levar por uma corrente negativa de exageros naquilo que fazia. Chegava a casa já à espera de que tivesse acontecido alguma coisa que me iria irritar... Irritava-me já sabendo que não me ia controlar e descontrolava-me na certeza de que me iria arrepender. Solução? Não há. Mas tomar consciência de que estamos a fazer errado já é muito bom.

De repente dou comigo a pensar: "até parece que és uma mãe normal... Até parece que és igual a todas as outras mães... Até parece que os teus filhos são iguais a todos os outros filhos de todas as outras mães...!"

Na realidade... Eu não sou uma mãe igual às outras e os meus filhos são diferentes da maioria dos outros. Portanto, tenho que me comportar como tal. Eu não tenho desculpa. Tenho mais que obrigação de saber melhor, de perceber melhor e tenho mais que a obrigação de fazer melhor. Porquê?

Porque...
Eu sou uma mãe que quando estava grávida do seu 2 filho, de 5 meses, recebo a notícia de que o meu marido, o meu amor, o pai dos meus filhos, estava com um cancro nos pulmões, em fase terminal, com metástases espalhadas pelo resto do corpo. Fui à consulta com ele quando o médico nos explicou tim-tim por tim-tim o que se estava a passar. "Não tem cura, não é operável, vamos fazer tratamentos para lhe proporcionar a melhor qualidade de vida possível"...
Durante quanto tempo? Não nos disse...
Nesse dia, o pai dos meus filhos que eu tanto amava e que tanto me adorava fez-me uma promessa que não sabia possível de não cumprir. "Meu amor, não é desta, acredita, eu não vou morrer assim... Tenho que cuidar de ti e dos nossos filhos. Não te preocupes, não vai ser desta...!"  - sentados num banco de jardim em Valbom, de mãos dadas ficamos em silêncio, como se nada existisse à nossa volta.

Porque eu sou uma mãe... Que durante dois anos lutou pela vida do pai dos seus filhos, fez de tudo o que podia para que ele estivesse o melhor possível.

Porque...
Eu sou uma mãe que teve que explicar o inexplicável aos seus filhos. Uma mãe que teve que dizer que "o pai foi com o Jesus para o céu"... Que teve que pegar nos seus filhos e sem chorar dizer-lhes "vai tudo correr bem, não se preocupem, a mãe vai estar sempre aqui, temos o pai no nosso coração!"

Porque é que eu sou uma mãe diferente?
Porque tenho que responder a perguntas para as quais não tenho resposta.
"Oh mãe, porque é que o pai não pode descer pela chuva?"
"Quando é que o pai volta?"
"Porque é que o Pai morreu?"

Porque apesar de não ter estas respostas tenho que dizer sempre alguma coisa, nem que seja:"não sei, meu amor, a mãe também não sabe"... E só Deus sabe o quanto me dói, me consome por dentro ver o sofrimento dos meus filhos, vê-los chorarem de saudades do pai, vê-los sofrerem com a ausência de quem mais lhes faz falta.

Eu sou uma mãe com a obrigação de saber gerir as pequenas coisas pois afinal... Estas são as grandes e é para estas que eu tenho que ter força, é para estas grandes que eu tenho que ter toda a calma do mundo, portanto não me posso ir esgotando aos poucos com as outras pequenas coisas. Eu tenho obrigação de não me esquecer nem por um instante do que é realmente importante.

Hoje, passados 3 anos e 9 meses, continuo  na certeza de que jamais irei entender. Mas começo finalmente a saber encontrar a serenidade para poder aceitar. Vivo hoje a esperança de conseguir "viver com saudade e não na saudade" (obrigada JCB)

"Mãe, tenho saudades do pai...!"
É por isto que os meus filhos são diferentes. Viver nesta saudade com tanta alegria e amor não é para todos... E eles sabem fazê-lo e sabem, todos os dias, mostrar-me que isso sim é realmente importante. Porque tal como hoje, tantas outras vezes, conseguem tranquilizar-me, amar-me e dizerem sem falar :"está tudo bem, vamos estar sempre aqui"

Obrigada meu Amor, pela força de vida que me deixaste, pelos frutos que me deste.
Cumpriste a promessa sim, porque tu não morreste, estarás sempre em nós, vivo nos nossos corações!

Boa noite, até amanhã.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Its not a goodbye

... Não, não foi um adeus.
Até voltar a ver o teu sorriso e a sentir o teu cheiro...
Não foi um adeus.
Estarei aqui até chegar a altura do nosso próximo beijo
Do nosso próximo abraço.
Como se consegue seguir em frente com tamanha saudade?
Sim... Não foi um adeus!!

Até te reencontrar ,
Aqui estarei a lembrar... Tudo o que és para mim!

(...)