segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

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"...Tinha passado a noite com uma sensação esquisita, como se me faltasse qualquer coisa, queria ter ficado lá a dormir mas achava que tinha decidido bem, o Joaquim ía dormir a noite toda, não se justificava, depois íamos dormir alternadamente, um em cada noite, para o Joaquim nunca ficar sózinho... quando saí do Hospital, pedi à Enfermeira que me ligasse caso o Joaquim acordasse e perguntasse por mim (ainda achava possivel ele voltar à sua consciência). De manhã, percebi que o meu telefone se tinha desligado. A enfermeira ligou-me às 5 da manhã e eu sem telefone. Nunca me vou perdorar por não ter lá ficado nessa noite.
Ali estava eu, na sala da nossa casa, os nossos filhos a brincarem com os avós... fiquei sem forças, como se de repente, o meu corpo tivesse congelado. “É agora”... Respirei fundo e levantei-me, passei pelo quarto deles, fiz sinal à minha mãe e fui-me vestir. A minha mãe veio dizer-me que tínhamos que levar a roupa do Joaquim para o vestir. “Vá filha, tem força!”, disse-me ela. Eu não conseguia acreditar... e esse sentimento dura até hoje.
Quando cheguei à Cruz Vermelha a enfermeira disse-me “não se preocupe, ainda bem que dormiu, assim está com mais força para aguentar o dia de hoje”, achei que ela tinha razão.
“Aguentar” tem sido a minha palavra de ordem, todos os dias.
Todos os dias me levanto e respiro fundo quando ponho os pés no chão...
Todos os dias sei que “não posso” deixar de estar bem e feliz. Todos os dias vivo com a “obrigação” de estar bem e feliz.
Mas não há momento nenhum, instante, sítio nenhum onde vá, não há 1 minuto que passe em que não pense no vosso amigo... “o J adorava isto” “O J dizia aquilo”, “se fosse o J assim ou assado...” “e quando discutimos” “e quando fizemos as pazes”... vivo em permanente “memória”... tenho uma necessidade enorme de olhar para as suas fotografias, de falar para elas, de acender velinhas e achar que lhe estou a aquecer a alma. Passo o tempo a falar para o céu em pensamento... chego a pensar que doi em doida!


Até hoje nunca falei com ninguém sobre mim, sobre o que sinto e senti, sobre o que penso ou temo... até hoje, não acredito na ausência do meu Amor, até hoje ainda não consegui conformar-me com esta realidade. Acho que tenho andado a tentar “compensar” o incompensável... tenho tentado “equilibrar” o que não tem equilíbrio... tenho tentado “segurar” o que pode cair a qualquer momento!

É Natal... o primeiro Natal sem o pai. Não vos sei dizer o quanto é doloroso, mas acredito que imaginem um bocadinho. O Manel e o Simão vão ter um Natal “normal”, temos árvore, presépio, temos a família, amigos, rabanadas e bolo rei, e muitos brinquedos...
O que eu sinto... não vos vou dizer, até porque nem sei muito bem explicar."

(...)


Este é um excerto de uma carta que escrevi por estes dias...
Queria ter vindo aqui, ao facebook, às minhas páginas onde escrevo quase que diariamente... não consegui... por falta de inspiração e de tempo também... ocupei o meu tempo, nestes dias, sem escrita quase... apenas em pensamentos, em sentimentos, em sorrisos e memórias... mas sem escrita!!

Em pensamento, escrevo um livro todos os dias... pudesse eu editá-los!!

Épocas em família, quando se fala tanto de Amor, Paz, etc, etc... quando se deseja aos outros "Festas Felizes", "Bom Natal", quando passam na Televisão Reportagens sobre o Natal dos que têm menos e sofrem mais... quando recebemos sms e telefonemas de pessoas com quem nem temos falado muito... nestas épocas... percebo agora que são épocas "de neura"... só me apetecia fugir. Mas é que se eu pudesse tinha mesmo fugido... para tão longe!! Não é pelas pessoas, felizmente tenho os meus filhotes, os meus pais, primas, amigos... não... é por... por... tudo o resto... sei lá!!

E o bacalhau, e os doces, e as prendas, e alegrias, e a noite e o dia. O antes e o depois. Sei lá... AI!! Não me apetece!!!

Que nervos!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Obrigado

Muito obrigada amigos e amigas...

Por muitos anos que viva (espero, sinceramente, que sejam muitos, pois preciso de ver os meus dois homens crescerem felizes e saudáveis) há coisas das quais nunca me irei esquecer... de momentos que já passei com cada um de vós, dos momentos que fazem das nossas Amizades, as mais antigas e as mais recentes, memórias especiais. Em cada amigo (a) deposito um sincero sentimento de carinho, mesmo que por vezes, mais distante, tenho uma enorme ternura por cada um.
De tudo o que tenho aprendido nos últimos tempos (e como sabem, a minha vida tem sido uma Professora - das más - e eu uma simples Aprendiz), o valor da Amizade e a importância de termos amigos "à nossa volta" nos momentos mais difíceis, é de facto, uma das melhores conquistas da vida. Nas festas, somos muitos, nas horas penosas menos, e naquelas horas em que o sofrimento domina tudo o resto, somos menos ainda. Aí, nessas alturas, só ficam os bons, os verdadeiros, aqueles que connosco foram vivendo o bom e o mau e foram ficando, mesmo que com "intervalos" pelo meio, fruto de circunstâncias várias... e chegamos até a ter surpresas de Amizades que pouco conhecíamos.

Eu tenho sorte em ter tantos amigos desses bons. Tenho mesmo.
Obrigada por tudo, do coração.
Um enorme abraço carregado de votos de umas excelentes Festas em família, com muita Harmonia e Saúde.

"Castanheira" (Perestrello com muito orgulho)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Mau tempo no Canal

Faz um temporal na Horta - Faial - Açores!
Estão uns 18 graus, mas chove a potes e está um vento muito agressivo!

Até com este tempo, temos uma Paz e uma tranquilidade a entrar pela porta fechada... da varandinha do nosso quarto vêem-se barquinhos, o Mar e lá ao fundo o Pico, hoje mais tapado pelas nuvens baixas mas amanhã estará mais clara a vista, tenho a certeza!

O Manel e o Simão estão a fazer uma sesta... os avós no quarto ao lado... e eu estava aqui, a olhar pela porta da varadinha e a relembrar a última vez que aqui estive com o pai... há 7 anos. Este hotel ainda não existia, estas lojinhas aqui na marginal tão pouco. Havia o Peter Café e pouco mais. Restaurantes, sim, esta harmonia entre a Terra e o Mar. Havia sim, uma beleza absolutamente inegualável que o pai apelidava como "este é o melhor lugar do mundo"... era aqui que viríamos viver a nossa reforma, ou até antes, viríamos abrir uns negócios e viver esta tranqulidade e qualidade de vida que não existe em mais lado nenhum...

Estamos no Hotel do Canal, mesmo a trás da casa onde o Joaquim viveu quando era talvez da idade do Manel e uns anos mais para a frente, pois a João entretanto nasceu, se bem estou lembrada da "história da família"... era aqui, na Capitania do Porto da Horta... daqui partem os barquinhos, daqui iremos visitar o Pico quando o tempo melhorar... aqui estão todos estes registos desta gento do Mar.

Entrar no Café do Peter é "explodir" de saudade...

Boas memórias tenho deste lugar... da praia do Varadouro, do Vulcão, de tudo isto onde passeamos e namorámos... que bom era namorar com o pai, que bom que era...

Os sentimentos que me invadem são de um misto de alegria por ter oportunidade de reviver o passado desta maneira, e de uma profunda tristeza por não te ter aqui comigo e por saber que não voltarás a estar aqui neste "teu lugar" onde estavas tão feliz e para onde querias vir passar o resto dos teus dias... estes acabaram de outra forma, menos feliz... mas tenho a certeza de uma coisa:

Estás aqui em espírito, a tua presença permanece neste Mar, nestes barcos, nesta vida de Mar que tanto gostavas. Quem sabe... os teus filhos não virão aqui muitas vezes "viver esta tua tranquilidade"...

Aqui estás, sim, neste MAR!

Um abraço