quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Morrer é só não ser visto"

Este é o título de um livro de Inês Barros Baptista e diz tudo!

Passou um mês...
Desde que perdemos o pai... um mês depois de um dia em que a nossa vida mudou para sempre.

Há um mês, o Joaquim, por quem me apaixonei, com quem me casei, com quem tive dois filhos, o homem com quem vivi feliz os últimos 9 anos da minha vida e com quem pensava viver até ao fim dos meus dias... partiu... adormeceu e já não acordou. Partiu em Paz, adormeceu tranquilo e foi para junto do Pai.
E agora que escrevo isto penso que foi também para junto dos seus pais que perdeu quando era ainda um jovem adoloescente e sem eles viveu a vida inteira. Agora, está com eles, com a sua mãe que o abraça carinhosamente, com o seu pai que lhe sorri com um olhar de orgulho. Está junto de todos os que já partiram deste mundo e estão agora lá em cima a olhar por nós.

Há um mês, o dia que eu tanto temia mas esperava, aconteceu...

Ver o Joaquim ali, naquele quarto de Hospital, foi o princípio do "não acreditar" que dura até hoje e não sei até quando irei viver cada dia com esta sensação de que vou acordar de um pesadelo a qualquer momento.

Têm sido dias difíceis.
Mesmo sabendo e sentindo a sua presença, não consigo deixar de viver esta ausência, saudade tremenda. Esbarro neste vazio, choro este sofrimento... em cada dia, em cada noite!

Há um mês, o mundo ficou mais pobre. Perdeu-se um Grande Homem, um lutador pela vida até ao último suspiro. Um exemplo de vida para todos os que o rodeavam. Um Homem que aprendeu a sobreviver sozinho. Que depois dos desgostos não se deixava vencer pelas dificuldades. Trabalhador, honesto, responsável, divertido, intenso, dedicado aos seus. Um Pai Nobre de princípios de Vida íntegros e um Homem único na emoção e sentimentos. Um apaixonado pela vida e por tudo o que lhe dava mais prazer. Um verdadeiro e honrado gentleman.

Peço-te...
Que não me abandones nunca...
Que olhes pelos nossos filhos, que estejas sempre atento às suas necessidades.
Que me lembres das coisas importantes.
Que não me deixes fraquejar ou cair no desespero.
Peço-te que me ilumines sempre com essa tua Luz,
que no meio desta escuridão em que me sinto, me vá iluminando o caminho a seguir.

O Amor é tão bonito... o verdadeiro Amor, este que vamos construíndo ao longo da vida e depois solidificamos e fortalecemos quando cruelmente nos "atiram para uma frente de batalha"...

Este Amor viverá para sempre. É este Amor que sinto por ti que me vai dando força em cada momento para continuar a viver com toda a serenidade possivel . Foi deste amor que nasceram os nossos filhos que são parte de ti, são a tua "metade" e vão ser sempre um reflexo de quem tu eras e de quem gostavas que eles fossem..

Tenho uma História para contar, a nossa História...
E há um mês, no dia 22 de Maio, a nossa História teve um Fim e um novo Começo.

Agora, fica aqui comigo, neste silêncio doloroso e faz-me acreditar.
Abraça-me e faz-me acreditar.

Amanhã vamos à Missa, "à casa do Jesus", onde "está o pai".
Até amanhã

domingo, 13 de junho de 2010

(desculpem)

23 de Maio.2010

Querida família e amigos

Foram dois anos de grande luta. Foram tempos penosos mas ao mesmo tempo MOMENTOS de força.
O Joaquim, desde o 1º dia, nunca perdeu a esperança, mesmo sabendo do quanto tinha que enfrentar, mesmo temendo o quanto podia não aguentar, sempre manteve a Esperança de um dia se sentir MELHOR, BEM, com a energia com que sempre viveu. Manteve sempre o sonho de que, um dia, ía voltar a conseguir fazer tudo o que sempre gostou de fazer, tudo o que QUERIA ainda fazer.
Algumas vezes, o Joaquim pegou-me na mão e disse “Querida, tenho tanto medo”... e eu respondia: “Não tenhas, querido, tu nunca estarás sózinho”. E nunca esteve. O Joaquim NUNCA esteve sózinho.
Não acredito que seja possível haver alguém que tenha tanto Amor, Ternura, Amizade, Dedicação à sua volta até AO ÚLTIMO MINUTO...
Se houvessem palavras para descrever o quanto eu vos agradeço a todos, em meu nome e em nome do Joaquim, que vos terá dito, a Cada Um, à sua maneira, os seus OBRIGADOS! Se palavras houvessem que transmitissem o VALOR e AMIZADE que ficam registados nas minhas memórias, eu as diria... apenas SINTO que é dessas memórias que vamos viver agora.
Lembro e sorrio... Sinto e choro... Uma vida intensa de Amor e Felicidade.
Reconheço, aqui, perante todos, as minhas falhas que espero que Deus perdoe.

Querido
Sentada nesta tua cama, a ouvir a “nossa” Adriana Calcanhoto... “Meu Amor... cadê você... eu acordei... não tem ninguém... AO LADO”. Escrevo-te estas palavras, que não são as últimas, mas apenas as que marcam uma nova etapa da nossa vida.
Nunca deixarás de estar comigo, connosco, com os teus filhos, que irão crescer com a certeza de que tiveram o MELHOR PAI que poderiam ter tido. Um pai que teve a enorme infelicidade de adoecer, mas que nunca deixou de estar presente com a sua serenidade, beleza e Amor. Um Pai que será SEMPRE a grande referência das suas vidas. Um Pai de quem sempre nos iremos ORGULHAR MUITO. UM PAI QUE FOI... UM GRANDE HERÓI!
A ti... agradeço tudo o que sempre fizeste por mim, por nós. Já doente, muitas vezes, foste tu que me animaste!
Deixas-me a maior RIQUEZA que existe, os nossos filhos, a Pipa. Obrigado querido, por TUDO!
Agora... DESCANSA EM PAZ... e contigo estaremos TODOS OS DIAS, em pensamento, em sentimento, até a ti nos juntarmos outra vez.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Às vezes apetece-me fechar os olhos e acreditar que quando os abrir tudo passou... nada disto realmente aconteceu!

Apetecia-me que alguém chegasse e me acordasse de um pesadelo... "acorda, acorda... estás a sonhar"... tipo como naqueles filmes em que o filme todo se passa numa ilusão e depois no final era um jogo ou uma ficção!

Queria tanto que o tempo tivesse parado há uns anos e tudo continuasse igual...

Se fosse possivel "remendar" o destino... mudar... decidir...

Apetecia-me fechar os olhos, flutuar e deixar-lhe levar lá para cima... lá para cima... flutuar e deixar-me ir!

Não consigo acreditar... não consigo acreditar!
Não é possivel... pois não?

Pois não?!!