José Luis Peixoto é um escritor de quem já devem ter ouvido falar. Andámos juntos no Liceu, não sei bem se no mesmo ano, na mesma turma sei que não, mas lembro-me bem dele. Hoje li uma das suas crónicas e escrevi-lhe uma carta, mas como não tenho nenhum contacto dele, aqui fica... se alguém o conhecer importa-se de lhe dizer que esta carta é para ele?! Obrigada!
"Acabei de ler a tua crónica na revista VISÃO, de 14 de Janeiro deste ano (pois... é que eu demoro muito, por falta de tempo, a ler uma só revista e corro sempre o risco de ler notícias e temas desactualizados).
Talvez te lembres de mim, andámos no mesmo liceu, em Ponte de Sor, Terras Alentejanas, em tempos que já lá vão (oh se vão). Eu lembro-me de ti, perfeitamente, mas acho que não tivemos muitas oportunidades para conversar, não sei..., tenho umas noções vagas, memórias perdidas no tempo. Será da idade? Ou da própria vida que nos vai desgastando?
Tenho "acompanhado" o teu percurso como escritor e dou-te os Parabéns. Gosto muito da tua maneira de escrever, de sentir.
Agora, ao ler o teu artigo, consegui visualizar tudo... tudinho... Senti uma ternura enorme pelos teus 2 filhos, por ti.
Eu também sou mãe de 2 rapazes, um de 4 anos e outro mais bébé de 18 meses apenas. Tenho ainda uma enteada com 13 anos que cuidei durante uns aninhos.
Isso de ouvi-los falar, assistir aos seus comentários e reacções, etc... tudo é uma alegre "misturada", feliz convivência!
Quando nasceu o meu mais velho, a mana, ansiosa por lhe pegar ao colo, já com os seus 8 anos, disse: "Oh tia, sou eu a 1ª a pegar no mano, não sou?" Claro que foi ela a 1ª, nem enfermeiras, médicos, avós, pai ou mãe foram os 1ºs, mas sim a mana mais velha. O pai, cheio de orgulho do seu Barão diz ao pergar-lhe: "Tem um ar ligeiramente snob que me agrada" e sorriu com o maior sorriso que alguma vez lha havia visto!
Foi, o 1º, dia mais feliz da minha vida.
O 2º foi quando nasceu o meu outro filho, no Verão, depois de uma gravidez muito atribulada (mas essa é outra história da qual podemos escrever um livro se quiseres) passados 3 anos e 2 meses de ter nascido o mano. Dia marcado, dia de calor e serenidade. Aqui, foi a avó que entrou comigo para a sala de partos e quando vi o meu 2º bébé tive exactamente a mesma sensação que tinha tido com o 1º, "Ah meu filho, até que enfim!", a diferença é que com um 2º filho a calma é outra, a tranquilidade é mais fácil.
Agora, os 2 em casa, às vezes os 3, nesses fds em que vem a mana com a sua mochila EastPack com flores cor-de-rosa que lhe comprei em Budapeste, vê-los e ouvilos, brincar com eles e tentar conciliar as diferentes necessidades e gostos que se impõem. Entre Gormitis, legos e escolha de roupas e acessórios, tudo se vai passando ao mesmo tempo.
Pois sou eu a mãe, sou eu que os adormeço, dou colo, ternura e educo também. Sou eu que os separo, sim, como tu, quando o mais pequeno "bate" no mais velho ou o do meio "chateia" a mais velha. Tudo acontece... mas olha, José Luis, sabes onde estou?
Sentada na sala de quimioterapia do serviço de Oncologia do Hospital Amadora Sintra.
Estou sentada ao lado do meu marido, pai dos meus filhos, que está aqui pacientemente a fazer um tratamento, mais um depois de tantos... está aqui em sofrimento como tem estado nos último tempos.
E sabes? Não sabemos qual e quando vai ser o fim desta nossa histõria.
Pai... ser pai... mãe!
José Luis Peixoto,
que tudo te corra muito bem, e com os teus filhos. Espero que nos possamos encontrar em breve e quem sabe... escrevermos histórias bonitas os dois, sobre os nossos filhos e sobre o quanto é bom ser Pai!
Também eu gostava de ser uma menina de 4 ou 6 anos para viver em fantasia, para não ter que suportar a dura realidadee de uma vida difícil, que se complicou tanto de um dia para o outro... sem aviso! Vida que mudou "radicalmente".
O que vale, relamente, são eles, os filhos.
Aqueles queridos que com um simples abraço nos dão a maior força de todas.
Obrigada JLP, por este momento bonito.
Obrigada por seres bom e por transmitires coisas boas.
Até sempre
Tua amiga
Sandra Castanheira "
... cheia de momentos bons para recordar! (INACTIVO ... ÚLTIMO POST A 2 DE JANEIRO DE 2015)
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
vazio
hoje queria escrever mais...
mas algo mais positivo
queria escrever um texto bonito, cheio de alegria e força...
mas não me ocorrem as palavras!
estou sem inspiração...
queria escrever-vos sobre banalidades, coisas fúteis mas não me ocorre nada neste momento!
queria contar-vos uma história gira, algo memorável, mas não tenho nada de especial para contar!
queria não estar tão cansada e ter cabeça para escrever textos bonitos, com sentido...
mas não consigo!
Volto amanhã
beijos
mas algo mais positivo
queria escrever um texto bonito, cheio de alegria e força...
mas não me ocorrem as palavras!
estou sem inspiração...
queria escrever-vos sobre banalidades, coisas fúteis mas não me ocorre nada neste momento!
queria contar-vos uma história gira, algo memorável, mas não tenho nada de especial para contar!
queria não estar tão cansada e ter cabeça para escrever textos bonitos, com sentido...
mas não consigo!
Volto amanhã
beijos
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Filhos de um Cancro
Pai,
Porque é que estás deitado a esta hora? Levanta-te... já é de dia... anda brincar! Olha, lá fora está Sol... um dia tão bonito!
Porque tens um dóidói Pai? Queres tomar do meu xarope? O Pai tem que ir à Drª levar uma pica e depois isso passa...
Porque estás assim sem força, Pai? Não consegues? O Pai quer ajuda?...
Oh Mãe... porque é que o Pai tem um dóidói?! Porque é que o Pai não vem jantar?!
Oh Pai... vai descansar mais um bocadinho?
Agora o Pai fica aqui a descansar está bem?
Como serão os outros pais... imaginam eles,... Porque é que os outros pais brincam, rebolam na relva, cantam, riem, vão ao cinema, ao teatro... brincam no parque... andam de bicicleta... Porque é que os outros pais não têm dóidóis? Porque é que só este Pai está doente?
Não é justo... pensam eles... eu também queria ter um pai igual aos outros pais...
Que pensam eles? Que será que sentem? Como sentem? Porque será que não dizem nada? Não perguntam muito... é um hábito... é normal?! Sim... habituam-se a viver com um Pai diferente dos outros pais... sim... e não dizem nada, se calhar não faz mal... não tem importância todas estas coisas que achamos tão essenciais!...
Perguntam pouco... comentam pouco... ignoram... muito! Sim... talvez!
Oh Pai! Sabes... quando o pai tiver mais força e já não tiver esse dóidói vamos fazer muitas coisas juntos... sim, vamos! Quando o Pai já não tiver cansado podemos ir brincar, fazer jogos... o Pai pode escolher! Ah! E tem que nos prometer que vamos andar de bicicleta juntos... eu adoro... nós gostamos muito de andar de bicicleta, sabia pai?!
Olha Pai, toma, este desenho é para ti...
Fui eu que fiz... só para o Pai...
Sim... o Pai é diferente dos outros pais... é o meu, o nosso, e é muito especial... muito mesmo!
Sabe Pai?! Nós gostamos muito de si... muito, muito... e não faz mal... não se preocupe, quando o Pai já não tiver o dóidói, temos todo o tempo do mundo para brincar... promete?!?!
Então vá... muitos beijinhos Pai!
O nosso Pai é o melhor Pai do mundo!
Boa noite
Porque é que estás deitado a esta hora? Levanta-te... já é de dia... anda brincar! Olha, lá fora está Sol... um dia tão bonito!
Porque tens um dóidói Pai? Queres tomar do meu xarope? O Pai tem que ir à Drª levar uma pica e depois isso passa...
Porque estás assim sem força, Pai? Não consegues? O Pai quer ajuda?...
Oh Mãe... porque é que o Pai tem um dóidói?! Porque é que o Pai não vem jantar?!
Oh Pai... vai descansar mais um bocadinho?
Agora o Pai fica aqui a descansar está bem?
Como serão os outros pais... imaginam eles,... Porque é que os outros pais brincam, rebolam na relva, cantam, riem, vão ao cinema, ao teatro... brincam no parque... andam de bicicleta... Porque é que os outros pais não têm dóidóis? Porque é que só este Pai está doente?
Não é justo... pensam eles... eu também queria ter um pai igual aos outros pais...
Que pensam eles? Que será que sentem? Como sentem? Porque será que não dizem nada? Não perguntam muito... é um hábito... é normal?! Sim... habituam-se a viver com um Pai diferente dos outros pais... sim... e não dizem nada, se calhar não faz mal... não tem importância todas estas coisas que achamos tão essenciais!...
Perguntam pouco... comentam pouco... ignoram... muito! Sim... talvez!
Oh Pai! Sabes... quando o pai tiver mais força e já não tiver esse dóidói vamos fazer muitas coisas juntos... sim, vamos! Quando o Pai já não tiver cansado podemos ir brincar, fazer jogos... o Pai pode escolher! Ah! E tem que nos prometer que vamos andar de bicicleta juntos... eu adoro... nós gostamos muito de andar de bicicleta, sabia pai?!
Olha Pai, toma, este desenho é para ti...
Fui eu que fiz... só para o Pai...
Sim... o Pai é diferente dos outros pais... é o meu, o nosso, e é muito especial... muito mesmo!
Sabe Pai?! Nós gostamos muito de si... muito, muito... e não faz mal... não se preocupe, quando o Pai já não tiver o dóidói, temos todo o tempo do mundo para brincar... promete?!?!
Então vá... muitos beijinhos Pai!
O nosso Pai é o melhor Pai do mundo!
Boa noite
Subscrever:
Mensagens (Atom)