Olá
Estive tanto tempo sem escrever… que parvoíce!
A verdade é que vim aqui várias vezes começar um post… e depois apagava… não sei! Se calhar sinto-me insegura do que quero dizer.
Sinto que entrei "noutra fase"… isto quando classificamos o nosso estado de espírito como "uma fase"… e apetece-me começar a contar a minha história ao mundo inteiro!
Se eu pudesse organizava uma RGP - Reunião Geral de Pessoas - para contar tudo o que nos tem acontecido e para sermos exemplo (modéstias à parte) de uma família "sobrevivente". Tantas há que não sobrevivem e outras há que sabe Deus!
Ontem fui ao cinema, (obrigada amigas), e vi um filme que me fez chorar as lágrimas contidas nos últimos dias… porquê? Porque é uma história com muitas emoções, muito realista e com imensa força, que nos "remexe" cá dentro! Lágrimas contidas, essas… porque começo a sentir que "já chega" de chorar… chega de sofrer… e quero sentir o sabor da felicidade plena e da alegria de ver os meus filhos felizes, sem me sobrecarregar, sem os magoar ainda mais, em plena capacidade de os ajudar e gerir a vida deles. (já não adianto nada dizer o quanto às vezes é tão difícil).
E assim decidi que a partir daqui vou começar a escrever como se de um livro se tratasse. Quero tanto escrever um livro que o vou fazer por aqui, através deste Blog. Afinal de contas tenho um Blog :-) desde 2008 que ninguém lê é certo (só vocês os 4) e vou agora começar a "expôr" o que escrevo como se estivesse a contar a nossa história a pessoas que não conheço e que não nos conhecem.
Pouco me importa o que possa parecer… nada tenho a esconder. Pelo contrário quero gritar ao mundo inteiro que não vale a pena viver pelo lado errado, não se ganha nada em ver a metade do copo vazio… mesmo, acreditem, só se consegue seguir em frente quando acordamos a achar que apesar de estar a chover o nosso coração está quente, de Amor, de Amizade, de Saúde!
Hoje vou esperar os meus filhos chegarem da Escola e vou dizer-lhes que os adoro, que me sinto muito orgulhosa deles e de tudo o que têm conseguido fazer. Os meus filhos são fruto de um grande Amor, não posso deixar que isso fique esquecido, jamais, nunca, em dia algum.
Sou uma mãe que se esforça por ser melhor em cada dia, sou uma mãe que falha mas que tem a consciência de perceber que falhou. Sou uma mulher que carrega um peso gigante sózinha… não quero ser vítima nem que ninguém me trate como tal, mas sim, é um "peso pesado" que levo com um sorriso, que vou deixando aos poucos pelo caminho, não que fique mais leve mas talvez um dia, quem sabe… pelo menos que fique mais fácil! Sem os meus filhos, os meus amigos, nada conseguia fazer, nem passada daria com toda a certeza! Mas aqui estou, aqui estamos… e é por isso que quero dar-nos a conhecer!
Fecho aqui um ciclo e no próximo post abro outro!
Retalhos da nossa vida!
Abraço
PS - estive a ler o Blog do Joaquim, como posso não contar o quanto este homem foi forte? O quanto este homem me amava? Como posso não contar esta história de Amor?! Não posso… até porque acho que preciso de o fazer para continuar o meu caminho!
... cheia de momentos bons para recordar! (INACTIVO ... ÚLTIMO POST A 2 DE JANEIRO DE 2015)
terça-feira, 14 de outubro de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
O nosso Dia do Pai podia ser qualquer dia!
Querido pai,
Hoje seria um dia em que nos levavas à escola... Iríamos chegar contentes, como os nossos amigos todos, que chegam com os seus Pais e se despedem dizendo "até logo"... Quando nos fosses buscar teríamos um presente para ti! Irias abrir e dizer "meus amores, adoro! Obrigado, o pai está muito feliz!"
O Dia do Pai não é mais do que um pretexto para um carinho especial, para um trabalho manual dedicado ao pai, é um dia em que podemos ter oportunidade (às vezes esquecida) de relembrar o amor que sentimos e de o dizer sorrindo!
Hoje seria apenas mais um dia... Em que te daríamos um abraço apertado ao acordar... Em que tu nos irias dizer o quanto nos adoras... Era apenas mais um dia em que iríamos partilhar carinhos e amor, mais um dia igual aos outros em que quando chegasses assobiavas e nós corríamos para ti "Paaaaaaaaiiii"
Sim, o dia do Pai é uma oportunidade para fazermos coisas com o Pai... Mas essa oportunidade pode acontecer em qualquer outro dia. Na nossa vida aconteceram muitos dias contigo, muito especiais...
Hoje é um dia em que podemos ter oportunidade de jantar com amigos, com os avós, com a família, com a mana... É um dia bom, pois podemos recordar o nosso Pai e contar a toda a gente quem ele era e como nos amava... TODOS os dias...
Não sabemos bem... Como seriam esses dias todos... Cada dia, cada acordar, cada adormecer, cada brincadeira, cada abraço... Vivemos na imaginação de como seria e sentimos o nossos corações quentinhos quando a mãe nos diz "o Pai está muito orgulhoso e ama-vos muito"
Querido Pai, hoje vamos pôr o presente na "tua caixinha", vamos jantar com amigos e com o Pai deles que é também nosso amigo. Vamos sentir o calor do teu Amor no nosso coração pequenino cheio desta grande saudade!
Obrigado querido Pai por teres sido quem foste e por nos teres deixado a melhor herança de todas: o teu exemplo de saber Amar!
Manuel e Simão
Hoje seria um dia em que nos levavas à escola... Iríamos chegar contentes, como os nossos amigos todos, que chegam com os seus Pais e se despedem dizendo "até logo"... Quando nos fosses buscar teríamos um presente para ti! Irias abrir e dizer "meus amores, adoro! Obrigado, o pai está muito feliz!"
O Dia do Pai não é mais do que um pretexto para um carinho especial, para um trabalho manual dedicado ao pai, é um dia em que podemos ter oportunidade (às vezes esquecida) de relembrar o amor que sentimos e de o dizer sorrindo!
Hoje seria apenas mais um dia... Em que te daríamos um abraço apertado ao acordar... Em que tu nos irias dizer o quanto nos adoras... Era apenas mais um dia em que iríamos partilhar carinhos e amor, mais um dia igual aos outros em que quando chegasses assobiavas e nós corríamos para ti "Paaaaaaaaiiii"
Sim, o dia do Pai é uma oportunidade para fazermos coisas com o Pai... Mas essa oportunidade pode acontecer em qualquer outro dia. Na nossa vida aconteceram muitos dias contigo, muito especiais...
Hoje é um dia em que podemos ter oportunidade de jantar com amigos, com os avós, com a família, com a mana... É um dia bom, pois podemos recordar o nosso Pai e contar a toda a gente quem ele era e como nos amava... TODOS os dias...
Não sabemos bem... Como seriam esses dias todos... Cada dia, cada acordar, cada adormecer, cada brincadeira, cada abraço... Vivemos na imaginação de como seria e sentimos o nossos corações quentinhos quando a mãe nos diz "o Pai está muito orgulhoso e ama-vos muito"
Querido Pai, hoje vamos pôr o presente na "tua caixinha", vamos jantar com amigos e com o Pai deles que é também nosso amigo. Vamos sentir o calor do teu Amor no nosso coração pequenino cheio desta grande saudade!
Obrigado querido Pai por teres sido quem foste e por nos teres deixado a melhor herança de todas: o teu exemplo de saber Amar!
Manuel e Simão
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Viver o importante nesta imensa saudade
No meio de tanta agitação habitual do dia-a-dia, tanta correria, coisas para tratar, preocupações e decisões... É muito fácil cair na tentação de dar importância ao irrelevante. Não é fácil, é mais que isso, é frequente... Recorrente. Pior, é o que nos faz depois sentir culpados por falharmos com pequenas coisas. Tudo junto começa a ser importante, e muitas pequenas coisas começam a parecer uma grande coisa.
Tomei consciência de que me estava a deixar levar por uma corrente negativa de exageros naquilo que fazia. Chegava a casa já à espera de que tivesse acontecido alguma coisa que me iria irritar... Irritava-me já sabendo que não me ia controlar e descontrolava-me na certeza de que me iria arrepender. Solução? Não há. Mas tomar consciência de que estamos a fazer errado já é muito bom.
De repente dou comigo a pensar: "até parece que és uma mãe normal... Até parece que és igual a todas as outras mães... Até parece que os teus filhos são iguais a todos os outros filhos de todas as outras mães...!"
Na realidade... Eu não sou uma mãe igual às outras e os meus filhos são diferentes da maioria dos outros. Portanto, tenho que me comportar como tal. Eu não tenho desculpa. Tenho mais que obrigação de saber melhor, de perceber melhor e tenho mais que a obrigação de fazer melhor. Porquê?
Porque...
Eu sou uma mãe que quando estava grávida do seu 2 filho, de 5 meses, recebo a notícia de que o meu marido, o meu amor, o pai dos meus filhos, estava com um cancro nos pulmões, em fase terminal, com metástases espalhadas pelo resto do corpo. Fui à consulta com ele quando o médico nos explicou tim-tim por tim-tim o que se estava a passar. "Não tem cura, não é operável, vamos fazer tratamentos para lhe proporcionar a melhor qualidade de vida possível"...
Durante quanto tempo? Não nos disse...
Nesse dia, o pai dos meus filhos que eu tanto amava e que tanto me adorava fez-me uma promessa que não sabia possível de não cumprir. "Meu amor, não é desta, acredita, eu não vou morrer assim... Tenho que cuidar de ti e dos nossos filhos. Não te preocupes, não vai ser desta...!" - sentados num banco de jardim em Valbom, de mãos dadas ficamos em silêncio, como se nada existisse à nossa volta.
Porque eu sou uma mãe... Que durante dois anos lutou pela vida do pai dos seus filhos, fez de tudo o que podia para que ele estivesse o melhor possível.
Porque...
Eu sou uma mãe que teve que explicar o inexplicável aos seus filhos. Uma mãe que teve que dizer que "o pai foi com o Jesus para o céu"... Que teve que pegar nos seus filhos e sem chorar dizer-lhes "vai tudo correr bem, não se preocupem, a mãe vai estar sempre aqui, temos o pai no nosso coração!"
Porque é que eu sou uma mãe diferente?
Porque tenho que responder a perguntas para as quais não tenho resposta.
"Oh mãe, porque é que o pai não pode descer pela chuva?"
"Quando é que o pai volta?"
"Porque é que o Pai morreu?"
Porque apesar de não ter estas respostas tenho que dizer sempre alguma coisa, nem que seja:"não sei, meu amor, a mãe também não sabe"... E só Deus sabe o quanto me dói, me consome por dentro ver o sofrimento dos meus filhos, vê-los chorarem de saudades do pai, vê-los sofrerem com a ausência de quem mais lhes faz falta.
Eu sou uma mãe com a obrigação de saber gerir as pequenas coisas pois afinal... Estas são as grandes e é para estas que eu tenho que ter força, é para estas grandes que eu tenho que ter toda a calma do mundo, portanto não me posso ir esgotando aos poucos com as outras pequenas coisas. Eu tenho obrigação de não me esquecer nem por um instante do que é realmente importante.
Hoje, passados 3 anos e 9 meses, continuo na certeza de que jamais irei entender. Mas começo finalmente a saber encontrar a serenidade para poder aceitar. Vivo hoje a esperança de conseguir "viver com saudade e não na saudade" (obrigada JCB)
"Mãe, tenho saudades do pai...!"
É por isto que os meus filhos são diferentes. Viver nesta saudade com tanta alegria e amor não é para todos... E eles sabem fazê-lo e sabem, todos os dias, mostrar-me que isso sim é realmente importante. Porque tal como hoje, tantas outras vezes, conseguem tranquilizar-me, amar-me e dizerem sem falar :"está tudo bem, vamos estar sempre aqui"
Obrigada meu Amor, pela força de vida que me deixaste, pelos frutos que me deste.
Cumpriste a promessa sim, porque tu não morreste, estarás sempre em nós, vivo nos nossos corações!
Boa noite, até amanhã.
Tomei consciência de que me estava a deixar levar por uma corrente negativa de exageros naquilo que fazia. Chegava a casa já à espera de que tivesse acontecido alguma coisa que me iria irritar... Irritava-me já sabendo que não me ia controlar e descontrolava-me na certeza de que me iria arrepender. Solução? Não há. Mas tomar consciência de que estamos a fazer errado já é muito bom.
De repente dou comigo a pensar: "até parece que és uma mãe normal... Até parece que és igual a todas as outras mães... Até parece que os teus filhos são iguais a todos os outros filhos de todas as outras mães...!"
Na realidade... Eu não sou uma mãe igual às outras e os meus filhos são diferentes da maioria dos outros. Portanto, tenho que me comportar como tal. Eu não tenho desculpa. Tenho mais que obrigação de saber melhor, de perceber melhor e tenho mais que a obrigação de fazer melhor. Porquê?
Porque...
Eu sou uma mãe que quando estava grávida do seu 2 filho, de 5 meses, recebo a notícia de que o meu marido, o meu amor, o pai dos meus filhos, estava com um cancro nos pulmões, em fase terminal, com metástases espalhadas pelo resto do corpo. Fui à consulta com ele quando o médico nos explicou tim-tim por tim-tim o que se estava a passar. "Não tem cura, não é operável, vamos fazer tratamentos para lhe proporcionar a melhor qualidade de vida possível"...
Durante quanto tempo? Não nos disse...
Nesse dia, o pai dos meus filhos que eu tanto amava e que tanto me adorava fez-me uma promessa que não sabia possível de não cumprir. "Meu amor, não é desta, acredita, eu não vou morrer assim... Tenho que cuidar de ti e dos nossos filhos. Não te preocupes, não vai ser desta...!" - sentados num banco de jardim em Valbom, de mãos dadas ficamos em silêncio, como se nada existisse à nossa volta.
Porque eu sou uma mãe... Que durante dois anos lutou pela vida do pai dos seus filhos, fez de tudo o que podia para que ele estivesse o melhor possível.
Porque...
Eu sou uma mãe que teve que explicar o inexplicável aos seus filhos. Uma mãe que teve que dizer que "o pai foi com o Jesus para o céu"... Que teve que pegar nos seus filhos e sem chorar dizer-lhes "vai tudo correr bem, não se preocupem, a mãe vai estar sempre aqui, temos o pai no nosso coração!"
Porque é que eu sou uma mãe diferente?
Porque tenho que responder a perguntas para as quais não tenho resposta.
"Oh mãe, porque é que o pai não pode descer pela chuva?"
"Quando é que o pai volta?"
"Porque é que o Pai morreu?"
Porque apesar de não ter estas respostas tenho que dizer sempre alguma coisa, nem que seja:"não sei, meu amor, a mãe também não sabe"... E só Deus sabe o quanto me dói, me consome por dentro ver o sofrimento dos meus filhos, vê-los chorarem de saudades do pai, vê-los sofrerem com a ausência de quem mais lhes faz falta.
Eu sou uma mãe com a obrigação de saber gerir as pequenas coisas pois afinal... Estas são as grandes e é para estas que eu tenho que ter força, é para estas grandes que eu tenho que ter toda a calma do mundo, portanto não me posso ir esgotando aos poucos com as outras pequenas coisas. Eu tenho obrigação de não me esquecer nem por um instante do que é realmente importante.
Hoje, passados 3 anos e 9 meses, continuo na certeza de que jamais irei entender. Mas começo finalmente a saber encontrar a serenidade para poder aceitar. Vivo hoje a esperança de conseguir "viver com saudade e não na saudade" (obrigada JCB)
"Mãe, tenho saudades do pai...!"
É por isto que os meus filhos são diferentes. Viver nesta saudade com tanta alegria e amor não é para todos... E eles sabem fazê-lo e sabem, todos os dias, mostrar-me que isso sim é realmente importante. Porque tal como hoje, tantas outras vezes, conseguem tranquilizar-me, amar-me e dizerem sem falar :"está tudo bem, vamos estar sempre aqui"
Obrigada meu Amor, pela força de vida que me deixaste, pelos frutos que me deste.
Cumpriste a promessa sim, porque tu não morreste, estarás sempre em nós, vivo nos nossos corações!
Boa noite, até amanhã.
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