domingo, 6 de maio de 2012

Mãe há 7 anos

Faz amanhã 7 anos que fui mãe (verdadeira) pela 1ª vez...
Dia 7 de Maio de 2005, pelas 7 da manhã rebentaram-me as àguas...
Acordei com uma sensação estranha de ter estado a sonhar. Fui à casa-de-banho perceber o que se passava. A Pipa (minha filha já tb mas "emprestada") veio ter comigo curiosa. "Querida, vai dizer ao pai que o mano Manuel vai nascer"... ela ficou com um sorriso do tamanho do seu nervosismo. "Com calma, meu amor, está tudo certo, vai só avisar o pai enquanto eu tomo um duche rápido".

Eram umas 9 horas quando demos entrada na Cruz Vermelha Portuguesa. O Pai, com o seu ar tranquilo confessou-me estar nervoso como se fosse a 1ª vez.

"Trabalho de Parto!" Chamam ao momento em que a mãe começa a ter contracções e tudo começa a "mexer", a dilatar, etc... acho eu que é isso. No corredor ouvia-se uma mulher aos gritos e eu comecei a suar. "Que horror, que é isto?" Não pode ser assim tão mau, pensava eu! "Não querida, aquela tem outra coisa qualquer, não te preocupes" Aos poucos achei que o pai estava meio branco... a perder a cor.
O médico estava fora, era fim-de-semana. o J não conseguia falar com ele.

As contracções continuavam, as dores já eram muitas, a maquineta apitava e as Enfermeiras íam entrando e comentando, "Então? Está quase?... vamos lá..."... e pelo que percebia a dilatação estava a acontecer mais devagar do que era suposto.

"O médico já vem a caminho meu amor", disse-me o pai que já tinha ido fumar uns quantos cigarros lá fora... entretanto a dita da Epidural... oh maravilha... quem inventou isto nem imagina o bem que fez ao mundo! A partir daí venham as dores todas... é o que quiserem!...

O bébé era cabeçudo e começou a querer sair e entrava, a querer sair e entrava... Puseram-me uma boca de oxigénio e só ouvi "tem que respirar para o seu bébé, ele está a sufocar"... a partir deste momento deixei de ver ou ouvir. Fechei os olhos e respirei com toda a minha energia enquanto pensava "vá meu bébé querido, vai tudo correr bem, vamos ser capazes"... lembro-me de sentir a mão do Joaquim a apertar a minha com imensa força. sabia que ele estava ali.

Entre chegar o médico e mandar-me para Cesariana foi um "pulo" "Acabou, acabou, vamos para cesariana, não vais passar por isto!"...

O Pai entrou comigo e quando dou conta tenho o Anestesista e o Joaquim a "discutirem" futebol... Com aquela cortina à frente, eles ao lado da minha cabeça... eu a sentir que me estavam a "mexer" cá por dentro... de repente, a cortina é desviada, o anestesista levantou-me a cabeça e diz "Olhe aqui, esta parte é digna de se ver..." E vi, aquele foi o momento mais mágico da minha vida, o meu bébé a sair cá de dentro... finalmente.

"Ah... que belo rapaz... por isso estavas a dar tanto trabalho... és grande comó caraças" - estas foram as palavras do meu médico, seguidas de outra frase antes que eu perguntasse; "correu tudo bem, filha, ele está óptimo" Lembro-me do anestesista me dizer que podia usar bikini Brasileiro e tudo, para não me preocupar.

Quando vi o Manel pela 1ª vez não consegui controlar as lágrimas de alívio e senti-lo junto da minha cara foi quando percebi o que era ser mãe. Como uma leoa que se esfrega na sua cria.

"Eras tu meu amor... está tudo bem, a mãe está aqui"

O Pai deu-me um beijinho na testa e disse: "Boa querida, já está! Amo-te muito!"

Já no quarto, depois de tudo o resto que se segue, vejo o Joaquim pegar no Manel e dizer "Hum, tem um olhar ligeiramente snob que me agrada!" Esta frase ficou na "História"... e a imagem de o ver pegar no nosso filho com tanto amor e ternura, tenho-a neste momento como se tivesse acontecido ontem.

Passaram 7 anos. Este bébé tem sido um lutador, um verdadeiro campião. Foi viver para a Hungria, cresceu no meio de gentes diferentes e aprendeu a ser "internacional" bem depressa e sem qualquer problema. Viu o pai adoecer e aprendeu a viver com a dor e a mágoa de ver o pai sofrer. Foi sendo feliz e gerindo as suas próprias emoções. Perdeu o pai, e está ainda a aprender a viver sem ele. Todos os dias reza ao Jesus e "manda beijinhos", e quase todos os dias me pergunta:  "Porquê?" Tem aprendido a viver com as dúvidas que o assombram e para as quais ninguém tem resposta. Tem vivido tranquila e serenamente tanto quanto é possivel acontecer. É o meu melhor amigo, um grande companheiro. Ajuda-me imenso e ao seu irmão. Quem o conhece diz-me que "é um amor".

Os nossos filhos são sempre especiais. Cada um ao seu jeito, com as suas qualidades e alguns defeitos. Mas este nosso (meu) filho, é muito especial. Já passou por tanta coisa, tanta coisa e ainda é tão pequenino.

Faz 7 anos e é o meu (nosso) orgulho.
PARABÉNS meu querido bébé.

E hoje, neste dia da Mãe, parabéns a todas as mães de bébés "especiais".

Beijinho
SP

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Hora de Almoço

Estou na minha hora de almoço...

Estranho, nunca fui de fazer "vingar" os horários, "hora de saída", a "minha hora de almoço"... fico doida quando percebo que alguém sentado no seu lugar, onde se presta alguma espécie de serviço, nos dizem "estou na minha hora de almoço", que é como quem diz: "agora estou a pentear macacos, a coçar a micose, a navegar na net - se bem que para isso não há hora nos milhares de postos de trabalho em Portugal Continental e Ilhas - estou a fazer nada, só sentada no meu lugar, mas a trabalhar na minha hora do almoço é que ninguém me apanha de certeza".

Direitos... são direitos! Eu tenho o DIREITO de ter hora de almoço e tenho todo o DIREITO de sair à hora...

Há 2 dias descobri que a minha empregada doméstica colou na porta de um armário na cozinha, ao lado da lista de afazeres que ali deixei (como que um pequeno resumo das inúmeras tarefas que não quero que ela se esqueça), mas portanto, colou um calendário onde anota os "10 min" ou "15 min" de atraso quando eu chego depois da "sua hora"... Eu preferia, claro está, que ela se preocupasse mais com a lista que tem ao lado do que com os minutos que pontualmente tem que esperar por mim. Ela deveria, obviamente, preocupar-se com a lista dos seus DEVERES e não com o seu DIREITO de sair "à hora". Até porque se formos a ver, um horário das 13h às 19h, quer dizer que a pessoa deveria chegar antes da hora para que às 13h começasse efectivamente a produzir... não é chegar às 13h, vestir a bata, beber um copo de água...

Num escritório "normal" as pessoas COMEÇAM a chegar às 9h, ligam o computador, arrumam a comidinha na copa... depois vão "lá a baixo" tomar o pequeno almoço, voltam e tomam o café porque é à borla... e vão então começar a trabalhar, isto já são 10:20 mais ou menos... mas se "a hora de sair" é às 17h, meus amigos... "está na minha hora" e às 16:50 a malta começa a arrumar a trouxa... para sair "à hora"....

Ter um emprego é muito bom, nos dias de hoje - é o que dizem!

O telefone está a tocar... ignoro... ainda estou na "minha hora de almoço"... :-)

Mas pronto! Hoje fiz "hora de almoço" apesar de não ter saido daqui... mas estou a olhar para o relógio, faltam apenas 3 min para ter que voltar ao trabalho...

Ah! E vou sair "à hora"... apesar de ter chegado um bocadinho atrasada de manhã... mas pronto, acontece, sou mãe de 2 filhos e hoje tive que lavar o cabelo e não me apeteceu levantar mais cedo... e pronto, acontece! Mas tenho todo o DIREITO de sair na "minha hora".

Ciao
Bye-bye
Até logo
Beijinhos