(Hoje à tarde, na cozinha, enquanto lanchávamos)
Simão: "A mãe está triste?"
Eu: "Não querido, não estou"
Simão: "Está zangada?"
Eu: "Não meu amor, também não estou zangada!" (e sorri)
Manu: "Eu estou triste!"
Simão: "Porquê?"
Manu: "Porque tenho muitas saudades do pai!"
Eu: "Temos sempre não é meus queridos?!"
Simão: "Mas não é preciso termos saudades do pai, mãe!"
Eu: "Não?"
Simão: "Não! Porque o pai está no nosso coração!"
Hoje foi Domingo, não fomos à missa nem saímos sequer de casa... e o dia esteve tão cinzento...
Aqui está quentinho, temos a lareira acesa e o pai no coração!
Beijinhos a todos e uma boa semana!
... cheia de momentos bons para recordar! (INACTIVO ... ÚLTIMO POST A 2 DE JANEIRO DE 2015)
domingo, 13 de janeiro de 2013
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Um dia com menos sorrisos
Já passaram 2 anos e 5 meses...
Têm sido tempos de luta... uma luta diferente!
Ainda sinto a chave na porta, o cheiro na roupa... ainda durmo do meu lado na cama ( A Rosa Lobato Faria no livro "Morrer é só não ser visto" dizia isto, que não conseguia dormir no meio da cama, continuava do "seu lado" e eu achei engraçado pois eu fazia o mesmo e ainda faço)
Há progressos a registar, sem dúvida.
E o tempo tem ajudado a conviver com esta dor, a gerir os sentimentos... é verdade sim, o tempo ajuda, vai fazendo que nos habituemos cada vez mais, com que suportemos cada vez melhor talvez.
Há tantas memórias felizes... tantas! Que seria de mim se assim não fosse!
O Manu&Ximas (dupla de guerreiros corajosos) têm-me mostrado em cada dia a verdadeira missão que tenho nas mãos. Hoje e no futuro. Tratar deles, olhar por eles, dar-lhes tudo o que posso e sei para os ajudar a crescer. E também tenho aprendido que não posso querer (como achava que era minha obrigação) dar-lhes resposta para tudo e saber tudo o que eles precisam... não posso realmente. E é bom ir percebendo quais são os nossos limites, isso também nos ajuda a caminhar mais tranquilamente. Também percebi, passados estes 2 anos que preciso de me cuidar a mim para conseguir estar bem para eles.
O futuro está "tremido" com tanta crise e aparato... Deus saberá como vão acontecer as coisas daqui para a frente... eu isso não sei e já decidi que não vou viver preocupada com coisas que não estão nas "minhas mãos". Em mãos já tenho tarefas tão difíceis que muito feliz fico em cada conquista, em cada dia que passa e fui capaz, consegui! Há muitos em que não sou, não consigo ... mas a minha "crise" é outra... o resto vai-se resolvendo!
Esteja o pai onde estiver, acredito que está orgulhoso de nós. Acredito que apesar de tantas vezes "falhar", ele vê que me esforço e dou o meu melhor.
Hoje está um dia de chuva... amanhã será um dia de sol!
Hoje podemos não ter vontade de sorrir... amanhã acordamos e damos uma gargalhada... até porque há quem diga que "rir é o melhor remédio"!
Obrigada pela vossa presença na minha vida.
Mais uma vez vos digo que aproveitem, aproveitem o que têm... todos os dias!
Muitos beijinhos
Até logo
Têm sido tempos de luta... uma luta diferente!
Ainda sinto a chave na porta, o cheiro na roupa... ainda durmo do meu lado na cama ( A Rosa Lobato Faria no livro "Morrer é só não ser visto" dizia isto, que não conseguia dormir no meio da cama, continuava do "seu lado" e eu achei engraçado pois eu fazia o mesmo e ainda faço)
Há progressos a registar, sem dúvida.
E o tempo tem ajudado a conviver com esta dor, a gerir os sentimentos... é verdade sim, o tempo ajuda, vai fazendo que nos habituemos cada vez mais, com que suportemos cada vez melhor talvez.
Há tantas memórias felizes... tantas! Que seria de mim se assim não fosse!
O Manu&Ximas (dupla de guerreiros corajosos) têm-me mostrado em cada dia a verdadeira missão que tenho nas mãos. Hoje e no futuro. Tratar deles, olhar por eles, dar-lhes tudo o que posso e sei para os ajudar a crescer. E também tenho aprendido que não posso querer (como achava que era minha obrigação) dar-lhes resposta para tudo e saber tudo o que eles precisam... não posso realmente. E é bom ir percebendo quais são os nossos limites, isso também nos ajuda a caminhar mais tranquilamente. Também percebi, passados estes 2 anos que preciso de me cuidar a mim para conseguir estar bem para eles.
O futuro está "tremido" com tanta crise e aparato... Deus saberá como vão acontecer as coisas daqui para a frente... eu isso não sei e já decidi que não vou viver preocupada com coisas que não estão nas "minhas mãos". Em mãos já tenho tarefas tão difíceis que muito feliz fico em cada conquista, em cada dia que passa e fui capaz, consegui! Há muitos em que não sou, não consigo ... mas a minha "crise" é outra... o resto vai-se resolvendo!
Esteja o pai onde estiver, acredito que está orgulhoso de nós. Acredito que apesar de tantas vezes "falhar", ele vê que me esforço e dou o meu melhor.
Hoje está um dia de chuva... amanhã será um dia de sol!
Hoje podemos não ter vontade de sorrir... amanhã acordamos e damos uma gargalhada... até porque há quem diga que "rir é o melhor remédio"!
Obrigada pela vossa presença na minha vida.
Mais uma vez vos digo que aproveitem, aproveitem o que têm... todos os dias!
Muitos beijinhos
Até logo
domingo, 6 de maio de 2012
Mãe há 7 anos
Faz amanhã 7 anos que fui mãe (verdadeira) pela 1ª vez...
Dia 7 de Maio de 2005, pelas 7 da manhã rebentaram-me as àguas...
Acordei com uma sensação estranha de ter estado a sonhar. Fui à casa-de-banho perceber o que se passava. A Pipa (minha filha já tb mas "emprestada") veio ter comigo curiosa. "Querida, vai dizer ao pai que o mano Manuel vai nascer"... ela ficou com um sorriso do tamanho do seu nervosismo. "Com calma, meu amor, está tudo certo, vai só avisar o pai enquanto eu tomo um duche rápido".
Eram umas 9 horas quando demos entrada na Cruz Vermelha Portuguesa. O Pai, com o seu ar tranquilo confessou-me estar nervoso como se fosse a 1ª vez.
"Trabalho de Parto!" Chamam ao momento em que a mãe começa a ter contracções e tudo começa a "mexer", a dilatar, etc... acho eu que é isso. No corredor ouvia-se uma mulher aos gritos e eu comecei a suar. "Que horror, que é isto?" Não pode ser assim tão mau, pensava eu! "Não querida, aquela tem outra coisa qualquer, não te preocupes" Aos poucos achei que o pai estava meio branco... a perder a cor.
O médico estava fora, era fim-de-semana. o J não conseguia falar com ele.
As contracções continuavam, as dores já eram muitas, a maquineta apitava e as Enfermeiras íam entrando e comentando, "Então? Está quase?... vamos lá..."... e pelo que percebia a dilatação estava a acontecer mais devagar do que era suposto.
"O médico já vem a caminho meu amor", disse-me o pai que já tinha ido fumar uns quantos cigarros lá fora... entretanto a dita da Epidural... oh maravilha... quem inventou isto nem imagina o bem que fez ao mundo! A partir daí venham as dores todas... é o que quiserem!...
O bébé era cabeçudo e começou a querer sair e entrava, a querer sair e entrava... Puseram-me uma boca de oxigénio e só ouvi "tem que respirar para o seu bébé, ele está a sufocar"... a partir deste momento deixei de ver ou ouvir. Fechei os olhos e respirei com toda a minha energia enquanto pensava "vá meu bébé querido, vai tudo correr bem, vamos ser capazes"... lembro-me de sentir a mão do Joaquim a apertar a minha com imensa força. sabia que ele estava ali.
Entre chegar o médico e mandar-me para Cesariana foi um "pulo" "Acabou, acabou, vamos para cesariana, não vais passar por isto!"...
O Pai entrou comigo e quando dou conta tenho o Anestesista e o Joaquim a "discutirem" futebol... Com aquela cortina à frente, eles ao lado da minha cabeça... eu a sentir que me estavam a "mexer" cá por dentro... de repente, a cortina é desviada, o anestesista levantou-me a cabeça e diz "Olhe aqui, esta parte é digna de se ver..." E vi, aquele foi o momento mais mágico da minha vida, o meu bébé a sair cá de dentro... finalmente.
"Ah... que belo rapaz... por isso estavas a dar tanto trabalho... és grande comó caraças" - estas foram as palavras do meu médico, seguidas de outra frase antes que eu perguntasse; "correu tudo bem, filha, ele está óptimo" Lembro-me do anestesista me dizer que podia usar bikini Brasileiro e tudo, para não me preocupar.
Quando vi o Manel pela 1ª vez não consegui controlar as lágrimas de alívio e senti-lo junto da minha cara foi quando percebi o que era ser mãe. Como uma leoa que se esfrega na sua cria.
"Eras tu meu amor... está tudo bem, a mãe está aqui"
O Pai deu-me um beijinho na testa e disse: "Boa querida, já está! Amo-te muito!"
Já no quarto, depois de tudo o resto que se segue, vejo o Joaquim pegar no Manel e dizer "Hum, tem um olhar ligeiramente snob que me agrada!" Esta frase ficou na "História"... e a imagem de o ver pegar no nosso filho com tanto amor e ternura, tenho-a neste momento como se tivesse acontecido ontem.
Passaram 7 anos. Este bébé tem sido um lutador, um verdadeiro campião. Foi viver para a Hungria, cresceu no meio de gentes diferentes e aprendeu a ser "internacional" bem depressa e sem qualquer problema. Viu o pai adoecer e aprendeu a viver com a dor e a mágoa de ver o pai sofrer. Foi sendo feliz e gerindo as suas próprias emoções. Perdeu o pai, e está ainda a aprender a viver sem ele. Todos os dias reza ao Jesus e "manda beijinhos", e quase todos os dias me pergunta: "Porquê?" Tem aprendido a viver com as dúvidas que o assombram e para as quais ninguém tem resposta. Tem vivido tranquila e serenamente tanto quanto é possivel acontecer. É o meu melhor amigo, um grande companheiro. Ajuda-me imenso e ao seu irmão. Quem o conhece diz-me que "é um amor".
Os nossos filhos são sempre especiais. Cada um ao seu jeito, com as suas qualidades e alguns defeitos. Mas este nosso (meu) filho, é muito especial. Já passou por tanta coisa, tanta coisa e ainda é tão pequenino.
Faz 7 anos e é o meu (nosso) orgulho.
PARABÉNS meu querido bébé.
E hoje, neste dia da Mãe, parabéns a todas as mães de bébés "especiais".
Beijinho
SP
Dia 7 de Maio de 2005, pelas 7 da manhã rebentaram-me as àguas...
Acordei com uma sensação estranha de ter estado a sonhar. Fui à casa-de-banho perceber o que se passava. A Pipa (minha filha já tb mas "emprestada") veio ter comigo curiosa. "Querida, vai dizer ao pai que o mano Manuel vai nascer"... ela ficou com um sorriso do tamanho do seu nervosismo. "Com calma, meu amor, está tudo certo, vai só avisar o pai enquanto eu tomo um duche rápido".
Eram umas 9 horas quando demos entrada na Cruz Vermelha Portuguesa. O Pai, com o seu ar tranquilo confessou-me estar nervoso como se fosse a 1ª vez.
"Trabalho de Parto!" Chamam ao momento em que a mãe começa a ter contracções e tudo começa a "mexer", a dilatar, etc... acho eu que é isso. No corredor ouvia-se uma mulher aos gritos e eu comecei a suar. "Que horror, que é isto?" Não pode ser assim tão mau, pensava eu! "Não querida, aquela tem outra coisa qualquer, não te preocupes" Aos poucos achei que o pai estava meio branco... a perder a cor.
O médico estava fora, era fim-de-semana. o J não conseguia falar com ele.
As contracções continuavam, as dores já eram muitas, a maquineta apitava e as Enfermeiras íam entrando e comentando, "Então? Está quase?... vamos lá..."... e pelo que percebia a dilatação estava a acontecer mais devagar do que era suposto.
"O médico já vem a caminho meu amor", disse-me o pai que já tinha ido fumar uns quantos cigarros lá fora... entretanto a dita da Epidural... oh maravilha... quem inventou isto nem imagina o bem que fez ao mundo! A partir daí venham as dores todas... é o que quiserem!...
O bébé era cabeçudo e começou a querer sair e entrava, a querer sair e entrava... Puseram-me uma boca de oxigénio e só ouvi "tem que respirar para o seu bébé, ele está a sufocar"... a partir deste momento deixei de ver ou ouvir. Fechei os olhos e respirei com toda a minha energia enquanto pensava "vá meu bébé querido, vai tudo correr bem, vamos ser capazes"... lembro-me de sentir a mão do Joaquim a apertar a minha com imensa força. sabia que ele estava ali.
Entre chegar o médico e mandar-me para Cesariana foi um "pulo" "Acabou, acabou, vamos para cesariana, não vais passar por isto!"...
O Pai entrou comigo e quando dou conta tenho o Anestesista e o Joaquim a "discutirem" futebol... Com aquela cortina à frente, eles ao lado da minha cabeça... eu a sentir que me estavam a "mexer" cá por dentro... de repente, a cortina é desviada, o anestesista levantou-me a cabeça e diz "Olhe aqui, esta parte é digna de se ver..." E vi, aquele foi o momento mais mágico da minha vida, o meu bébé a sair cá de dentro... finalmente.
"Ah... que belo rapaz... por isso estavas a dar tanto trabalho... és grande comó caraças" - estas foram as palavras do meu médico, seguidas de outra frase antes que eu perguntasse; "correu tudo bem, filha, ele está óptimo" Lembro-me do anestesista me dizer que podia usar bikini Brasileiro e tudo, para não me preocupar.
Quando vi o Manel pela 1ª vez não consegui controlar as lágrimas de alívio e senti-lo junto da minha cara foi quando percebi o que era ser mãe. Como uma leoa que se esfrega na sua cria.
"Eras tu meu amor... está tudo bem, a mãe está aqui"
O Pai deu-me um beijinho na testa e disse: "Boa querida, já está! Amo-te muito!"
Já no quarto, depois de tudo o resto que se segue, vejo o Joaquim pegar no Manel e dizer "Hum, tem um olhar ligeiramente snob que me agrada!" Esta frase ficou na "História"... e a imagem de o ver pegar no nosso filho com tanto amor e ternura, tenho-a neste momento como se tivesse acontecido ontem.
Passaram 7 anos. Este bébé tem sido um lutador, um verdadeiro campião. Foi viver para a Hungria, cresceu no meio de gentes diferentes e aprendeu a ser "internacional" bem depressa e sem qualquer problema. Viu o pai adoecer e aprendeu a viver com a dor e a mágoa de ver o pai sofrer. Foi sendo feliz e gerindo as suas próprias emoções. Perdeu o pai, e está ainda a aprender a viver sem ele. Todos os dias reza ao Jesus e "manda beijinhos", e quase todos os dias me pergunta: "Porquê?" Tem aprendido a viver com as dúvidas que o assombram e para as quais ninguém tem resposta. Tem vivido tranquila e serenamente tanto quanto é possivel acontecer. É o meu melhor amigo, um grande companheiro. Ajuda-me imenso e ao seu irmão. Quem o conhece diz-me que "é um amor".
Os nossos filhos são sempre especiais. Cada um ao seu jeito, com as suas qualidades e alguns defeitos. Mas este nosso (meu) filho, é muito especial. Já passou por tanta coisa, tanta coisa e ainda é tão pequenino.
Faz 7 anos e é o meu (nosso) orgulho.
PARABÉNS meu querido bébé.
E hoje, neste dia da Mãe, parabéns a todas as mães de bébés "especiais".
Beijinho
SP
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