segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Hoje vou escrever...

Chego aqui e vejo que a minha última mensagem é de Outubro ... como é possivel?
Eu que tanto escrevo em pensamento... escrevo, escrevo... tanto, tanto!

Mas a realidade é que esta vida tem sido alucinante...
Cada um pensa:"também a minha!!" O que terá a minha vida de mais alucinante que a dos outros? Não faço ideia... o que sei é que o pouco tempo que me tem sobrado tem sido para dormir em pé ou bater com a cabeça no teclado quando acho que vou conseguir tratar de coisas que tenho tão atrasadas... contas por pagar ou cartas de reclamação por escrever... Reclamações de quê? Sei lá... multas, acertos de estimativas nas facturas... coisas sem interesse nenhum.

Desde Outubro, quando fui operada ao joelho esquerdo, tenho vindo a descobrir que os meus ossos são de fraca raça... e que não seja hereditário pois a avaliar pelo Simão, que partiu um braço, espero que tenha sido a 1ª e última...

Dois meses e meio de fisioterapia, non-stop, loucura total... e mais gelo, e mais exercícios ao fds, sem parar, nada de preguiças... nada de pegar em pesos e nem pensar em fazer uma "vidinha normal" pois muito descanço a essas pernocas é o que é preciso. Um dia na fisioterapia dei um jeito ao outro joelho (o que não foi operado portanto)... pára tudo! Nova consulta... fisioterapia aos dois joelhos!!! Quando deixei de andar de muletas nem queria acreditar... ter os braços livres, uau! Que alívio. Depressa o contentamento se foi esmifrando pois as dores no braço direito começaram a ser insuportáveis, um dia, mal conseguia levantar o braço e não tinha força para pegar num copo. "Epicondilite" Epiconti ... quê?? Sim, sim, é a dor dos tenistas, daqueles desportistas a tempo inteiro que jogam muito ténis... é o meu caso portanto! Tratamento à base de? DESCANSO... não mexer o braço, não pegar em absolutamente nada, pôr emplastros e muito gelo, muito muito gelo. (Se alguém precisar daquelas coisas de pôr no congelador, além dos sacos de ervilhas, que tb resultam muito bem, eu tenho várias de espécies diferentes, mais pequena, maior, de sementes, de gel, para os braços ou joelhos, há para tudo)

O esforço em cumprir com o aconselhado foi imenso e até estava a ficar melhor...

Trim trim... "Daqui fala do Colégio Vasco da Gama" Oh Deus, isto não está a acontecer! O Simão partiu o Úmero (quando a enfermeira me disse eu percebi "ombro" e fui até ao hospital a pensar que estaria com fractura exposta... not nice) entrou no bloco de operações ainda de manhã, não havia outra solução, apenas pôr uns ferros para que o osso ficasse no sítio sem falhas, caso contrário poderia ter problemas no crescimento do braço.

Dois dias de hospital, agora aqui, agora raiox, depois para ali... e quem é que pegava no Simão? A mãe claro! Lá se vai a Epicondilite pó raio que a parta... o que é que isso interessa? O meu filhote de 3 anos está a sofrer, cheio de dores, não tira os olhos de mim e só eu o tranquilizo... quando voltámos para casa no 2º dia... senti-me como se tivesse ido à frente da linha de batalha e voltara. Mesmo ali à frente onde se sentem os balásios passar ao lado, graças a Deus não nos acertam mas só o passar faz nódoas negras... mesmo ali onde se grita e está escuro... depois pronto, estávamos em casa. "Home sweet home"

O resto foi-se gerindo, cada um à sua maneira...

Agora, o Simãozinho já tirou o gesso, está a recuperar lindamente, já está melhor da constipação, amanhã já vai ao Colégio.
O Manel tem andado óptimo, cresceu imenso, de repente, as calças que vestia na semana passada estão a 1 palmo dos tornozelos... lá teve a mãe que ir aos saldos, que chatice... e se calhar ainda tenho que voltar... ;-)

Eu ando no ginásio a tentar fortalecer os joelhos, ainda me dói o braço mas mantenho a esperança de que vai passar de repente, de um dia para o outro.

Tenho vivido a ausência do Joaquim de outra forma. Tenho saudades permanentes ao longo do dia, da noite, mas aos poucos consigo ter saudades dele e não lamentar tanto o que o vi sofrer... não sei explicar. Uma amiga minha no outro dia disse-me que não o posso "prender", ele tem "que ir" ... vá-se lá entender o que isto quer dizer, mas eu percebi. Eu não posso obrigar os sentimentos a reviverem a parte do sofrimento, isso não está certo. O que tenho que fazer é apenas sentir esta saudade e viver esta dor, recordando quem ele era e quem eu era, quem nós éramos juntos. Eu sei que ele está sempre aqui connosco, sempre. Esteve no Hospital com o Simão, ao lado dele, no bloco, onde eu não pude estar, e depois connosco, no quarto, ele estava lá e tranquilizava-me, e dizia-me baixinho "está tudo bem, meu amor, o nosso bébé está bem..."

Todas as noites quando me deito ele está lá e é com ele que eu dou o suspiro do adormecer... é a sentir o seu abraço e beijo de boa noite.

Já passaram 19 meses, 1 ano e 7 meses... está tudo bem, meu amor, nós estamos bem.

Hoje decidi escrever e decidi que vou escrever outro blog...
O dos quarenta anos...

Boa noite. Até amanhã

sábado, 15 de outubro de 2011

espécie de dor

E aqui estou...
Deitada, de pernas estendidas. Não é fácil... esta sensação de limitação. Dói-me tudo um pouco...
O coração, dor de recordar o meu Amor na cama, limitado, cheio de paciência, sempre à espera de alguma coisa, a sofrer, sem reclamar.
Dor de pensar no futuro, do quanto tenho medo de ficar com algum problema nos joelhos que não me permita "ser normal"... brincar, correr, jogar, ainda tenho muita coisa para fazer, ainda tenho que pegar nos meus filhos ao colo muitas vezes...
Dói-me ver o quanto os meus pais se dedicam coitados, também eles com dores, em sacrifício, já não vão para novos e continuam a dar, a dar... dar e dar...
Ainda o que me dói menos é o joelho operado ! ;-)

Beijinhos
Até logo!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

Fernando Pessoa